Programa - Roda de Saberes - RS14 - Educação Crítica, Formação e Comunicação Popular em Saúde
28 DE MAIO | QUINTA-FEIRA
13:45 - 16:15
13:45 - 16:15
A PRÁTICA DOCENTE EM VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL: REFLEXÕES A PARTIR DO ESTÁGIO EM DOCÊNCIA
Apresentação oral
1 UESB
Contextualização
A Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) constitui eixo estruturante da Saúde Pública, ao integrar ações de monitoramento, prevenção e controle de riscos relacionados aos determinantes socioambientais do processo saúde-doença. Frente a essa realidade, a formação de profissionais na saúde requer abordagem crítica e interdisciplinar sobre a relação entre meio ambiente, políticas públicas e organização dos serviços, especialmente diante dos desafios contemporâneos ligados ao saneamento básico, controle de vetores, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável. No processo formativo, o estágio em docência, no âmbito da pós-graduação stricto sensu configura-se como um espaço estratégico de capacitação pedagógica e de reflexão crítica sobre o ensino superior em saúde, ao favorecer a troca de saberes entre o pós-graduando, os docentes e discentes de graduação.
Descrição da Experiência
Trata-se de estudo descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido a partir da experiência de docência vivenciada por um discente da pós-graduação stricto sensu em saúde de uma universidade pública do interior da Bahia. A experiência ocorreu durante o segundo semestre letivo, através do componente curricular obrigatório da pós-graduação, Estágio em Docência I, realizado em turma de graduação em Enfermagem, na disciplina Epidemiologia II. Durante o período, foram desenvolvidas aulas com abordagens sobre: conceito de meio ambiente e saúde; diretrizes políticas ambientais e sanitárias; fundamentos da VSA; saneamento básico; desenvolvimento sustentável; educação ambiental; aspectos conceituais, legais e organização do sistema de vigilância ambiental. As atividades foram conduzidas por meio de exposições dialogadas, jogos interativos, problematização de situações reais e análise de normativas e políticas públicas, com o propósito de integrar teoria e prática, e articular os conteúdos à realidade territorial e atuação dos serviços de vigilância, com ênfase na intersetorialidade e nos determinantes socioambientais. Ressalta-se que todo o processo foi supervisionado por docente responsável pela disciplina no curso de graduação, com a finalidade de acompanhamento pedagógico, orientação metodológica e alinhamento aos objetivos formativos.
Objetivo e período de Realização
Relatar e analisar a experiência de docência vivenciada por um discente da pós-graduação stricto sensu em saúde de uma universidade pública do interior da Bahia, com ênfase na VSA, destacando as estratégias pedagógicas adotadas para a promoção de uma formação crítica e reflexiva. A experiência foi realizada no período de agosto a dezembro de 2025.
Resultados
Observou-se a participação ativa dos discentes nas discussões em sala de aula e maior capacidade de relacionar fatores ambientais aos agravos em saúde e às políticas públicas correspondentes. Além disso, foi evidenciada a ampliação da compreensão sobre a base legal, organizacional e operacional da VSA, bem como maior segurança conceitual na análise de situações-problema vinculadas ao território. As metodologias participativas favoreceram a construção coletiva do conhecimento e estimularam posicionamento crítico diante dos desafios estruturais dos serviços de vigilância e das limitações na efetivação das políticas públicas. O uso de jogos interativos contribuiu significativamente para o engajamento estudantil, ao tornar o processo de aprendizagem mais dinâmico, facilitando a assimilação e a fixação dos conteúdos trabalhados.
Aprendizado e Análise Crítica
O ensino da VSA demanda abordagem que ultrapasse a transmissão normativa, exigindo problematização dos determinantes socioambientais e das desigualdades que influenciam a produção de riscos à saúde. A contextualização dos conteúdos e a mediação dialógica contribuíram para fortalecer a reflexão acerca da situação de saúde das populações e sua relação com o meio ambiente, e a compreensão da intersetorialidade como princípio estruturante das ações de VSA. Como limitação do estágio, identificou-se a necessidade de diversificar estratégias avaliativas formativas, a fim de aprofundar a integração entre teoria e prática. Ainda assim, a experiência consolidou a compreensão da docência como prática pedagógica socialmente comprometida, sendo fundamental para a formação de profissionais capazes de atuar de forma ética, crítica e alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde e às realidades territoriais.
PEDAGOGIA DO TERRITORIO E INTERDISCIPLINARIDADE NA FORMAÇÃO DE TÉCNICOS PARA O ENFRENTAMENTO DA EMERGÊNCIA CLIMÁTICA
Apresentação oral
1 EPSJV/Fiocruz
2 ICICT/Fiocruz
Introdução
O colapso ambiental global que vivemos, exige que seja repensado o papel dos profissionais de saúde e do meio ambiente, especialmente dos técnicos, que hoje se encontram em uma posição estratégica para lidar com os desafios da sustentabilidade socioambiental e para o enfrentamento da crise climática e seus efeitos na saúde.
Objetivos
O objetivo é apresentar o estudo sobre prospecção de novas áreas de formação e atuação profissional de técnicos para o SUS que culminou com a produção de um livro. Além de uma iniciativa acadêmica, é um movimento estratégico para garantir a integralidade do cuidado e a sustentabilidade das redes de atenção em saúde.
Processo de produção com período de realização
O estudo sobre a formação técnica em meio ambiente com ênfase na emergência climática e os efeitos na saúde se estruturou no período de julho de 2024 a julho de 2025 com as seguintes etapas: aspectos históricos da profissionalização do Técnico em Meio Ambiente com Ênfase na Emergência Climática e os Efeitos na Saúde - necessidades, contradições e potencialidades; marcos estratégicos da formação e da atuação profissional - Colapso ambiental, tecnociência e interdisciplinaridade; e ações técnicas de enfrentamento pelo setor saúde.
Resultados
Resultou na elaboração de um capítulo de livro que apresentou um quadro orientativo com recomendações para formação no sentido da relação entre temas e situações de atuação profissional na perspectiva da interdisciplinaridade sobre os conceitos envolvidos na formação e em suas bases epistemológicas.
Análise crítica e impactos sociais do produto relacionados aos temas do congresso
A crise climática traz a necessidade de uma busca por examinar o que caracteriza a ação humana e nossa existência no planeta atualmente, para imaginar novos modos de vida e novas relações com o planeta. A natureza cada vez mais se transforma em território e esse período histórico agravado pela emergência climática, gera uma necessidade de mudanças na Educação, demandando uma pergunta que deve ser feita para orientar a abordagem e a aprendizagem sobre as formas de apropriação do mundo (natureza) de produção e uso dos espaços. Qual a finalidade educativa que orientará o trabalho pedagógico, pois ainda estamos atrelados a uma perspectiva voltada para a vida produtiva, desconectada da dimensão planetária e para atender aos imperativos do consumo, da competitividade e do individualismo? Uma abordagem interdisciplinar e intersetorial com base no contexto sócio-histórico dos territórios e suas especificidades de apropriação da natureza e de organização da vida, para dar resposta às demandas de enfrentamento que vem surgindo nos últimos anos. Diante de um modelo capitalista de desenvolvimento, que transforma tudo em mercadoria, a busca por uma outra pedagogia deve ter como horizonte uma reconstrução educacional tendo como base os saberes dos territórios e em particular dos povos originários para emergir uma criatividade capaz de inventar outros mundos, com outras aprendizagens, outra relação com a natureza, com a comunidade, com as memórias e com o próprio planeta.
O campo da Saúde Coletiva, tem um papel de destaque no enfrentamento de temas complexos, mas também na definição de uma agenda científica e na proposta de políticas públicas embasadas nos conhecimentos originários e do necessário esforço interdisciplinar. Para que possamos pensar em outras formas de agir para enfrentar a emergência climática devemos focar no estudo das desigualdades sociais e seus efeitos climáticos diferenciados nos territórios, mas sobretudo, sobre novas relações sociedades/natureza impondo-a como base para uma efetiva agenda política em todos os setores e especialmente na educação e formação de recursos humanos.
O CUIDADO EM SAÚDE COMO PROCESSO DE FORMAÇÃO
Apresentação oral
1 Movimento Sem Terra
Contextualização
Esse texto é fruto de uma produção coletiva do Setor Nacional de Saúde do MST. Elaborada, sistematizada e consolidada pela executiva do setor, o que é e o que representa o Espaço de Cuidados Maria Aragão ao longo dos anos de construção desse espaço, dentro e fora do MST.
Descrição da Experiência
A partir da compreensão dos objetivos que orientam as ações do Setor de Saúde do MST, o Coletivo Nacional deu início ao debate e construção de um espaço de cuidados e atendimentos médicos dentro das atividades e eventos que o movimento Sem Terra estava realizando. Este espaço foi chamado de Espaço Saúde Maria Aragão.
O Espaço Saúde Maria Aragão chamava-se antes Espaço Saúde apenas, sendo a escolha deste nome uma forma de demarcar qual espaço e qual saúde estamos nos propondo a construir. Assim, no ENERA – Encontro Nacional Educadores da Reforma Agrária, em 2015 batizamos o então Espaço Saúde de Maria Aragão. Este espaço foi pensado e criado pelos militantes, cuidadores e cuidadoras, médicos e médicas do Setor de Saúde para fazer atendimentos e cuidados aos militantes presentes nas atividades e encontros do Movimento Sem Terra.
Objetivo e período de Realização
Esta experiência apresentada tem como objetivo apresentar como tem se dado parte do processo formativo do setor de saúde do MST através das práticas de cuidado de sua militância. A experiência surge há um pouco mais de 15 anos, fruto da percepção do adoecimento dos corpos, físico e mental, causado na militância a partir da exploração do capital. E ao mesmo tempo a resposta que a própria militância foi dando para esse adoecimento. O cuidado como uma prática coletiva. O espaço de cuidados Maria Aragão surgiu com a necessidade da existência de um local fisico para que os militântes pudesser receber atendimentos em saude e cuidados para seu reestabelecimento. Este espaço, que contamos com cuidadoras e cuidadores, médicos, nasce dentro dos encontros e atividades nacionais do MST.
Resultados
O Espaço de Saúde Maria Aração cumpre um papel formativo, de trocas de experiências, onde se pratica e experiencia novos conhecimentos. Trazendo uma riqueza da diversidade das trocas de experiências, cultura, conhecimentos saberes e tradições. Assim, se constrói um espaço de libertação, de conhecimento pessoal, de sentir, do toque e de ser tocado, um espaço de construção de relações de amizade, de respeito, onde um se vê e reconhece no outro e se cuida e cuida do outro.
Aprendizado e Análise Crítica
Dentro do Espaço Saúde Maria Aragão é realizada as práticas populares de cuidado em saúde como reiki, massagem, fitoterapia, chás, argiloterapia, ventosaterapia, acupuntura, a escuta amorosa - demanda reprimida que vem das áreas, imposta pelo sistema capitalista. Há a compreensão aqui de que este modelo de atendimento em saúde representa uma disputa com o modelo “ambulatorial” médico-hospitalar. Pois busca diálogos e trocas entre sujeitos, saberes e práticas na produção de uma ação de educação popular em saúde.
FERRAMENTAS EDUCATIVAS PARA ADAPTAÇÃO EM SAÚDE E VIGILÂNCIA POPULAR FRENTE A EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS
Apresentação oral
1 UNICAMP
Introdução
A intensificação das mudanças climáticas tem ampliado a frequência, duração e intensidade de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e inundações, produzindo impactos diretos e indiretos sobre a saúde das populações. Esses efeitos são socialmente determinados e tendem a afetar de forma mais intensa grupos em situação de vulnerabilidade, especialmente em territórios marcados por precariedade habitacional, desigualdade socioambiental e acesso limitado a serviços de saúde. No contexto brasileiro, tais condições ampliam a exposição a riscos climáticos e favorecem a ocorrência de agravos sensíveis ao clima. Nesse cenário, estratégias de educação em saúde, comunicação de risco e desenvolvimento de tecnologias sociais acessíveis podem contribuir para fortalecer processos de adaptação em saúde e estimular práticas de vigilância popular, ampliando a capacidade das comunidades de reconhecer, prevenir e responder aos efeitos das mudanças climáticas.
Objetivos
Desenvolver ferramentas educativas digitais voltadas à orientação da população, especialmente grupos em situação de vulnerabilidade, sobre medidas de proteção e mitigação dos impactos de eventos climáticos extremos na saúde.
Processo de produção com período de realização
Trata-se de uma produção técnica desenvolvida a partir da análise de eventos climáticos extremos com maior ocorrência e impacto no município de Campinas (SP). Foram priorizados dois eventos relevantes para o território como ondas de calor e enchentes considerando sua relação com agravos à saúde e vulnerabilidades socioambientais locais. O conteúdo educativo foi elaborado com base em documentos técnicos do Ministério da Saúde voltados à prevenção de riscos relacionados ao clima. A partir dessas referências, foram produzidos dois vídeos educativos utilizando plataforma digital gratuita (Canva), com linguagem acessível e enfoque em medidas de prevenção, proteção e cuidado em saúde. A disseminação dos materiais ocorreu por meio do perfil do projeto de extensão VigiON: Ações de Vigilância em Saúde articuladas com a Atenção Primária à Saúde, na rede social Instagram, além do compartilhamento em grupos de moradores, grupos de comunicação entre Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e a comunidade, bem como em redes de equipamentos sociais do território, ampliando a circulação das informações.
Resultados
Os vídeos educativos alcançaram aproximadamente dois mil usuários nas plataformas digitais e nos canais comunitários de comunicação. A circulação territorial dos materiais contribuiu para ampliar o acesso à informação sobre riscos associados a eventos climáticos extremos e medidas de prevenção em saúde, favorecendo processos de sensibilização e reconhecimento comunitário desses riscos. Além disso, os materiais passaram a ser utilizados como apoio em ações educativas desenvolvidas por profissionais da Atenção Primária à Saúde e agentes comunitários, fortalecendo práticas de educação popular, comunicação de risco e vigilância popular em saúde no território.
Análise crítica e impactos sociais do produto relacionados aos temas do congresso
A produção e disseminação de ferramentas educativas baseadas em tecnologias digitais de baixo custo, articuladas às redes comunitárias e à Atenção Primária à Saúde, configuram estratégia relevante para ampliar o acesso à informação qualificada sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde. Ao traduzirem evidências científicas em linguagem acessível e circularem em redes territoriais de cuidado, esses materiais contribuem para fortalecer processos de adaptação em saúde, estimular a participação social e apoiar práticas de vigilância popular frente aos desafios socioambientais contemporâneos.
ENCONTRO DE TRAJETÓRIAS: EDUCAÇÃO, TERRITÓRIO E ALEGRIA DO CONHECIMENTO
Apresentação oral
1 Movimento dos Pescadores e Pecadoras Artesanais - MPP
2 Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais - MPP
Contextualização
Apresentamos uma reflexão sobre o encontro de duas professoras cujas trajetórias pessoais e profissionais estão profundamente entrelaçadas com o território, o trabalho e a vida em comunidades tradicionais vinculadas à pesca e à agricultura familiar. O cenário desse encontro é a Escola Sylvia Centeno Xavier, localizada na Ilha dos Marinheiros no município de Rio Grande, onde atuam na (EJA)..
Descrição da Experiência
Esse encontro é ser compreendido como um encontro entre trajetórias, territórios e memórias. Ambas carregam em suas histórias marcas profundas da vida comunitária, do trabalho coletivo e da relação cotidiana com as águas, a terra e as redes de sociabilidade construídas em torno da pesca e da agricultura familiar.
A primeira professora percorreu um caminho longo e, por vezes, sinuoso até chegar à docência. Sua trajetória foi marcada pela experiência direta com a pesca artesanal, atividade que estruturou parte de sua vida e ainda está presente. A escola, precisou ser interrompida, como ocorre com mulheres em contextos semelhantes. O retorno aos estudos ocorreu na EJA, possibilitando a retomada pela busca do conhecimento..
A segunda, embora não tenha exercido diretamente a pesca ou a agricultura, teve sua formação profundamente atravessada por essas experiências. Filha e neta de trabalhadores da pesca e da agricultura, cresceu acompanhando o cotidiano dessas práticas e aprendendo com os saberes transmitidos entre gerações. Em sua memória permanecem as histórias de mulheres fortes que sustentaram famílias inteiras, lideraram processos de trabalho e organizaram a vida comunitária. Muitas dessas mulheres, não tiveram a oportunidade de frequentar a escola, o trabalho e as responsabilidades familiares se impunha como prioridade.
Objetivo e período de Realização
Embora distintas, encontram um ponto de convergência na educação e, mais especificamente, na escolha pela Geografia como campo de atuação, não se limitando ao estudo abstrato do espaço. Ela se torna uma forma de compreender o território vivido, de reconhecer os saberes da comunidade e de valorizar as relações entre natureza, trabalho e cultura.
Esse encontro, não apenas ocorre no espaço institucional, mas no reconhecimento de experiências e de compromissos comuns. Ambas compreendem que o conhecimento pode assumir um papel transformador na vida das pessoas, especialmente quando se trata de mulheres que, durante grande parte de suas vidas, tiveram o acesso à educação limitado pelas condições sociais e econômicas.
Resultados
Hoje, essas duas professoras compartilham à docência na EJA composta por mulheres pescadoras e agricultoras familiares. Na aula, as histórias se cruzam, experiências de trabalho, memórias da pesca, as práticas da agricultura e os saberes transmitidos entre gerações tornam-se parte do processo de aprendizagem.
Nesse espaço, a Geografia ganha novos significados. O território estudado é o território vivido: a lagoa, os campos cultivados, os caminhos da comunidade, as casas, os clubes de futebol construídos ao longo das gerações. O conhecimento acadêmico encontra os saberes da experiência, e desse encontro nasce uma forma de aprendizagem profundamente enraizada na realidade das estudantes.
Aprendizado e Análise Crítica
O trabalho dessas professoras revela, assim, a potência da educação quando ela se constrói em diálogo com o território e com as trajetórias de vida dos sujeitos. Ao reconhecer a força das mulheres da comunidade e valorizar seus saberes, a escola se transforma em um espaço de pertencimento e de esperança.
As estudantes conciliam o cuidado com a família, o trabalho na pesca, o cultivo e o compromisso com a escola. Estar em sala de aula não é apenas aprender conteúdos, mas um ato de coragem, superação e afirmação de seus direitos.
Nesse encontro, a sala de aula se torna um lugar de memória, de partilha e de construção coletiva de futuros possíveis. A alegria do conhecimento, não é apenas uma ideia pedagógica, mas uma experiência concreta que atravessa vidas, histórias e territórios.
A VIGILÂNCIA EM SAÚDE ENTRA NA RODA DA EDUCAÇÃO POPULAR
Apresentação oral
1 Prefeitura Municipal do Rio Grande, Movimento Saúde dos Povos e ANEPS
2 Prefeitura Municipal de Rio Grande
Contextualização
Contextualização: Em março de 2025, foi instituído o Colegiado de Vigilância em Saúde, integrando as quatro vertentes da área: Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, Ambiental, Epidemiológica e Sanitária. O Colegiado reúne-se semanalmente para problematizar os processos de trabalho e promover a formação permanente dos trabalhadores, fundamentada na Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS). Essa integração visa repensar as práticas de vigilância, estruturando estratégias implicadas com os territórios e com os determinantes sociais da saúde.
Descrição da Experiência
Descrição da experiência: O Colegiado de Vigilância em Saúde constitui-se com um espaço coletivo e democrático que problematiza o processo de trabalho da Vigilância. Nele são discutidas reorganizações do serviço, análises dos dados epidemiológicos do município com estruturação de ações para cumprimento de indicadores, qualificação das ações intersetoriais, planejamento de ações internas e externas. A partir do Colegiado foram sendo estruturados modos de (re)pensar para atuar em Vigilância muito mais participativos e colaborativos. Estão sendo implementadas como processo formativo, junto ao Colegiado e expansivo a todas as pessoas trabalhadoras da Vigilância, rodas de diálogos sobre violência de gênero, antiracismo, expressões e termos que reforçam preconceitos, discriminação e violência contra pessoas LGBTQIA+. Desde a estruturação do Colegiado foram criados dois Núcleos de trabalho dentro da Vigilância em Saúde, como o Núcleo de Educação em Saúde, Informação e Comunicação – Grupo que realiza atividades educativas em escolas, feiras livres, grupos comunitários e grupos ligados às unidades de saúde. Esse Núcleo também produz boletins epidemiológicos semanais com apresentações em uma linguagem mais popular, o Núcleo Multiprofissional – Grupo que realiza atividades assistenciais e de vigilância nos programas que são de competência da Vigilância, como Tuberculose e ISTs. Nesse sentido, a partir desse novo modo de atuar da Vigilância em Saúde houve a organização de atividades como: seminários permanentes de articulação territorial com agentes de endemias e agentes comunitários de saúde; formação permanente sobre educação popular da equipe de prevenção às arboviroses para atuação em escolas e comunidades; seminário de formação para ILPIs; realização de oficinas com populações estratégicas como pescadores, agricultores, ribeirinhos, catadores, indígenas e quilombolas.
Objetivo e período de Realização
Objetivo: Relatar a experiência de articulação dos princípios teóricos, políticos, metodológicos e estéticos da Educação Popular com a Vigilância em Saúde do município do Rio Grande, Rio Grande do Sul. Período de realização: Março de 2025 até a presente data.
Resultados
Resultados: A articulação da Educação Popular às práticas de Vigilância em Saúde tem provocado um impulsionar de “vigiar para prevenir”, “vigiar para promover” e “vigiar para cuidar da saúde”, portanto sendo implicada com processos de trabalho que tensionam estratégias territorializadas e métodos participativos que possam construir informação para a ação. A partir das problematizações coletivas do Colegiado de Vigilância há contribuições para a construção de um escopo de atuação alinhado à realidade e às necessidades dos diferentes territórios. Dessa maneira, a incorporação da Educação Popular como inspiração de um modo de conduzir e se deixar conduzir desde as diferentes possibilidades de atuação em cada realidade. Ademais, a Educação Popular dentro da Vigilância em Saúde instiga a problematização que impulsiona a compreensão sobre as determinações sociais em conjunto com as populações.
Aprendizado e Análise Crítica
Aprendizado e Análise Crítica: As problematizações coletivas no Colegiado têm contribuído para um escopo de atuação alinhado às necessidades reais de cada território. A Educação Popular, mais do que uma metodologia, tornou-se uma inspiração ética que permite à Vigilância romper com modelos excludentes e assumir um caráter dialógico.
EXPERIENCIA DE INTEGRACION DISCIPLINAR DE UN CENTRO DE INVESTIGACION EN SALUD, COLOMBIA SUROCCIDENTE
Apresentação oral
1 Universidad de Nariño UDENAR
Contextualização
El Estatuto General de la Universidad de Nariño (UDENAR) establece que la investigación en las facultades debe organizarse a través de Centros de Investigación e Interacción Social (CIIS), con el propósito de impulsar el desarrollo regional. El CIIS de la Facultad Ciencias de la Salud fue el último en crearse, justo cuando la comunidad académica adelantaba la reforma del estatuto de investigación.
Descrição da Experiência
A partir del diálogo entre investigadores con trayectoria de trabajo colaborativo, se propuso conformar un centro con enfoque sistémico, adaptativo y co-creativo, reconociendo que la salud humana no se limita a la ausencia de enfermedad, sino que emerge de complejas interacciones entre factores biológicos, sociales, ambientales, económicos y políticos. Así nació el Centro de Estudios para la Salud y el Desarrollo Sostenible (CESADE), concebido como un espacio interdisciplinario. El proceso de creación se desarrolló en tres fases: elaboración de un borrador inicial con base en revisión documental y discusiones previas; realización de talleres con docentes y estudiantes para recoger aportes, evaluados mediante cribado y un panel transdisciplinario que los integró en un mapa de síntesis; y consolidación del documento final, socializado con la comunidad universitaria antes de su aprobación formal.
Objetivo e período de Realização
Crear y poner en marcha el CIIS en un plazo de seis meses.
Resultados
Se logró articular grupos, líneas y semilleros de investigación de disciplinas como Química, Matemáticas, Estadística, Arquitectura e Ingenierías (Agronómica, Electrónica y Civil), junto con los existentes en la Facultad de Ciencias de la Salud. Esta integración se organizó en torno a seis ejes estratégicos: One Health, seguridad alimentaria y nutricional, envejecimiento saludable, gestión sostenible de recursos naturales e investigación traslacional y tecnologías en salud.
La experiencia constituye un ejercicio significativo de gestión del conocimiento. El principal aprendizaje es haber demostrado la viabilidad de construir, en solo seis meses, una estructura inter y transdisciplinaria que no solo vincula a profesores y estudiantes de diversas áreas, sino que también convoca al sector productivo, tomadores de decisión y profesionales de la salud interesados en participar como cooperantes o beneficiarios. Esto ha permitido configurar un ecosistema de investigación e innovación en salud, donde el CESADE se alinea con desafíos contemporáneos.
Aprendizado e Análise Crítica
No obstante, el análisis crítico evidencia desafíos relevantes. La amplitud de los ejes estratégicos —seis en total— podría generar dispersión si no se prioriza una agenda clara. Aunque la financiación institucional garantiza el inicio, es necesario diversificar fuentes y consolidar alianzas externas para asegurar sostenibilidad e impacto regional. Además, la experiencia no detalla cómo se superaron las barreras epistemológicas propias del trabajo transdisciplinario, ni presenta indicadores concretos de interacción social con comunidades. El éxito del CIIS dependerá de su capacidad para traducir su estructura innovadora en soluciones tangibles para el territorio, manteniendo el equilibrio entre la integración disciplinar y la profundidad investigativa.
DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DE EDUCADORES/AS POPULARES EM SAÚDE LGBTI+ DO CAMPO E PREVENÇÃO ÀS IST/HIV/AIDS
Apresentação oral
1 MST
2 EPSJV/ Fiocruz
3 Seeduc - RJ
Contextualização
O curso surge de uma parceria entre a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) e o Coletivo Nacional LGBTI+ Sem Terra/MST, para formar pessoas LGBTI+ do campo em Educação Popular em Saúde, com foco no direito à saúde, na promoção da saúde e no combate à LGBTI+fobia em acampamentos e assentamentos de reforma agrária. As condições de saúde da população LGBTI+ do campo, que vivem em acampamentos/assentamentos de reforma agrária e abrangem diferentes realidades e territorialidades, são invisibilizadas. Diante desse cenário, compreende-se a Saúde como parte de um projeto social de transformação estruturante, que se interrelaciona ao desenvolvimento de um projeto social vinculado à Agroecologia e à organização da classe trabalhadora, impulsionando mudanças estruturais tanto na defesa da vida, do ambiente, dos bens comuns, incorporando a ética do cuidado a valorizando os conhecimentos e a cultura produzidos por povos do campo, indígenas e negros. Portanto, reconhece-se que a Saúde depende da qualidade dos territórios, das terras, da água, da alimentação e das relações sociais que neles se constroem.
Descrição da Experiência
O curso contou com os seguintes componentes curriculares: conjuntura atual e impactos na saúde brasileira; capitalismo, patriarcado e racismo; SUS e direito à saúde; promoção e prevenção; saúde LGBTI+ com foco em ISTs e HIV/Aids; saúde mental e autocuidado; educação popular em saúde; agroecologia, território e novas relações humanas. Nos Tempos Comunidades, participantes mapearam materiais educativos existentes para saúde LGBTI+, diagnosticaram demandas locais e planejaram ações como rodas de conversa, mutirões de prevenção e oficinas de autocuidado, integrando agroecologia (ex.: hortas medicinais em assentamentos).
Objetivo e período de Realização
Realizado em 2023-2024, o curso totalizou 100 horas a partir da Pedagogia da Alternância e 3 Tempos Comunidades (30h cada, nos territórios) e 1 Tempo Escola (70h, na EPSJV). Essa metodologia potencializa teoria/práxis, articulando saberes locais à formação sem interromper o labor na terra. Objetivo central: capacitar pessoas LGBTI+ para ações educativas em saúde, criando banco de materiais e intervenções territoriais.
Resultados
O curso gerou reflexões coletivas sobre desafios à saúde LGBTI+ do campo: 1) Defender o SUS público contra privatização; 2) Refletir correlação saúde-desenvolvimento; 3) Lutar por políticas públicas de promoção e prevenção para o campo, adaptadas à diversidade e fora da heteronormatividade urbana; 4) Centralizar agroecologia e saberes de povos do campo, indígenas e negros; 5) Humanizar relações na saúde, com formação específica para trabalhadores que atendem sujeitos do campo e LGBTI+; 6) Disputar concepções de saúde via participação em conselhos e trabalho de base comunitário.
Aprendizado e Análise Crítica
A EPSJV e movimentos como o MST contribuem para modelos didático-pedagógicos e tecnologias educacionais críticas, refletindo realidades (inter)nacionais. O curso fortaleceu a formação de trabalhadores do campo, integrando identidade comunitária e práxis agroecológica. A luta pela saúde, ancorada na agroecologia, é pela valorização da vida, fomentando solidariedade e cuidado com humanos e ambiente. Contribui para conscientizar sobre direitos e políticas públicas, especialmente no campo (MST, 2007), disputando narrativas hegemônicas e promovendo transformações estruturais no trabalho, ambiente e justiça social.
Realização: