Programa - Roda de Saberes - RS05 - Doenças Infecciosas, Vigilância em Saúde e Respostas Territoriais
28 DE MAIO | QUINTA-FEIRA
13:45 - 16:15
13:45 - 16:15
CIEVS - CAPITAL NA CONDUÇÃO DO COE NA EPIDEMIA DE ARBOVIROSES EM CUIABÁ
Apresentação oral
1 Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá
Contextualização
O monitoramento sistemático, publicizado via Boletim de Dengue, Chikungunya e Zica (DCZ) é semanal e, desde outubro de 2024, percebeu-se aumento significativo no número de casos, e, em janeiro de 2025 os casos estavam no limite para extrapolar o canal endêmico, em março de 2025, foi declarada a Emergência de Saúde Pública (ESP) para Arboviroses que permaneceu até 23 maio de 2025. Atualmente em 2026, as Arboviroses seguem sendo acompanhadas e o boletim é semanalmente produzido.
Descrição da Experiência
O Relato é parte das ações de combate as Arboviroses no município de Cuiabá, foi instituído o Comitê de Operações Emergenciais (COE) a partir do Decreto n° 10.851, de 23 de janeiro de 2025, declara a Situação de Emergência no âmbito da Saúde Pública no município de Cuiabá, em razão do risco da epidemia de Arboviroses. As ações e os serviços públicos de Saúde voltados à contenção da emergência foram articulados pela Secretaria Municipal de Saúde, através da instalação de um COE, colegiado responsável pelo monitoramento, tomada de decisão e gestão da situação de emergência declarada. O COE Arboviroses foi instalado no Auditório da Unidade de Vigilância em Zoonoses no Bairro Ribeirão do Lipa, com reuniões semanais – dispostas às quintas-feiras às 14:00 (salvo os casos excepcionais). A Diretoria de Vigilância em Saúde com apoio do CIEVS Capital - Cuiabá coordenou as reuniões. Por se tratar de uma situação emergencial, o Comitê foi composto por diversos membros abaixo, representados pelos diversos setores da Administração Pública do Município de Cuiabá, com colaboradores da esfera Estadual e Federal.
Objetivo e período de Realização
Experiência do Centro De Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) na situação de Emergência em Saúde Pública (ESP) e a necessidade da instauração do Comitê de Operações Emergenciais (COE) para o enfrentamento da Emergência de Saúde Pública de Arboviroses no município de Cuiabá, Mato Grosso.
Resultados
A Emergência de Saúde Pública ocasionada pelas Arboviroses, foi superada gradativamente a partir da cooperação de setores da Administração Municipal, Estadual e Federal, que de forma colaborativa destinaram esforços para atividades de sensibilização, autuação, higienização, limpeza urbana, eliminação de focos, reorganização e educação permanente da Rede de Atenção à Saúde, entre outros esforços necessários para mitigação a fim de conter a contaminação, proliferação do vetor e doença.
Aprendizado e Análise Crítica
A gestão e aprendizado coletivo e colaborativo provindo da comissão foi extremamente eficaz, em que todos os partícipes do COE trabalharam de forma integrada e conseguiram reduzir o número de notificações e agravos, e a superlotação da rede pública saúde bem como a mitigação da exposição da população. A vigilância por parte da população é importantíssima, porque é no território que devem ser mantidas as medidas de promoção e proteção de saúde para o controle do vetor. O esforço dos órgãos de controle é necessário assim como a população compreenda a sua parcela de responsabilidade e toda cautela se faz necessária para não vivenciar uma nova ESP, senão perdem-se todos os esforços para reverter a situação de emergência em saúde e o município poderá vivenciar uma nova ESP. Nesse sentido, sem a cooperação de diversas áreas do serviço de saúde, segurança pública, zoonoses, vigilâncias, CIEVS Capital-Cuiabá, Limpeza Urbana, Atenção Primária em Saúde, Atenção Secundária e a população conjuntamente produzirão estratégias que promoverão mudanças e protegerão os munícipes. Nesse sentido, utiliza-se da experiência vivenciada e vigiar é essencial para que todos não sejam expostos aos riscos de adoecer e vivenciar nova(s) Epidemia(s). Na iminência de novos desdobramentos em que haja aumento de casos ou novas ameaças epidemiológicas, será possível reativar a Sala de Situação e/ou convocar novamente o Comitê de Arboviroses para assegurar as ações intersetoriais no desenvolvimento das atividades do COE.
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA NA MACRORREGIÃO DE SAÚDE NORTE, BAHIA, 2020 A 2024.
Apresentação oral
1 FESF
2 SESAB
3 DIVEP
4 DSEIB
5 UFCB
Introdução
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 90% dos casos de leishmaniose visceral são reportados em Bangladesh, Brasil, Nepal, Índia e Sudão.ssim, diante do excerto exposto anteriormente, é possível destacar o Brasil como é um celeiro da leishmaniose, e que se confirma perante registros do DATASUS (2024) que medem um quantitativo de 129.426 casos Diante do exposto, é suma importância descrever o perfil epidemiológico da LTA na Macrorregião Norte da Bahia, devido ao seu potencial de transmissão de e magnitude para a região, sendo um problema de saúde pública.(BASANO, CAMARGO, 2004).
Objetivos
Descrever o perfil epidemiológico da leishmaniose tegumentar americana (LTA) na Macrorregião de Saúde Norte da Bahia, entre os anos de 2020 e 2024.
Apresentar a distribuição dos casos considerando os municípios de ocorrência;
Descrever os casos de LTA segundo características sociodemográficas;
Apresentar os casos de LTA segundo classificação (tipo de entrada e
forma clínica) e conclusão dos casos (critério de confirmação,
classificação epidemiológica e evolução);
Avaliar a qualidade dos dados de acordo com as variáveis selecionadas;
Propor recomendações para aprimorar a vigilância da LTA na Macrorregião Norte da Bahia.
Processo de produção com período de realização
Trata-se de um estudo em revisão de literatura, de abordagem quantitativa que utiliza dados secundários provenientes das notificações de casos de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA). A população de estudo foi composta pelos casos de LTA notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), vinculados à Macrorregião de Saúde Norte da Bahia.
A população de estudo foi composta pelos casos de LTA notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), vinculados à Macrorregião de Saúde Norte da Bahia. O estudo foi realizado na
Macrorregião Norte da Bahia, a qual possui população estimada de 1.146,146 habitantes e uma área territorial 95.313,485 km². A Macrorregião é composta por 28 municípios, subdivididos em 3 Regiões (Juazeiro,
Senhor do Bonfim e Paulo Afonso).
A avaliação da qualidade dos dados provenientes das fichas de investigação de LTA foi realizada com base nos atributos de incompletude e analisar as inconsistência das variáveis (data de notificação, data do diagnóstico, data do início do tratamento; data do encerramento e evolução).
Resultados
Entre 2020 e 2024, a Bahia registrou 5.684 casos de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA), com maior concentração nas macrorregiões Sul (34,77%) e Leste (27,87%). O número de casos apresentou diminuição ao longo do período estudado, passando de 1.345 em 2020 para 712 em 2024. A macrorregião Norte apresentou 128 casos neste período (2,23%) . Com relação ao risco de adoecer por LTA, as taxas de incidência também demonstram diminuição em todas as macrorregiões, quando analisadas os anos de 2023 e 2024.Esses dados indicam que, embora a doença esteja presente em todo o estado, a sua distribuição é desigual, sendo importante a caracterização epidemiológica em níveis regionais e locais.
A maior concentração dos casos ocorreu nos municípios de Pindobaçu (35,16%), Senhor do Bonfim (17,97%), Jaguarari (15,63%) e Campo Formoso (10,94%). Com relação às taxas de incidência segundo municípios de ocorrência, em 2024, destacam-se os municípios de Pindobaçu (30,57 casos por 100.000 habitantes), seguido por Jaguarari (23,23 casos/100.000 habitantes) e Senhor do Bonfim.
Análise crítica e impactos sociais do produto relacionados aos temas do congresso
A destruição da biodiversidade facilita a adaptação dos flebotomíneos (vetores ) e animais reservatórios aos ambientes urbanos e agrícolas, ampliando o risco de infecção humana.
Abordagem "Saúde Única": A luta da Saúde Coletiva foca na integração entre saúde humana, animal e ambiental, reconhecendo que a "fronteira agrícola" e o "desmatamento" são determinantes sociais da LTA.
A LTA é um "sentinela" do colapso ecológico, indicando que a inação ambiental e a injustiça social estão diretamente traduzidas em lesões cutâneas e miséria, exigindo uma transformação no modelo de desenvolvimento.
MULTIPLICADORES NAS ESCOLAS PARA COMBATE AO AEDES AEGYPTI
Apresentação oral
1 Prefeitura Municipal do Rio Grande
2 MOPS
Contextualização
O Núcleo de Educação, da Vigilância Municipal em Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde do Rio Grande, possui o Projeto Multiplicadores nas Escolas para Combate ao Aedes aegypti, criado com o objetivo de realizar atividades educativas em relação à prevenção do Aedes aegypti - vetor de arboviroses - em todas as escolas do município.
Descrição da Experiência
O Núcleo é formado por 3 agentes de combate às endemias que realizam oficinas em escolas públicas e privadas com crianças e adolescentes, com metodologia adequada para cada faixa etária. São utilizados recursos visuais como banners, vídeos, slides, fotos e folders. É apresentado o ciclo de vida do Aedes aegypti; são expostas as maneiras de prevenção ao Aedes através do manejo correto dos resíduos servíveis e inservíveis nas residências e comunidade; são trabalhadas as doenças Dengue, Zika e Chikungunya; são apresentadas amostras reais do mosquito em suas formas: ovo, larva, pupa e alado, que são visualizados em lupa binocular; utilizam-se técnicas participativas e problematizadoras para estimular o processo de interação e compreensão; são feitas brincadeiras: jogos da memória e rally de mesa e de chão, desenhos para pintura, 5 erros, cartilha e cruzadinha.
Objetivo e período de Realização
Objetivos: combater a proliferação do Aedes aegypti no município; realizar processos formativos com crianças e adolescentes para que compreendam a necessidade da prevenção ambiental nos seus territórios residenciais e sejam multiplicadores de ideias e ações para o combate ao Aedes junto à comunidade; mostrar o trabalho realizado pelo Programa de Prevenção às Arboviroses; direcionar a atenção para localidades em zona de risco para o vetor e para a circulação viral das arboviroses. As ações aqui descritas são referentes ao período de 2022 até 26/02/2026.
Resultados
Desde 2022 até a data 26/02/2026, o Projeto envolveu 13.256 alunos em 69 escolas, em áreas urbana e rural. O Projeto vem apresentando resultados satisfatórios no sentido que as crianças e adolescentes participantes compartilham seus aprendizados com a comunidade escolar e com as suas famílias. Tem sido identificada de forma concreta uma apropriação do conhecimento pelos estudantes desde práticas mais cuidadosas com o ambiente escolar e sua comunidade, como descarte correto do lixo e identificação de possíveis criadouros. Isso é evidenciado desde a comunicação da escola com a equipe do Projeto e durante o trabalho de campo, ou seja, nas visitas dos agentes nas residências, através de relatos dos moradores. O Projeto tem sido divulgado entre a comunidade escolar resultando em novos convites para a execução das mais ações. É interessante comentar um aumento significativo nos últimos anos de mosquitos alados encontrados pelos moradores que acionaram a Vigilância Ambiental para contagem e delimitação de focos em virtude das orientações recebidas do Núcleo de Educação, mostrando que a população está capacitada para identificar o Aedes e como proceder.
Aprendizado e Análise Crítica
O Projeto é de grande relevância; de maneira lúdica e atrativa, através da problematização da realidade, realiza um trabalho educativo com crianças, adolescentes, docentes e comunidade escolar em conjunto com os agentes de combate às endemias como aliados no combate ao mosquito Aedes aegypti. Potencializa uma prática educativa coletiva para o desenvolvimento de uma visão crítica; auxilia na aproximação com o SUS e conhecimento das atividades da Vigilância em Saúde. Nesse sentido, o Projeto contribui para as práticas de prevenção ao Aedes sobretudo devido ao poder multiplicador que crianças e adolescentes possuem em influenciar os adultos em seu entorno. O Núcleo entende que processos educativos são cíclicos; a aprendizagem é contínua, reflexiva e construída em etapas que se repetem e são absorvidas ao longo do tempo, por isso da importância de retomar escolas, preocupando-se em atualizar a abordagem e materiais para a conscientização, a fim de manter os ótimos resultados.
ATUAÇÃO DO EPISUS-AVANÇADO NO APOIO À VIGILÂNCIA EM TERRITÓRIO INDÍGENA, MINAS GERAIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Apresentação oral
1 EpiSUS/DEMSP/SVSA/MS
2 DAPSI/SESAI/MS
3 CIEVS/MG
4 DSEI/SESAI/MG
5 SES/TO/MG
Contextualização
Este relato apresenta a experiência desenvolvida como profissional em treinamento do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS), nível Avançado, juntamente com os profissionais do Departamento de Atenção Primária de Saúde Indígena (DAPSI/SESAI) durante apoio às ações de vigilância em saúde no Polo Base Topázio, localizado em Teófilo Otoni, Minas Gerais. A atuação em fevereiro de 2026, ocorreu em resposta à demanda do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) do Distrito Sanitário Especial Indígena Minas Gerais e Espírito Santo. O acionamento ocorreu após sucessivos registros de surtos de doenças transmissíveis, mobilizando a necessidade de investigação e fortalecimento das ações no território.
Descrição da Experiência
A atividade de campo envolveu participação em reuniões técnicas, reconhecimento do território, aproximação com agentes de saúde indígena, observação de práticas de cuidado e análise de fluxos de vigilância. A interação com diferentes atores permitiu compreender a complexidade da organização da assistência e da vigilância no território, marcada por desafios logísticos, diversidade cultural e dinâmicas próprias de sociabilidade e deslocamento. O processo evidenciou a influência de fatores socioambientais nas condições de adoecimento, incluindo características da infraestrutura local, condições de saneamento, contextos de mobilidade das famílias e limitações dos serviços para resposta oportuna.
Objetivo e período de Realização
O objetivo é relatar a experiência como profissional em treinamento do EpiSUS, nível Avançado, no desenvolvimento de investigação de campo em território indígena de Minas Gerais, 2026.
O período da experiência compreendeu de 02 a 12 de fevereiro de 2026.
Resultados
Entre os desafios vivenciados, destacaram se: a necessidade de articulação entre equipes de diferentes instâncias da saúde indígena, as dificuldades na comunicação entre os níveis de vigilância e assistência, bem como barreiras linguísticas e culturais no diálogo com a população indígena, que demandaram estratégias adicionais de mediação e adaptação intercultural para a realização das atividades de investigação. Também se identificaram limitações estruturais relacionadas às condições de acesso geográfico ao território indígena, transporte e disponibilidade de recursos para resposta oportuna às demandas sanitárias. A experiência evidenciou ainda fragilidades nos processos de coleta, registro e circulação de informação epidemiológica, com registros assistenciais dispersos e necessidade de alinhamento entre as demandas imediatas do território e as capacidades institucionais de atendimento assistenciais e de vigilância em saúde.
Aprendizado e Análise Crítica
A vivência possibilitou ampliar a compreensão sobre a atuação da vigilância em territórios marcados por múltiplas vulnerabilidades e por desigualdades históricas que afetam diretamente a saúde dos povos indígenas. O exercício de campo evidenciou a importância do diálogo intercultural, da escuta qualificada e da adaptação de abordagens metodológicas para a realização de investigações epidemiológicas que respeitem especificidades socioculturais e organizacionais das comunidades. A experiência também destacou que a efetividade das ações da vigilância como prática coletiva, depende da articulação, confiança e construção conjunta de estratégias entre diferentes níveis do sistema de saúde com os atores locais. Assim, o percurso contribuiu para o desenvolvimento de habilidades técnicas e relacionais, evidenciando que a investigação epidemiológica em territórios indígenas demanda um olhar ampliado, atento às determinações socioambientais, às condições de vida e aos modos de organização comunitária. A experiência fortaleceu a compreensão da vigilância em saúde e ambiente como ação no território, comprometida com a proteção da vida.
ESQUISTOSSOMOSE NO BRASIL: ANÁLISE ESPAÇO-TEMPORAL DA MORBIMORTALIDADE ASSOCIADO A FATORES SOCIOAMBIENTAIS E PROGRAMAS DE SAÚDE
Apresentação oral
1 IRR - Fiocruz Minas
2 UFRN
Apresentação/Introdução
A esquistossomose permanece como importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em territórios marcados por precariedade no abastecimento de água e no esgotamento sanitário. Classificada como doença tropical negligenciada, sua ocorrência expressa a determinação socioambiental da saúde, evidenciando a influência de desigualdades estruturais relacionadas ao território, à renda, educação e acesso a programas de saúde. Entre 2001 e 2021, políticas de proteção social, como o Programa Bolsa Família e as ações do Programa de Controle da Esquistossomose, buscaram ampliar suas coberturas assistenciais a fim de fortalecer não só o cenário institucional, mas também a proteção sanitária territorial. Paralelamente, nessas duas décadas, melhorias na cobertura de saneamento básico e aumento do IDH nos municípios apoiaram esses programas com um suporte estrutural para o enfrentamento às endemias locais. Embora haja visto esses avanços, a esquistossomose ainda persiste com focos ativos em diversas regiões do país, mantendo a doença como um problema de Saúde Pública.
Objetivos
Analisar o panorama da esquistossomose no Brasil quanto aos padrões temporais e espaciais, com o intuito de identificar sub-regiões de altas taxas persistentes e emergentes, e, explorar associações espaciais da morbimortalidade com fatores socioambientais e acesso a programas de saúde entre 2001 e 202.
Metodologia
Trata-se de um estudo ecológico com abrangência nacional e abordagem espaço-temporal da morbimortalidade anual por esquistossomose e associações com fatores socioambientais e de acesso aos programas de saúde entre os municípios brasileiros. Foram utilizados indicadores de saneamento (cobertura de água e esgotamento sanitário) e socioeconômicos (IDHM, cobertura do Bolsa Família e cobertura do PCE – Programa de Controle da Esquistossomose). As trajetórias temporais foram analisadas via Modelos Aditivos Generalizados (Modelos GAM). Fez-se mapeamento dos indicadores e dos índices de associação espacial (Moran Global e Local univariado e bivariado). A identificação de clusters espaço-temporais foi realizada através da estatística de varredura Scan.
Resultados
No Brasil, entre 2001-2021 ocorreram 453.768 casos confirmados da doença (taxa anual de 12,9 casos/100mil hab.) e 10.686 óbitos (taxa anual de 0,26 óbitos/100mil hab.). Houve redução de 95,4% dos casos e 28,7% dos óbitos no período. Observou-se a persistência da doença em municípios endêmicos como Sergipe, Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Alagoas, com pontos focais de altas taxas de mortalidade na região litorânea do Nordeste. Observou-se ainda, dispersão espacial da incidência em áreas do interior do país nos últimos 10 anos, principalmente em territórios sem histórico epidemiológico da doença. As associações espaciais apontaram municípios e regiões com alto risco de ocorrência e morte, concomitante a piores indicadores de saneamento e condições econômicas desfavoráveis, além de menor cobertura dos programas de saúde.
Discussão
A esquistossomose permanece como marcador de desigualdades socioambientais e de fragilidades estruturais no Brasil. Embora tenha havido redução expressiva da morbimortalidade entre 2001 e 2021, a manutenção de focos ativos em estados endêmicos evidencia limitações históricas no acesso universal ao saneamento básico e aos serviços de saúde. Apesar da ampliação da cobertura do Programa Bolsa Família e da melhoria do IDHM, a redução progressiva da cobertura do Programa de Controle da Esquistossomose (PCE) pode ter comprometido a interrupção da transmissão em áreas vulneráveis.
Conclusões/Considerações
Impõe-se, portanto, a adoção de estratégias intersetoriais, territorializadas e contínuas, com fortalecimento da vigilância epidemiológica, qualificação do controle e priorização de territórios críticos, visando à redução das iniquidades e ao avanço sustentável rumo à eliminação da endemia.
CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS DOS CASOS DE ÓBITO POR TUBERCULOSE EM MATO GROSSO, 2014 A 2023
Apresentação oral
1 UFR
Apresentação/Introdução
A tuberculose é uma doença infecciosa reconhecida mundialmente como problema de saúde pública. Trata-se de uma das principais causas de mortalidade no mundo, sendo a exclusão social um dos fatores determinantes. Nesse contexto, compreender o perfil dos óbitos por tuberculose constitui uma ferramenta essencial para auxiliar na formulação de estratégias de controle da doença.
Objetivos
O objetivo desse estudo foi descrever as características sociodemográficas dos casos de óbito por tuberculose no estado de Mato Grosso nos anos de 2014 a 2023.
Metodologia
Trata-se de um estudo analítico, descritivo, retrospectivo dos casos de tuberculose registrados em residentes no estado de Mato Grosso de 2014 a 2023. Os dados foram coletados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponível no DATASUS. Foi realizada a estatística descritiva. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Rondonópolis, com número de parecer 6679133.
Resultados
Foram incluídos no estudo 11.792 casos de tuberculose, dos quais 325 (2,75%) evoluíram para óbito pela doença. Os casos de óbito prevaleceram em homens (75,7%), idosos (43,7%), pardos (61,8%) e indivíduos com até 4 anos de estudo (24,6%). Observou-se ainda maior frequência de óbitos entre aqueles que não são beneficiários de programas de transferência de renda do governo (57,2%). Indivíduos em situação de rua e privados de liberdade correspondem a 5,5% e 1,2% dos casos de óbito, respectivamente.
Discussão
Os resultados do presente estudo corroboram os achados da literatura que apontam que os desfechos desfavoráveis do tratamento da tuberculose estão intrinsicamente ligados a questões de gênero, sociodemográficas e econômicas. A raça/cor e a escolaridade são determinantes que, no Brasil, estão condicionados historicamente às baixas condições socioeconômicas e às dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Além disso, os homens, historicamente apresentam menor atenção à saúde, o que reforça a importância de ações voltadas a esse grupo populacional.
Conclusões/Considerações
A mortalidade por tuberculose predominou nos indivíduos do gênero masculino e naqueles em condições sociodemográficas desfavoráveis, como pardos, baixa escolaridade e idosos. Salienta-se a importância dos programas de transferência de renda do governo que não tem alcançado a maioria dessa população. Torna-se essencial o enfrentamento da tuberculose com base em seus determinantes sociais para que se promova a equidade em saúde.
REORGANIZAÇÃO DO CONTROLE DO AEDES AEGYPTI SEM USO ROTINEIRO DE ADULTICIDAS
Apresentação oral
1 Vigilância Em Saúde - Rio Grande/RS
2 Vigilância em Saúde - Rio Grande/RS
Contextualização
No SUS, ainda é comum que o debate sobre o controle do Aedes aegypti acabe reduzido à cobrança por aplicações de fumacê. No cotidiano do território, porém, essa resposta rápida nem sempre se sustenta quando se observa a dinâmica real do vetor e as condições urbanas. Em Rio Grande (RS), essa inquietação foi amadurecendo dentro da Vigilância em Saúde e provocou uma revisão do modo de organizar o trabalho. Pesou, nesse processo, a preocupação com a saúde ocupacional dos trabalhadores que realizam aplicações químicas, com a exposição da população e com os impactos ambientais associados ao uso indiscriminado de adulticidas, reconhecidamente pouco seletivos para espécies não alvo e com potencial de contaminação de ambientes aquáticos. A discussão, portanto, deixou de ser apenas operacional e passou a considerar a necessidade de fortalecer ações contínuas, territorializadas e preventivas.
Descrição da Experiência
Este relato apresenta como o município reorganizou, ao longo de 2025, suas ações de controle do Aedes aegypti nos territórios urbanos. O processo foi conduzido pela Vigilância em Saúde, no âmbito do Programa de Arboviroses, com atuação direta das equipes de Agentes de Combate às Endemias (ACE). Como diretriz institucional, optou-se por não realizar aplicações rotineiras de inseticidas adulticidas. Em contrapartida, o esforço se concentrou no fortalecimento das ações de base territorial: em 2025 foram implantadas ovitrampas em substituição às larvitrampas, ampliou-se o acompanhamento das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), qualificou-se o LI+T com uso de larvicida biológico quando indicado e intensificaram-se as visitas domiciliares. No mesmo período, foi estruturado um núcleo de educação em saúde composto por três ACE, que passaram a atuar como elo entre a vigilância e a comunidade, organizando atividades em escolas, feiras livres, eventos comunitários e outras agendas públicas. Também se iniciou a integração entre ACEs e Agentes Comunitários de Saúde (ACS), incorporando o conhecimento territorial da atenção básica ao planejamento das ações.
Objetivo e período de Realização
Descrever e refletir sobre o processo de reorganização das estratégias de controle do Aedes aegypti com redução do uso rotineiro de inseticidas químicos nos territórios urbanos do município do Rio Grande (RS). O início desse trabalho ocorreu em Janeiro de 2025, e segue até os dias de hoje.
Resultados
O processo trouxe aprendizados importantes para a organização do trabalho. As equipes de ACE passaram a atuar com maior planejamento de campo; a vigilância entomológica ganhou sensibilidade com a implantação das ovitrampas, hoje em dia são 437 instaladas no município e o uso das EDLs que totalizam 753 estações instaladas; e as ações educativas tiveram boa receptividade em diferentes bairros, foram 23 escolas trabalhadas, com aproximadamente 4050 alunos e mais de 5 mil pessoas em eventos públicos diversos. A integração inicial entre ACE e ACS mostrou potencial para facilitar o acesso aos imóveis e qualificar a leitura das dinâmicas locais. Como resposta ao diagnóstico produzido em 2025, o município realizou, em 2026, a contratação de 60 novos ACE para ampliar a cobertura das ações.
Aprendizado e Análise Crítica
A vivência no território reforça uma percepção já compartilhada entre os trabalhadores: o enfrentamento do Aedes aegypti não se resolve com medidas pontuais nem com respostas exclusivamente químicas. Reduzir a centralidade dos adulticidas exigiu fortalecer presença de campo, vigilância entomológica e diálogo permanente com a população. É sabido que mudanças de modelo levam tempo e dependem de densidade operacional. Ainda assim, a estratégia aponta para um caminho mais consistente e menos dependente de soluções imediatistas. Os próximos ciclos, já com ampliação das equipes e maior integração com a atenção básica, serão decisivos para avaliar os efeitos dessa mudança no controle vetorial.
ENFRENTANDO O SARAMPO NA METRÓPOLE: ARTICULAÇÃO INSTITUCIONAL E SUPERAÇÃO DE BARREIRAS EM SÃO PAULO/SP
Apresentação oral
1 PMSP
2 PMSP/FCMSC
Contextualização
O sarampo é uma doença viral exantemática aguda, potencialmente grave e altamente contagiosa. Embora o Brasil tenha sido reverificado pela OPAS como livre do sarampo em 2024, as Américas enfrentam aumento de casos levando à perda da certificação regional. Até fevereiro de 2026 as Américas confirmaram mais de 7 mil casos. O município de São Paulo possui fatores que aumentam o risco de reintrodução do sarampo, como aeroporto, terminais rodoviários internacionais, eventos de massa e bolsões de suscetíveis.
Descrição da Experiência
Em 08/12/2025, o Núcleo de Doenças Agudas Transmissíveis da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Coordenadoria de Vigilância em Saúde recebeu informação de caso altamente suspeito internado em hospital privado: homem, 27 anos, sem registro vacinal para SCR, com viagem aos EUA e contato com caso confirmado durante a viagem. Os pródromos (tosse, coriza, odinofagia, conjuntivite e febre) iniciaram em 28/11/2025, cinco dias após retorno, e exantema em 05/12/2025, sendo internado por dois dias por desidratação. As evidências do caso acenderam um alerta para as equipes de vigilância, visto que o município havia confirmado somente um caso importado em abril de 2025.
Imediatamente foram acionados o Programa Municipal de Imunização e a Unidade de Vigilância territorial para contenção de transmissão e mitigação dos riscos. Amostras foram enviadas ao laboratório de referência e iniciaram-se identificação, acompanhamento e bloqueio vacinal seletivo dos contatos domiciliares, dos profissionais de saúde e dos 21 pacientes presentes na sala de espera do pronto‑socorro no período de atendimento e até duas horas após a passagem do caso.
No dia seguinte à notificação veio a confirmação laboratorial, desencadeando intensificação vacinal nos quarteirões ao redor da residência do caso. Por ser um bairro de classe alta com comunidade religiosa resistente a vacinação, os Agentes Comunitários de Saúde enfrentaram resistência ao acesso predial e hesitação vacinal em parcela da população. Essa dificuldade motivou mudança de estratégia: a intensificação vacinal foi ampliada para três distritos administrativos, expandindo a área de cobertura para maior contenção.
Foi realizada Busca Ativa Institucional e Comunitária para identificar outros casos na mesma cadeia de transmissão e adoção de outras medidas: elaboração de Informe Epidemiológico para aumentar a sensibilidade das unidades assistenciais; reunião técnica com UPA e hospitais; capacitação à rede hospitalar notificadora reforçando a importância de ações rápidas; e reuniões tripartite. A partir desses encontros, pactuou‑se realizar, entre 12 e 30 de janeiro de 2026, intensificação vacinal em todo o município para atualização de suscetíveis, focando em: crianças menores de 5 anos, profissionais do turismo, portos e aeroportos, participantes de eventos de massa, motoristas de táxi/aplicativos, trabalhadores de hotéis/restaurantes, imigrantes, refugiados e populações vulneráveis.
O Ministério da Saúde apoiou o município enviando mensagens personalizadas via aplicativo GOV.BR e WhatsApp para mais de 7,3 milhões de pessoas, incentivando a adesão à campanha. No sábado, 24/01/2026, ocorreu o “Dia D” de vacinação, onde as 481 Unidades Básicas de Saúde do município funcionaram.
Objetivo e período de Realização
Nesse contexto, descrevem‑se as ações da Vigilância Epidemiológica do município diante de um caso confirmado cujo manejo iniciou com a notificação em 08/12/2025 e encerrou com o fim do surto ativo em 27/02/2026.
Resultados
As ações integradas da Vigilância Epidemiológica mostraram‑se efetivas: não sendo detectado casos secundários durante o período de vigilância de 12 semanas a partir do exantema, indicando a interrupção da cadeia de transmissão. Ao longo de todo o período das ações foram aplicadas mais de 55.000 doses da vacina contra o sarampo.
Aprendizado e Análise Crítica
O desfecho positivo resultou do acionamento oportuno, análise individualizada do caso considerando a peculiaridade, ampliação estratégica da área de cobertura vacinal frente as barreiras locais e a coordenação entre município, estado e união garantindo comunicação eficaz, disponibilização de insumos e recursos nas ações de controle.
HESITAÇÃO VACINAL ENTRE OS ADOLESCENTES DA VACINA HPV: REVISÃO INTEGRATIVA
Apresentação oral
1 Universidade Católica de Santos - UNISANTOS
Apresentação/Introdução
A hesitação vacinal contra o Papilomavírus Humano (HPV) compromete a adesão ao programa de imunização e a prevenção de cânceres associados ao vírus, especialmente entre adolescentes em situação de vulnerabilidade. Este estudo teve como objetivo compreender, a partir da literatura científica, os fatores relacionados à hesitação vacinal nessa população.
Objetivos
Compreender, por meio da literatura científica, os fatores associados à hesitação vacinal em adolescentes em relação à vacina contra o HPV.
Metodologia
Trata-se de uma revisão integrativa realizada nas bases MEDLINE, LILACS e SciELO, com publicações entre 2006 e 2024, nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram incluídos estudos com adolescentes no Brasil, em contextos urbanos e rurais, com foco na vacina contra o HPV; e excluídos aqueles com populações específicas (pessoas em restrição de liberdade, em situação de rua ou com transtornos mentais graves), bem como revisões, comentários, editoriais e estudos quantitativos. A busca utilizou descritores controlados e não controlados combinados por operadores booleanos.
Resultados
Foram identificadas 332 publicações; após triagem e leitura na íntegra, 10 estudos compuseram a síntese final. Os resultados indicam que fatores socioeconômicos, culturais, informacionais e familiares influenciam a hesitação vacinal, destacando-se baixa escolaridade, desinformação, mitos, estigma relacionado à iniciação sexual precoce e ausência de diálogo sobre sexualidade e saúde. Estratégias intersetoriais, culturalmente sensíveis e baseadas em evidências são essenciais para ampliar a cobertura vacinal.
Discussão
A circulação de teorias conspiratórias e desinformações sobre a vacina contra o HPV é um dos principais fatores que contribuem para a hesitação vacinal entre adolescentes. A ideia de que a vacina seria perigosa ou causaria efeitos colaterais graves é amplamente difundida nas redes sociais e em grupos informais, influenciando negativamente a percepção pública sobre sua eficácia e segurança. Embora estudos comprovem que as vacinas passam por rigorosos testes de segurança e são monitoradas continuamente, muitos pais e adolescentes ainda são influenciados por informações equivocadas.
Conclusões/Considerações
A hesitação vacinal contra o HPV entre adolescentes no Brasil está associada a múltiplos fatores socioeconômicos, culturais, informacionais e familiares. Baixa escolaridade e renda, desinformação e a circulação de mitos, frequentemente amplificados pelas redes sociais, contribuem para a resistência à vacina. Aspectos culturais e religiosos, bem como o estigma que relaciona a vacinação à iniciação sexual precoce, também influenciam negativamente a adesão. Além disso, a falta de diálogo sobre sexualidade e saúde entre adolescentes, famílias e profissionais dificulta o acesso a informações adequadas. Diante desse cenário, destacam-se a importância de estratégias intersetoriais, campanhas educativas baseadas em evidências e ações de combate à desinformação para ampliar a cobertura vacinal e reduzir desigualdades em saúde.
VIGILÂNCIA ENTOMOLÓGICA E INTERVENÇÃO AMBIENTAL EM TERRITÓRIO DA CLÍNICA DA FAMÍLIA, ÁREA PROGRAMÁTICA 5.2/RJ
Apresentação oral
1 1 Agente de Combate às Endemias Estado do RJ, Servidor Público Federal, Referência Técnica em Vigilância Ambiental AP 5.2, RJ.; 3 Projeto Integrador Multicêntrico: Estudo do impacto à saúde de Agentes de Combate às Endemias/Guardas de Endemias (ACE) pela
2 2 Técnico de Controle de Vetores e Pragas; 3 Projeto Integrador Multicêntrico: Estudo do impacto à saúde de Agentes de Combate às Endemias/Guardas de Endemias (ACE) pela exposição a agrotóxicos no Estado do Rio de Janeiro, Centro de Estudos da Saúde do T
3 3 Projeto Integrador Multicêntrico: Estudo do impacto à saúde de Agentes de Combate às Endemias/Guardas de Endemias (ACE) pela exposição a agrotóxicos no Estado do Rio de Janeiro, Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, Escola Naciona
Contextualização
O presente relato descreve as estratégias exitosas de manejo de arboviroses sem uso de agrotóxicos, implementadas no território da Área de Planejamento 5.2 (AP 5.2), especificamente na área adscrita à Clínica da Família Sonia Maria Ferreira Machado (CFSMFM), no município do Rio de Janeiro. A motivação para a intervenção surgiu a partir de uma análise crítica das notificações registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). No panorama das 35 unidades básicas de saúde da referida AP, a CFSMFM liderava o ranking de incidência, apresentando um padrão elevado de notificações de arboviroses que culminou em um aumento epidemiológico significativo no ano de 2019.
Descrição da Experiência
Diante deste cenário, foi implementado, ainda em 2019, um projeto de monitoramento vetorial baseado no uso de ovitrampas — armadilhas de MDF projetadas para atrair fêmeas de Aedes aegypti para a oviposição. A metodologia consistiu na instalação semanal das armadilhas, abrangendo um raio de 50 metros com um distanciamento de 100 metros entre as ovitrampas, mantendo-se o fluxo de monitoramento durante todas as semanas do ano. O processo rigoroso de análise laboratorial incluiu a contagem de ovos em 100% das amostras coletadas e a identificação taxonômica da espécie em 10% do material, garantindo precisão técnica no mapeamento da densidade vetorial do território.
Objetivo e período de Realização
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Resultados
Os resultados obtidos a partir da análise da série histórica (2019-2024) da CFSMFM evidenciam o impacto positivo das intervenções no controle vetorial. Em 2019, a unidade ocupava o 1° lugar no ranking da AP 5.2, com 886 casos (8,5% dos casos da AP). Nos biênios 2020 e 2021, sob os desafios da pandemia de COVID-19, as notificações recuaram para 35 (6,6% dos casos da AP) e 06 casos (1%), deslocando a unidade para 3° e 11° lugares no ranking. A implementação das ovitrampas consolidou essa trajetória, mantendo a incidência controlada em 2022 (28 casos; 1,7% do percentual da AP; 20° posição do ranking) e 2023 (182 casos; 1,9%; 23° posição).
Em 2024, apesar da severa epidemia de dengue no verão, que comprometeu a operacionalização técnica das armadilhas, a unidade demonstrou resiliência: registrou 620 casos (2,6% do total da AP 5.2), mantendo-se na 18ª posição. O resultado ratifica a eficácia do monitoramento, evitando o retorno ao topo crítico observado no período pré-intervenção e garantindo a redução sustentada das notificações SINAN. A abrangência do projeto alcançou cerca de 17.000 imóveis e permitiu a remoção direta de 2.228.349 ovos do meio ambiente ao longo do período estudado, interrompendo precocemente o ciclo biológico do vetor.
Complementarmente às ações de vigilância, a unidade desenvolveu iniciativas de sustentabilidade e promoção da saúde, como o uso do peixe guppy, que se alimenta de larvas do vetor, e o Projeto Pneu. Esta ação foca na logística reversa e na ressignificação de resíduos sólidos que, descartados de forma inadequada, atuariam como criadouros potenciais. Através da transformação de pneus inservíveis em mobiliário, esculturas e brinquedos para o embelezamento de equipamentos municipais (playgrounds das escolas e jardins das UBS), o projeto promoveu a educação popular em saúde e a vigilância ambiental de forma lúdica e participativa.
Aprendizado e Análise Crítica
Tais projetos articulam vertentes fundamentais da saúde coletiva da população do território, como a redução do uso de agrotóxicos e a proteção da saúde do trabalhador — que passa a atuar em um ambiente com menor carga viral e menor exposição química. Em suma, a experiência da CFSMFM reafirma a importância da vigilância ambiental e que é possível reduzir o uso de agrotóxicos e manter o controle sustentável das arboviroses em áreas urbanas.
FLUXOGRAMA PARA MANEJO DE CASOS SUSPEITOS DE MALÁRIA NO SUS: PRODUÇÃO TÉCNICA EM MARABÁ-PA.
Apresentação oral
1 UNIFESSPA
2 Secretaria Municipal de Saúde de Marabá
Introdução
O município de Marabá/PA, não registra casos autóctones de malária há mais de 10 anos, conforme dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (SIVEP-Malária). Entretanto, municípios e áreas próximas apresentam alta incidência da doença, o que faz com que pacientes com sintomas compatíveis procurem atendimento na rede municipal de saúde. Além disso, Marabá é considerado polo da Região de Saúde dos Carajás, recebendo grande fluxo de pessoas de localidades vizinhas em busca de assistência. Nesse contexto, torna-se fundamental que os serviços de saúde estejam organizados para o reconhecimento, diagnóstico e manejo oportuno de casos suspeitos de malária. Assim, foi elaborado um fluxograma de atendimento para pacientes com suspeita da doença, com o objetivo de organizar o processo de trabalho, identificar possíveis fragilidades no serviço e orientar os profissionais de saúde quanto às etapas necessárias para o manejo adequado desses casos.
Objetivos
Organizar e padronizar o fluxo de identificação, notificação, investigação e acompanhamento de casos suspeitos de malária no município, contribuindo para a qualificação da resposta dos serviços de saúde, para desenvolver ações articuladas de vigilância epidemiológica e ambiental para detecção precoce de casos, interrupção da cadeia de transmissão e tratamento oportuno.
Processo de produção com período de realização
O fluxograma foi realizado no dia 25 de setembro de 2025, Marabá-PA, durante o período de estágio na área de Vigilância em Saúde Ambiental. O processo ocorreu a partir da observação do funcionamento das equipes diante da identificação e investigação de casos suspeitos de malária na rede municipal de saúde. Para a construção do instrumento, foram consultados protocolos e diretrizes do Ministério da Saúde relacionados à vigilância, diagnóstico e tratamento da malária no Sistema Único de Saúde (SUS), além das orientações referentes à notificação e investigação epidemiológica registradas no sistema SIVEP-Malária. O instrumento contribuiu para a compreensão prática do funcionamento da vigilância em saúde e dos fluxos assistenciais no SUS.
Resultados
A aplicação do instrumento contribuiu para fortalecer a integração entre os serviços assistenciais, principalmente da Atenção Primária à Saúde (APS) e as equipes de Vigilância em Saúde, favorecendo maior clareza nos fluxos institucionais e apoiando a tomada de decisão dos profissionais. Além disso, auxiliou na padronização das condutas, reduzindo falhas de comunicação entre setores e promovendo maior eficiência na resposta às situações de risco sanitário. Do ponto de vista da gestão em saúde, a elaboração do fluxograma evidenciou o potencial das experiências de campo e das práticas formativas para a produção de instrumentos aplicáveis ao cotidiano dos serviços do SUS, demonstrando a importância da sistematização dos processos de trabalho para qualificar as ações de vigilância em saúde.
Análise crítica e impactos sociais do produto relacionados aos temas do congresso
A construção do fluxograma contribuiu para a organização do processo de trabalho das equipes de gestão e vigilância em saúde, ao sistematizar as etapas de identificação, diagnóstico, notificação e investigação de casos suspeitos de malária na rede municipal.
Do ponto de vista da gestão, o instrumento fortalece as ações de vigilância epidemiológica ao apoiar a identificação oportuna de casos suspeitos e orientar o encaminhamento adequado dos pacientes dentro da rede de atenção à saúde do município.
O impacto social da ferramenta está relacionado ao fortalecimento do conhecimento dos profissionais de saúde quanto ao correto direcionamento de pacientes com suspeita de malária para unidades notificantes e de diagnóstico. Isso contribui para o diagnóstico precoce e início oportuno do tratamento, reduzindo riscos de agravamento da doença e possíveis formas de transmissão, além de fortalecer as ações de vigilância em saúde no município.
DISCUTINDO O REDUCIONISMO NO COMBATE DE ENDEMIAS
Apresentação oral
1 1Agente de Combate às Endemias Estado do RJ, Servidor público federal lotado em Itaboraí, RJ: 2Projeto Integrador Multicêntrico: Estudo do impacto à saúde de Agentes de Combate às Endemias/Guardas de Endemias (ACE) pela exposição a agrotóxicos no Estado d
2 2Projeto Integrador Multicêntrico: Estudo do impacto à saúde de Agentes de Combate às Endemias/Guardas de Endemias (ACE) pela exposição a agrotóxicos no Estado do Rio de Janeiro, Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, Escola Nacional
3 6Rede Interseccional Saúde Reprodutiva e Agrotóxicos; GT Saúde e Ambiente da Abrasco: 7 Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos na Saúde e no Ambiente.
4 8Grupo Interinstitucional e Interdisciplinar de Estudos em Epistemologia (GI2E2): 9Universidade Federal Fluminense, Instituto de Biologia (UFF/IB). Niterói, RJ.
5 8Grupo Interinstitucional e Interdisciplinar de Estudos em Epistemologia (GI2E2): 10Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Química, Departamento de Bioquímica, Programa de Pós-Graduação em Ensino de Química (UFRJ/IQ/PEQui). Rio de Janeiro, R
Apresentação/Introdução
No Brasil, o trabalho dos Agentes de Combate às Endemias (ACE) insere-se na divisão sociotécnica do trabalho em saúde sob determinações históricas específicas. A política de controle das arboviroses, estruturada predominantemente no uso sistemático de agrotóxicos, apresenta-se como resposta técnico-científica neutra e universal, legitimada pelo discurso das ciências naturais.
Tal política, ao priorizar intervenções químicas focalizadas no vetor biológico, desconsidera as determinações sociais que sustentam a reprodução das endemias nos territórios. A persistência dos altos índices de infestação das arboviroses, mesmo após décadas de aplicação intensiva de substâncias químicas, revela limites objetivos dessa racionalidade.
A centralidade do modelo químico-dependente não pode ser compreendida de forma isolada, mas articulada às relações de produção capitalistas, nas quais a ciência se desenvolve historicamente vinculada às necessidades de reprodução do capital. Nesse sentido, a política de controle vetorial não se reduz a uma escolha técnica, mas expressa uma forma específica de organização do saber e da intervenção estatal sobre o processo saúde-doença.
Objetivos
Caracterizar o processo de trabalho dos ACE, centrado no uso sistemático de agrotóxicos no controle das arboviroses, como uma forma de ideologia científica (IC).
Metodologia
Trata-se de um ensaio teórico, de caráter crítico-analítico, fundamentado na experiência concreta dos ACE, dos referenciais críticos da saúde coletiva e do materialismo histórico.
Resultados
Resultados e Discussão
A análise do processo de trabalho dos ACE evidencia que o modelo hegemônico de controle das arboviroses, centrado no uso sistemático de agrotóxicos, opera como uma forma de IC. Entende-se por IC a produção de um saber que se apresenta como técnico, neutro e universal, mas que, ao ocultar suas determinações histórico-sociais, contribui para a reprodução das relações sociais vigentes. Trata-se de uma forma específica de racionalidade que naturaliza determinadas práticas institucionais e organiza a intervenção estatal como se fosse mera aplicação objetiva da ciência, despolitizando suas bases materiais.
No interior dessa racionalidade, o reducionismo constitui um procedimento epistemológico que fragmenta a totalidade concreta dos fenômenos, isolando aspectos particulares e abstraindo suas múltiplas determinações. Ao deslocar o fenômeno de suas mediações sociais e históricas, o reducionismo converte problemas complexos em objetos técnicos circunscritos.
Discussão
O reducionismo biológico, por sua vez, restringe a compreensão das arboviroses à relação agente etiológico–vetor–organismo, desconsiderando fatores estruturais como saneamento básico insuficiente, organização desigual do espaço urbano, condições de moradia, precarização do trabalho e desigualdades socioeconômicas. Dessa forma, o enfrentamento das endemias é orientado prioritariamente pela eliminação química do vetor, consolidando a centralidade dos agrotóxicos como tecnologia de intervenção. Os impactos dessa orientação manifestam-se tanto no meio ambiente quanto na saúde dos trabalhadores.
Dados do Projeto Integrador Multicêntrico: Avaliação da Saúde dos Agentes de Combate às Endemias/Guarda de Endemias pela Exposição a Agrotóxicos, desenvolvido pelo CESTEH/ENSP/FIOCRUZ no Estado do Rio de Janeiro, em parceria com sindicatos da categoria, servidores do Ministério da Saúde, INCA e UFRJ, evidenciam elevada prevalência de sintomas compatíveis com intoxicação aguda e crônica entre os ACE investigados, incluindo alterações neurológicas, distúrbios do sono, problemas respiratórios, dermatológicos e alterações hormonais. O estudo também aponta indicadores de sofrimento psíquico e desgaste mental associados às condições de trabalho e à exposição ocupacional, e óbitos na média dos 55 anos.
Conclusões/Considerações
O químico-dependente não apenas falha em enfrentar as determinações estruturais das arboviroses, como também produz efeitos deletérios à saúde da força de trabalho responsável por sua execução e impactos socioambientais cumulativos nos territórios.
Desse modo, o processo de trabalho dos ACE revela-se atravessado por uma racionalidade que, sob a aparência de neutralidade científica, reproduz práticas que subordinam a proteção da vida às exigências de padronização técnica e operacionalização imediata do controle vetorial, configurando-se como expressão concreta de uma ideologia científica.
RACISMO AMBIENTAL, TERRITORIALIDADE E CUIDADO: ENFRENTAMENTO DA COVID-19 EM PRAIA GRANDE, ILHA DE MARÉ
Apresentação oral
1 EEUFBA; EBMSP
2 EEUFBA
Apresentação/Introdução
A pandemia de COVID-19, declarada em 2020 pela Organização Mundial da Saúde, evidenciou desigualdades históricas que estruturam a sociedade brasileira, atingindo de forma desproporcional populações negras e tradicionais. As comunidades quilombolas vivenciam iniquidades em saúde relacionadas ao racismo estrutural, à precariedade do saneamento básico, à insegurança alimentar e ao acesso limitado aos serviços de saúde. A cosmopercepção do Bem Viver contribui como referencial crítico ao defender a centralidade da vida, da coletividade e da harmonia com a natureza, oferecendo base para repensar o cuidado em saúde de forma integral e contra-hegemônica.
Objetivos
Analisar as estratégias de enfrentamento da COVID-19 na comunidade de Praia Grande - Ilha de Maré. Especificamente, buscou-se identificar iniquidades em saúde agravadas pela pandemia; compreender os itinerários terapêuticos, os saberes populares mobilizados; e refletir sobre implicações para políticas públicas orientadas pela equidade racial e justiça socioambiental.
Metodologia
Trata- se de um estudo de abordagem quantitativo-qualitativa, com métodos mistos, realizado entre 2021 e 2023 na comunidade quilombola de Praia Grande, Ilha de Maré, Salvador (BA). A pesquisa incluiu imersão territorial, observação participante e análise de dados epidemiológicos locais. Participaram moradores e moradoras, como lideranças comunitárias, marisqueiras, pescadores, mulheres responsáveis pelo cuidado familiar, jovens e idosos. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas, rodas de conversa e registros em diário de campo, contemplando ambientes domésticos, espaços comunitários e áreas de trabalho, como territórios de pesca e mariscagem. A análise integrou dimensões sociais, culturais, históricas, ambientais e sanitárias, com ênfase nos itinerários terapêuticos e nas estratégias coletivas de cuidado.
Resultados
Os achados revelaram barreiras estruturais ao enfrentamento da pandemia: acesso restrito a serviços de saúde, dificuldades de transporte para o continente, ausência de testagem sistemática, subnotificação de casos, precariedade do saneamento e agravamento da insegurança alimentar. O fechamento das escolas impactou crianças e adolescentes, com prejuízos educacionais, emocionais e nutricionais. As mulheres desempenharam papel central na organização do cuidado, na circulação de informações e na articulação de redes solidárias. Os itinerários terapêuticos evidenciaram uma abordagem plural, combinando atendimento biomédico com uso de plantas medicinais, chás, práticas espirituais e apoio comunitário. Os saberes populares mostraram-se fundamentais para o cuidado cotidiano, reforçando autonomia, identidade cultural e coesão social. Observou-se intensa mobilização comunitária, com compartilhamento de alimentos e fortalecimento dos laços coletivos, demonstrando elevada resiliência
Discussão
A pesquisa confirmou que as iniquidades em saúde decorrem de processos históricos de exclusão racial e ambiental. O racismo ambiental manifesta-se na negligência estatal, na ausência de infraestrutura adequada e na exposição desigual a riscos socioambientais. A pandemia intensificou vulnerabilidades já existentes, evidenciando a necessidade de respostas estruturais e territorializadas.O reconhecimento do território como espaço de produção de vida e cuidado é essencial para políticas públicas eficazes. Neste sentido, a teoria do Bem Viver oferece base ética e epistemológica para integrar saúde humana, equilíbrio ambiental e justiça social. O que favorece a articulação entre saberes populares e práticas biomédicas, que, quando pautada pelo diálogo intercultural e pelo respeito à autonomia quilombola, fortalece estratégias de enfrentamento e amplia a efetividade das ações em saúde.
Conclusões/Considerações
O planejamento de emergências sanitárias deve considerar a centralidade da territorialidade, a valorização dos conhecimentos tradicionais e a construção de políticas públicas antirracistas e socialmente comprometidas. A equidade em saúde precisa ser princípio estruturante das ações estatais, reconhecendo que não há cuidado integral sem território, dignidade e enfrentamento do racismo ambiental.
DETERMINANTES SOCIOAMBIENTAIS E DOENÇAS CRÔNICAS EM POPULAÇÕES RURAIS: ESTUDO MULTICÊNTRICOR EM SAÚDE COLETIVA
Apresentação oral
1 UFMT
Apresentação/Introdução
A rápida e profunda transformação demográfica e epidemiológica do Brasil resultou na urbanização da maioria da população (cerca de 84,4%), impactando intensamente as áreas rurais. A migração dos jovens para as cidades tem causado o envelhecimento da população rural e dificuldades na sustentabilidade da agricultura familiar. Anteriormente associadas a menor prevalência de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DANT) devido a estilos de vida ativos e dietas saudáveis, as áreas rurais assistem a uma perigosa inversão. O aumento do consumo de industrializados e a redução de frutas/hortaliças, somados à diminuição da atividade física, elevam alarmantemente as DANT nesse grupo. A vulnerabilidade é agravada pelo menor acesso a serviços de saúde e fatores sociais e econômicas desfavoráveis. A ausência e a falta de políticas que sejam claras e adaptadas às necessidades rurais aprofunda estas disparidades e problemas, Necessitando por investigações específicas para garantir a igualdade e equidade em saúde pública.
Objetivos
O objetivo geral deste projeto é analisar de forma abrangente o estado geral de saúde da população rural brasileira alocada em diferentes regiões do país. De forma específica, busca-se identificar as prevalências de diversas doenças e agravos à saúde, investigar os hábitos de vida e o uso efetivo de serviços de saúde. Além disso, o estudo objetiva identificar os fatores socioeconômicos e ambientais que afetam esses aspectos, compreendendo os comportamentos relacionados à saúde e avaliando a acessibilidade, qualidade e efetividade dos serviços de saúde atualmente disponíveis.
Metodologia
Trata-se de um estudo transversal e multicêntrico com amostragem probabilística por conglomerado. A pesquisa ocorrerá a partir de 2026, no território de Cuiabá/MT (Região Centro-Oeste), com uma amostra calculada de 426 participantes. O público-alvo compreende homens e mulheres adultos (20 a 59 anos) e idosos. O projeto utilizará tecnologias de processamento de dados para vigilância em saúde, focando em transformar grandes volumes de informações em indicadores práticos para o SUS. A identificação de padrões de risco será feita de forma automatizada, correlacionando determinantes sociais com a prevalência de doenças, o que auxilia e otimiza a criação de estratégias de prevenção e também controle
Resultados
O principal produto será o desenvolvimento de um algoritmo capaz de identificar, com precisão e representatividade nacional, os fatores de risco para DANT na população rural. O projeto utilizará tecnologias de processamento de dados para converter grandes volumes de informação em indicadores práticos para o SUS. Espera-se que a automatização na identificação de padrões de risco ajuda no tempo e auxilia na criação de estratégias de prevenção e controle de doenças.
Discussão
A integração tecnológica proposta busca modernizar e padronizar a vigilância em saúde e com isso reduzir as desigualdades no acesso a estes serviços. Ao oferecer diagnósticos e cuidados personalizados, o sistema assegura suporte equitativo ao trabalhador rural, independentemente de sua condição social ou econômica. Os resultados auxiliarão a fundamentar Planos Municipais de Saúde mais diretos, permitindo o monitoramento rigoroso de riscos críticos, como a intoxicação por agrotóxicos, adaptando o sistema de saúde aos reais territórios de vida e trabalho.
Conclusões/Considerações
A realização deste estudo em Cuiabá evidencia e mostra-se estratégica para compreensão de como as mudanças no estilo de vida e o envelhecimento populacional têm reconfigurado o perfil da sáude na vida rural. Concluindo que a integração entre a coleta de dados domiciliares e o processamento tecnológico pode preencher lacunas históricas na vigilância em saúde para trabalhadores do campo. Espera-se que a identificação precoce dos fatores de risco, como a exposição a agrotóxicos e a insegurança alimentar, forneça subsídios concretos para que o SUS em Mato Grosso desenvolva ações de prevenção mais territorializadas e de formas mais concretas e de igualade, sempre respeitando as especificidades do modo de vida rural de cada local.
CONSTRUÇÃO DE ALTERNATIVAS NO CERRADO: UM OLHAR A PARTIR DO MAPA DE CONFLITOS AMBIENTAIS (FIOCRUZ)
Apresentação oral
1 Fiocruz
2 UFF
Apresentação/Introdução
Há processos através dos quais povos e comunidades tradicionais constroem estratégias de articulação política e diálogos para enfrentar grupos que - frequentemente com aval ou conivência do Estado - mobilizam formas de violência para alcançar seus objetivos políticos e econômicos.
Objetivos
Buscamos valorizar processos emancipatórios de resistência construídos como iniciativas transformadoras que buscam justiça e garantia de direitos - à saúde, à água, à soberania alimentar, à cultura e tradições e a modos de vida que afirmam os territórios como espaços vivos de produção de alternativas aos modelos de desenvolvimento hegemônicos.
Metodologia
Este resumo resulta da revisão sistemática, pela equipe do Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, da Fiocruz, de 303 casos situados no Cerrado, pesquisados entre 2009 e 2025. Deles, selecionamos seis que consideramos emblemáticos dos principais processos de vulnerabilização em curso no bioma, ocasionados por um modelo de desenvolvimento que expõe as populações a riscos ambientais e à saúde e a situações de degradação das condições de vida nos territórios.
Resultados
Destacamos:
(1) Comunidades geraizeiras de Formosa do Rio Preto/BA: acionaram o Tribunal Permanente dos Povos (TPP) para denunciar as violações de direitos humanos e o ecocídio em curso em seu território. Realizaram encontros formativos de mulheres; cartografia social e produção audiovisual; ações judiciais coletivas e relatórios técnicos; “Romarias do Cerrado”, como instrumento de denúncia e pressão sobre o Estado.
(2) Comunidades de fundo e fecho de pasto de Correntina/BA: acusaram o Grupo Igarashi de provocar desertificação, cometer “grilagem das águas”, desmatar, destruir infraestruturas comunitárias e ameaçar a vida de moradores. Realizaram manifestações públicas com adesão de quase 1/3 dos cerca 35 mil habitantes do município.
(3) Povos Guajajara e Awá-Guajá da TI Araribóia/MA: criaram os “Guardiões da Floresta”, para monitorar e defender o território contra o ecogenoetnocídio. Realizam encontros formativos e de articulação política para promover a atenção à saúde e à educação indígenas e para angariar apoios diversos. Participaram da COP 23 (Alemanha, 2017).
(4) Comunidades quilombolas Kalunga: fortalecem práticas agrícolas sustentáveis e tradicionais, com limitação do uso de máquinas e rotatividade de culturas. A eleição de Vilmar Kalunga como prefeito de Cavalcante/GO, em 2020, ampliou a presença quilombola em espaços de decisão. Em 2021, conquistaram o título de Território ou Área Conservada por Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais e Locais (Ticca), concedido pelo Pnud/ONU.
(5) Acampamento Leonir Orback, do MST, em Santa Helena/GO: produzem alimentos agroecológicos, hortas, quintais agroflorestais com frutíferas e pequenas criações de animais. Valorizam a biodiversidade e regeneram o solo de forma sustentável. Garantem a segurança alimentar das famílias e fazem doações que contribuem para o enfrentamento da insegurança alimentar e da fome na região.
(6) Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão: desde 2000, povos, comunidades tradicionais e movimentos sociais denunciam o uso indiscriminado de agrotóxicos pelo agronegócio. Sua atuação se intensificou com a criação da Teia, que luta contra ameaças aos seus territórios e pela aprovação de uma Lei de Iniciativa Popular para proibir pulverização aérea no estado.
Discussão
Enfatizamos entre as principais estratégias de mobilização social:
(1) busca de parcerias com outros povos, comunidades e movimentos sociais;
(2) estabelecimento de alianças com instituições da sociedade civil, universidades, ONGs e redes;
(3) proposição de ações judiciais em organismos nacionais e internacionais;
(4) criação de organizações próprias, associações e coletivos de representação e defesa territorial;
(5) utilização da Cultura, através de meios diversos, para divulgação de denúncias e busca de solidariedade, apoios e parcerias.
Conclusões/Considerações
Esses processos são por nós entendidos também como causa e efeito do fortalecimento de articulações entre movimentos sociais e instituições públicas diversas. Salientando a importância de diálogos interdisciplinares, intersetoriais e interculturais,
ASSOCIAÇÃO ENTRE RAÇA E O ABANDONO DO TRATAMENTO DA TUBERCULOSE NOS MUNICÍPIOS DE MATO GROSSO
Apresentação oral
1 UFR
Apresentação/Introdução
A tuberculose permanece como importante problema de saúde pública, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais e raciais. Apesar da disponibilidade de diagnóstico e tratamento gratuitos no sistema público de saúde brasileiro, o abandono do tratamento contribui para a manutenção da transmissão, agravamento clínico e resistência medicamentosa. Determinantes sociais da saúde, incluindo raça/cor da pele, podem influenciar a adesão terapêutica e a permanência nos serviços de saúde.
Objetivos
Analisar a associação entre o percentual de população racializada (pardos, pretos e indígenas) e o abandono do tratamento da tuberculose nos municípios do estado de Mato Grosso, Brasil.
Metodologia
Estudo ecológico com os casos novos da tuberculose registrados notificados em residentes dos municípios do estado de Mato Grosso no período de 2007 a 2022. Os dados foram coletados do no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e o percentual de população racializada foi coletado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise dos fatores associados à distribuição espacial do abandono ao tratamento da tuberculose foi investigada por modelos de regressão generalizada e bayesiana espacial. Foram estimados coeficientes e intervalos de confiança de 95%, considerando nível de significância de 5%. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Rondonópolis, sob o parecer nº 6.679.133/2024.
Resultados
Foram incluídos no estudo 19.038 casos da tuberculose. Foi identificada associação positiva (β = 0,041; IC95% 0,013–0,068) entre o percentual da população racializada (pardos, pretos e indígenas) e o abandono do tratamento da tuberculose.
Discussão
Os resultados apontam para a influência dos determinantes raciais no tratamento da tuberculose, em que populações racializadas estão sujeitas à piores desfechos terapêuticos. Esse achado reforça a necessidade de enfrentamento da doença e evidencia a persistência de desigualdades raciais que atravessam o acesso, o acompanhamento e a continuidade do cuidado. Estudos nacionais têm apontado maior vulnerabilidade de populações historicamente marginalizadas em relação à ocorrência e ao manejo da tuberculose, o que pode contribuir para a manutenção de iniquidades em saúde.
Conclusões/Considerações
O abandono do tratamento da tuberculose nos municípios mato-grossenses está associado ao maior percentual de população de pardos, pretos e indígenas. Deve-se incorporar a perspectiva das desigualdades raciais nas estratégias de controle da doença. O fortalecimento de políticas públicas voltadas à equidade em saúde e a ampliação do acesso e da qualidade do acompanhamento terapêutico nos territórios podem contribuir para reduzir o abandono do tratamento da tuberculose.
Realização: