Programa - Roda de Saberes - RS14 - Educação Crítica, Formação e Comunicação Popular em Saúde
28 DE MAIO | QUINTA-FEIRA
13:45 - 16:15
13:45 - 16:15
INTERCULTURALIDADE NA FORMAÇÃO DE RESIDENTES EM ENFERMAGEM DE FAMÍLIA E COMUNIDADE NO ALTO XINGU
Apresentação oral
1 Programa de Enfermagem de Família e Comunidade - PREFC/SMS RJ
2 Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade
Contextualização
A enfermagem em territórios indígenas requer formação sensível às dimensões culturais e socioambientais que influenciam o processo saúde-doença. No SUS, a atenção à saúde indígena baseia-se na integralidade e equidade, mas enfrenta desafios de acesso e logística, especialmente no Alto Xingu. Na residência em saúde da família e comunidade, a interculturalidade torna-se postura ética essencial, exigindo práticas adaptadas às realidades territoriais e aos saberes tradicionais.
Descrição da Experiência
O relato de experiência ocorreu durante a atuação ocorreu no Posto Leonardo Villas Boas, com atividades desenvolvidas nas aldeias, Kamayurá, Kalapalo, Yawalapiti, Waurá, por exemplo, em articulação com o Distrito Sanitário Especial Indígena Xingu - DSEI XINGU e as equipes locais de atenção primária. O projeto possibilitou atuação em ações de assistência, vigilância e cuidado longitudinal, como o pré-natal, puericultura, saúde do adulto e do idoso, acompanhamento de condições crônicas, acolhimento à família e ao recém-nascido, atendimentos em pediatria, entrega e administração de medicações e assistência ao parto. Também foram realizadas imunizações em adultos e crianças, coleta de exame citopatológico, auriculoterapia e atendimentos em contexto de reclusão indígena. No campo educativo, desenvolveram-se atividades de educação sexual e reprodutiva com mulheres da aldeia Kamayurá, ações de educação em saúde mental no ambiente escolar e roda de conversa sobre vacinação na aldeia Yawalapiti. A experiência incluiu observação respeitosa de práticas tradicionais, como a pajelança, ampliando a compreensão sobre diferentes concepções de cuidado e processo saúde-doença.
A vivência evidenciou a necessidade de constante articulação entre protocolos clínicos, organização sociocultural das aldeias e práticas tradicionais, exigindo escuta qualificada, negociação terapêutica e construção de vínculo para garantir adesão e continuidade do cuidado.
Objetivo e período de Realização
Analisar criticamente como a experiência em território indígena contribuiu para a formação de enfermeiras residentes em saúde da família e comunidade, evidenciando aprendizados, desafios estruturais e implicações para a prática profissional no SUS.
Vivencia durante participação no projeto optativo “Serviços de Atenção à Saúde aos Povos Indígenas”, do Hospital Sírio-Libanês, realizado no período de 01 a 30 de setembro de 2025, no contexto da residência em saúde da família e comunidade.
Resultados
Identificou-se o fortalecimento de competências relacionadas à escuta qualificada, à construção de vínculo e à adaptação das práticas de cuidado às especificidades socioculturais das aldeias. A atuação nas linhas de cuidado exigiu sensibilidade para integrar protocolos clínicos às concepções indígenas de saúde, respeitando lideranças, organização comunitária e práticas tradicionais. As ações educativas evidenciaram a importância do diálogo coletivo e da mediação cultural para ampliar adesão e compreensão das intervenções propostas. A participação em rodas de conversa e o contato com a pajelança ampliaram a percepção sobre diferentes racionalidades de cuidado, favorecendo postura menos impositiva e mais negociada. Observou-se ainda maior compreensão sobre os determinantes socioambientais da saúde, especialmente no que se refere às distâncias entre aldeias, limitações logísticas, acesso a insumos e impacto das condições territoriais na continuidade do cuidado. A experiência reforçou o papel estratégico da enfermagem como elo entre serviços, comunidade e políticas públicas, atuando tanto na dimensão clínica quanto na organização do cuidado e na promoção da equidade.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência mostrou que a formação em saúde ainda prepara pouco para atuar em contextos interculturais, como os territórios indígenas, onde o cuidado vai além dos protocolos clínicos. No Alto Xingu, ficou evidente que a prática exige construção de vínculo, respeito aos saberes tradicionais e adaptação das condutas à realidade local. Desafios como distâncias, dificuldades de acesso e limitações estruturais impactam a continuidade do cuidado e evidenciam obstáculos para garantir a equidade no SUS. A vivência reforça a importância de incluir a interculturalidade como parte central da residência em saúde da família e comunidade, contribuindo para uma atuação mais sensível e territorializada.
EDUCAÇÃO PERMANENTE E HORIZONTALIZAÇÃO DO SABER EM TERRITÓRIO ENSINO–SERVIÇO: EXPERIÊNCIA INOVADORA DO COMITÊ DE SUSTENTABILIDADE
Apresentação oral
1 UNIFASE
Contextualização
: A integração entre saúde, ambiente e trabalho demanda estratégias institucionais que articulem gestão, assistência, docência e serviços de apoio em uma perspectiva territorial ampliada. No âmbito do Centro Universitário UNIFASE/FMP, as unidades de Estratégia de Saúde da Família compõem a estrutura institucional, configurando um território ensino–serviço onde trabalhadores atuam em diferentes cenários, comunidades e espaços universitários, sob o mesmo vínculo institucional. O Comitê de Sustentabilidade foi instituído com o objetivo de implementar o Plano de Logística Sustentável (PLS), estruturado nos eixos Resíduos Sólidos, Meio Ambiente e Social, promovendo uso racional de recursos, preservação ambiental e melhoria da qualidade de vida
Descrição da Experiência
Desde janeiro de 2024, o Comitê desenvolve ações estruturantes de segregação e destinação correta de resíduos, compostagem e parcerias socioambientais. Entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, foram destinados 10.196,45 kg de resíduos à reciclagem, conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos; 277 litros de óleo ao Projeto Incluir Petrópolis; 245,34 kg de tampinhas à ONG Dog’s Heaven; e aproximadamente 11.200 kg de resíduos verdes foram processados por compostagem, eliminando a necessidade de retirada externa desses materiais. Com base nesse acúmulo de ações mensuráveis, o Comitê realizou, durante o evento sobre saúde ambiental do Centro Universitário em 2026, uma oficina de educação permanente com duração de quatro horas, na sede institucional. A atividade utilizou metodologia ativa , utilizando da técnica de gamificação, roda de ocnversa dialógica e trabalhos em grupo para abordar a segregação de resíduos e seus impactos na saúde ambiental e no processo de trabalho. Participaram trabalhadores dos setores de gestão, assistência (incluindo profissionais da Estratégia de Saúde da Família que atuam nas comunidades), docência e serviços gerais , todos funcionários da instituição, porém inseridos em cenários distintos.
Objetivo e período de Realização
Relatar a experiência de uma ação inovadora de educação permanente promovida pelo Comitê de Sustentabilidade, com enfoque na integração intersetorial e horizontalização do saber entre trabalhadores de diferentes cenários institucionais. O período analisado compreende janeiro de 2024 a janeiro de 2026, com destaque para a oficina realizada em 2026.
Resultados
As ações estruturais consolidaram fluxos institucionais de descarte adequado e fortaleceram a cultura organizacional sustentável. A oficina representou a primeira ação do Comitê com proposta integradora e horizontalizada, promovendo diálogo entre diferentes categorias profissionais. Observou-se valorização explícita dos trabalhadores de serviços gerais, maior reconhecimento da interdependência entre setores e ampliação da compreensão sobre saúde ambiental como dimensão do trabalho cotidiano. A troca de experiências entre assistência comunitária e ambiente universitário enriqueceu o debate e estimulou propostas de melhoria aplicáveis aos diferentes cenários.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou que a sustentabilidade institucional se fortalece quando acompanhada de processos formativos participativos. A oficina constituiu dispositivo potente de educação permanente ao unificar e horizontalizar saberes, superando hierarquias tradicionais entre gestão, docência, assistência e serviços de apoio. Ao integrar trabalhadores que atuam tanto nas comunidades quanto no espaço universitário, reafirmou-se o território institucional como espaço ampliado de produção de saúde ambiental e de saúde do trabalhador. Como desafio, destaca-se a necessidade de institucionalizar ações formativas contínuas que mantenham o engajamento coletivo. A iniciativa demonstra potencial inovador ao articular resultados concretos de gestão ambiental com formação crítica e integração intersetorial no campo da saúde coletiva.
A PRÁTICA DOCENTE EM VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL: REFLEXÕES A PARTIR DO ESTÁGIO EM DOCÊNCIA
Apresentação oral
1 UESB
Contextualização
A Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) constitui eixo estruturante da Saúde Pública, ao integrar ações de monitoramento, prevenção e controle de riscos relacionados aos determinantes socioambientais do processo saúde-doença. Frente a essa realidade, a formação de profissionais na saúde requer abordagem crítica e interdisciplinar sobre a relação entre meio ambiente, políticas públicas e organização dos serviços, especialmente diante dos desafios contemporâneos ligados ao saneamento básico, controle de vetores, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável. No processo formativo, o estágio em docência, no âmbito da pós-graduação stricto sensu configura-se como um espaço estratégico de capacitação pedagógica e de reflexão crítica sobre o ensino superior em saúde, ao favorecer a troca de saberes entre o pós-graduando, os docentes e discentes de graduação.
Descrição da Experiência
Trata-se de estudo descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido a partir da experiência de docência vivenciada por um discente da pós-graduação stricto sensu em saúde de uma universidade pública do interior da Bahia. A experiência ocorreu durante o segundo semestre letivo, através do componente curricular obrigatório da pós-graduação, Estágio em Docência I, realizado em turma de graduação em Enfermagem, na disciplina Epidemiologia II. Durante o período, foram desenvolvidas aulas com abordagens sobre: conceito de meio ambiente e saúde; diretrizes políticas ambientais e sanitárias; fundamentos da VSA; saneamento básico; desenvolvimento sustentável; educação ambiental; aspectos conceituais, legais e organização do sistema de vigilância ambiental. As atividades foram conduzidas por meio de exposições dialogadas, jogos interativos, problematização de situações reais e análise de normativas e políticas públicas, com o propósito de integrar teoria e prática, e articular os conteúdos à realidade territorial e atuação dos serviços de vigilância, com ênfase na intersetorialidade e nos determinantes socioambientais. Ressalta-se que todo o processo foi supervisionado por docente responsável pela disciplina no curso de graduação, com a finalidade de acompanhamento pedagógico, orientação metodológica e alinhamento aos objetivos formativos.
Objetivo e período de Realização
Relatar e analisar a experiência de docência vivenciada por um discente da pós-graduação stricto sensu em saúde de uma universidade pública do interior da Bahia, com ênfase na VSA, destacando as estratégias pedagógicas adotadas para a promoção de uma formação crítica e reflexiva. A experiência foi realizada no período de agosto a dezembro de 2025.
Resultados
Observou-se a participação ativa dos discentes nas discussões em sala de aula e maior capacidade de relacionar fatores ambientais aos agravos em saúde e às políticas públicas correspondentes. Além disso, foi evidenciada a ampliação da compreensão sobre a base legal, organizacional e operacional da VSA, bem como maior segurança conceitual na análise de situações-problema vinculadas ao território. As metodologias participativas favoreceram a construção coletiva do conhecimento e estimularam posicionamento crítico diante dos desafios estruturais dos serviços de vigilância e das limitações na efetivação das políticas públicas. O uso de jogos interativos contribuiu significativamente para o engajamento estudantil, ao tornar o processo de aprendizagem mais dinâmico, facilitando a assimilação e a fixação dos conteúdos trabalhados.
Aprendizado e Análise Crítica
O ensino da VSA demanda abordagem que ultrapasse a transmissão normativa, exigindo problematização dos determinantes socioambientais e das desigualdades que influenciam a produção de riscos à saúde. A contextualização dos conteúdos e a mediação dialógica contribuíram para fortalecer a reflexão acerca da situação de saúde das populações e sua relação com o meio ambiente, e a compreensão da intersetorialidade como princípio estruturante das ações de VSA. Como limitação do estágio, identificou-se a necessidade de diversificar estratégias avaliativas formativas, a fim de aprofundar a integração entre teoria e prática. Ainda assim, a experiência consolidou a compreensão da docência como prática pedagógica socialmente comprometida, sendo fundamental para a formação de profissionais capazes de atuar de forma ética, crítica e alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde e às realidades territoriais.
EDUCAÇÃO EM SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA ENTRE ESTIGMA E O DIREITO DE PROFISSIONAIS DO SEXO
Apresentação oral
1 UFRJ
2 FIOCRUZ
Contextualização
A prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é um eixo estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, populações em maior vulnerabilidade social, como profissionais do sexo em municípios do interior dos estados, frequentemente enfrentam barreiras de acesso à informação e aos serviços de prevenção, como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e testes rápidos. A experiência relatada ocorreu em um município do interior de Goiás, em contexto de baixa disseminação de informações sobre prevenção combinada entre trabalhadoras do sexo.
Descrição da Experiência
Foram realizadas visitas a cinco estabelecimentos onde atuavam profissionais do sexo, e, ao todo, 35 mulheres participaram das rodas de conversa. A atividade incluiu apresentação dialogada com apoio de slides em tablet, contendo imagens ilustrativas de manifestações clínicas de ISTs (como gonorreia, HPV, sífilis primária, herpes genital e vaginose), além de explicações sobre formas de transmissão, prevenção e tratamento. Durante a ação, foram apresentados dados epidemiológicos locais, obtidos em site oficial de vigilância, demonstrando o número de casos registrados de sífilis, HIV e hepatites no município, com o objetivo de apresentar o risco real do território. Foi enfatizada a importância do uso consistente de preservativos, da realização periódica de testes rápidos e do acompanhamento em serviços de saúde.
Previamente à ação, buscou-se a Estratégia de Saúde da Família (ESF) do município para compreender o fluxo para solicitação da PrEP, a fim direcioná-las. Ao final, foram distribuídos folders educativos com linguagem acessível, contendo explicações sobre PrEP, PEP, ISTs, periodicidade de exames e mensagens de incentivo ao autocuidado.
Objetivo e período de Realização
O objetivo da intervenção foi ampliar o conhecimento sobre prevenção combinada do HIV e ISTs entre profissionais do sexo e incentivar a realização regular de exames.
A ação foi realizada em duas visitas pontuais aos cinco estabelecimentos, onde em primeiro momento foi estabelecido contato, interesse e permissão para ação e marcado a data para o encontro a fim de atingir o máximo de mulheres e no outro foi realizado a ação. Esse evento ocorreu em dezembro de 2025.
Resultados
Foram alcançadas 35 profissionais do sexo e nenhuma relatava conhecimento sobre PrEP e PEP. Após a atividade, todas receberam informações sobre o que são essas estratégias, funcionamento e como acessá-las no serviço público local. Observou-se participação ativa durante a roda de conversa, com perguntas sobre sintomas, formas de prevenção e confidencialidade no atendimento. A experiência possibilitou que as participantes passassem a reconhecer a PrEP como ferramenta adicional de proteção, e o PEP em situações emergenciais, como o rompimento do preservativo ou casos de abuso. Ainda que não tenha sido possível mensurar adesão imediata à PrEP, houve ampliação significativa do conhecimento e do reconhecimento do direito ao acesso à prevenção pelo SUS.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou uma lacuna importante entre a existência das políticas públicas de prevenção e sua efetiva chegada às populações mais vulnerabilizadas. Mesmo com oferta institucional da PrEP no SUS, a ausência de estratégias ativas de busca e educação em saúde mantém grupos-chave desinformados. O contato direto nos territórios demonstrou alto potencial de impacto, sobretudo quando associado a linguagem clara, dados locais e orientação prática sobre fluxos de acesso. A utilização de imagens clínicas e dados epidemiológicos municipais favoreceu a percepção de risco concreto e contextualizado.
Entre os desafios identificados estão o estigma associado ao trabalho sexual, a possível desconfiança em relação aos serviços de saúde e a ausência de ações sistemáticas voltadas especificamente para essa população no município. Dessa forma, a experiência demonstra aplicabilidade em outros municípios de pequeno porte, podendo ser incorporada às rotinas da Atenção Primária à Saúde como estratégia de equidade e redução de vulnerabilidades.
PEDAGOGIA DO TERRITORIO E INTERDISCIPLINARIDADE NA FORMAÇÃO DE TÉCNICOS PARA O ENFRENTAMENTO DA EMERGÊNCIA CLIMÁTICA
Apresentação oral
1 EPSJV/Fiocruz
2 ICICT/Fiocruz
Introdução
O colapso ambiental global que vivemos, exige que seja repensado o papel dos profissionais de saúde e do meio ambiente, especialmente dos técnicos, que hoje se encontram em uma posição estratégica para lidar com os desafios da sustentabilidade socioambiental e para o enfrentamento da crise climática e seus efeitos na saúde.
Objetivos
O objetivo é apresentar o estudo sobre prospecção de novas áreas de formação e atuação profissional de técnicos para o SUS que culminou com a produção de um livro. Além de uma iniciativa acadêmica, é um movimento estratégico para garantir a integralidade do cuidado e a sustentabilidade das redes de atenção em saúde.
Processo de produção com período de realização
O estudo sobre a formação técnica em meio ambiente com ênfase na emergência climática e os efeitos na saúde se estruturou no período de julho de 2024 a julho de 2025 com as seguintes etapas: aspectos históricos da profissionalização do Técnico em Meio Ambiente com Ênfase na Emergência Climática e os Efeitos na Saúde - necessidades, contradições e potencialidades; marcos estratégicos da formação e da atuação profissional - Colapso ambiental, tecnociência e interdisciplinaridade; e ações técnicas de enfrentamento pelo setor saúde.
Resultados
Resultou na elaboração de um capítulo de livro que apresentou um quadro orientativo com recomendações para formação no sentido da relação entre temas e situações de atuação profissional na perspectiva da interdisciplinaridade sobre os conceitos envolvidos na formação e em suas bases epistemológicas.
Análise crítica e impactos sociais do produto relacionados aos temas do congresso
A crise climática traz a necessidade de uma busca por examinar o que caracteriza a ação humana e nossa existência no planeta atualmente, para imaginar novos modos de vida e novas relações com o planeta. A natureza cada vez mais se transforma em território e esse período histórico agravado pela emergência climática, gera uma necessidade de mudanças na Educação, demandando uma pergunta que deve ser feita para orientar a abordagem e a aprendizagem sobre as formas de apropriação do mundo (natureza) de produção e uso dos espaços. Qual a finalidade educativa que orientará o trabalho pedagógico, pois ainda estamos atrelados a uma perspectiva voltada para a vida produtiva, desconectada da dimensão planetária e para atender aos imperativos do consumo, da competitividade e do individualismo? Uma abordagem interdisciplinar e intersetorial com base no contexto sócio-histórico dos territórios e suas especificidades de apropriação da natureza e de organização da vida, para dar resposta às demandas de enfrentamento que vem surgindo nos últimos anos. Diante de um modelo capitalista de desenvolvimento, que transforma tudo em mercadoria, a busca por uma outra pedagogia deve ter como horizonte uma reconstrução educacional tendo como base os saberes dos territórios e em particular dos povos originários para emergir uma criatividade capaz de inventar outros mundos, com outras aprendizagens, outra relação com a natureza, com a comunidade, com as memórias e com o próprio planeta.
O campo da Saúde Coletiva, tem um papel de destaque no enfrentamento de temas complexos, mas também na definição de uma agenda científica e na proposta de políticas públicas embasadas nos conhecimentos originários e do necessário esforço interdisciplinar. Para que possamos pensar em outras formas de agir para enfrentar a emergência climática devemos focar no estudo das desigualdades sociais e seus efeitos climáticos diferenciados nos territórios, mas sobretudo, sobre novas relações sociedades/natureza impondo-a como base para uma efetiva agenda política em todos os setores e especialmente na educação e formação de recursos humanos.
O CUIDADO EM SAÚDE COMO PROCESSO DE FORMAÇÃO
Apresentação oral
1 Movimento Sem Terra
Contextualização
Esse texto é fruto de uma produção coletiva do Setor Nacional de Saúde do MST. Elaborada, sistematizada e consolidada pela executiva do setor, o que é e o que representa o Espaço de Cuidados Maria Aragão ao longo dos anos de construção desse espaço, dentro e fora do MST.
Descrição da Experiência
A partir da compreensão dos objetivos que orientam as ações do Setor de Saúde do MST, o Coletivo Nacional deu início ao debate e construção de um espaço de cuidados e atendimentos médicos dentro das atividades e eventos que o movimento Sem Terra estava realizando. Este espaço foi chamado de Espaço Saúde Maria Aragão.
O Espaço Saúde Maria Aragão chamava-se antes Espaço Saúde apenas, sendo a escolha deste nome uma forma de demarcar qual espaço e qual saúde estamos nos propondo a construir. Assim, no ENERA – Encontro Nacional Educadores da Reforma Agrária, em 2015 batizamos o então Espaço Saúde de Maria Aragão. Este espaço foi pensado e criado pelos militantes, cuidadores e cuidadoras, médicos e médicas do Setor de Saúde para fazer atendimentos e cuidados aos militantes presentes nas atividades e encontros do Movimento Sem Terra.
Objetivo e período de Realização
Esta experiência apresentada tem como objetivo apresentar como tem se dado parte do processo formativo do setor de saúde do MST através das práticas de cuidado de sua militância. A experiência surge há um pouco mais de 15 anos, fruto da percepção do adoecimento dos corpos, físico e mental, causado na militância a partir da exploração do capital. E ao mesmo tempo a resposta que a própria militância foi dando para esse adoecimento. O cuidado como uma prática coletiva. O espaço de cuidados Maria Aragão surgiu com a necessidade da existência de um local fisico para que os militântes pudesser receber atendimentos em saude e cuidados para seu reestabelecimento. Este espaço, que contamos com cuidadoras e cuidadores, médicos, nasce dentro dos encontros e atividades nacionais do MST.
Resultados
O Espaço de Saúde Maria Aração cumpre um papel formativo, de trocas de experiências, onde se pratica e experiencia novos conhecimentos. Trazendo uma riqueza da diversidade das trocas de experiências, cultura, conhecimentos saberes e tradições. Assim, se constrói um espaço de libertação, de conhecimento pessoal, de sentir, do toque e de ser tocado, um espaço de construção de relações de amizade, de respeito, onde um se vê e reconhece no outro e se cuida e cuida do outro.
Aprendizado e Análise Crítica
Dentro do Espaço Saúde Maria Aragão é realizada as práticas populares de cuidado em saúde como reiki, massagem, fitoterapia, chás, argiloterapia, ventosaterapia, acupuntura, a escuta amorosa - demanda reprimida que vem das áreas, imposta pelo sistema capitalista. Há a compreensão aqui de que este modelo de atendimento em saúde representa uma disputa com o modelo “ambulatorial” médico-hospitalar. Pois busca diálogos e trocas entre sujeitos, saberes e práticas na produção de uma ação de educação popular em saúde.
FERRAMENTAS EDUCATIVAS PARA ADAPTAÇÃO EM SAÚDE E VIGILÂNCIA POPULAR FRENTE A EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS
Apresentação oral
1 UNICAMP
Introdução
A intensificação das mudanças climáticas tem ampliado a frequência, duração e intensidade de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e inundações, produzindo impactos diretos e indiretos sobre a saúde das populações. Esses efeitos são socialmente determinados e tendem a afetar de forma mais intensa grupos em situação de vulnerabilidade, especialmente em territórios marcados por precariedade habitacional, desigualdade socioambiental e acesso limitado a serviços de saúde. No contexto brasileiro, tais condições ampliam a exposição a riscos climáticos e favorecem a ocorrência de agravos sensíveis ao clima. Nesse cenário, estratégias de educação em saúde, comunicação de risco e desenvolvimento de tecnologias sociais acessíveis podem contribuir para fortalecer processos de adaptação em saúde e estimular práticas de vigilância popular, ampliando a capacidade das comunidades de reconhecer, prevenir e responder aos efeitos das mudanças climáticas.
Objetivos
Desenvolver ferramentas educativas digitais voltadas à orientação da população, especialmente grupos em situação de vulnerabilidade, sobre medidas de proteção e mitigação dos impactos de eventos climáticos extremos na saúde.
Processo de produção com período de realização
Trata-se de uma produção técnica desenvolvida a partir da análise de eventos climáticos extremos com maior ocorrência e impacto no município de Campinas (SP). Foram priorizados dois eventos relevantes para o território como ondas de calor e enchentes considerando sua relação com agravos à saúde e vulnerabilidades socioambientais locais. O conteúdo educativo foi elaborado com base em documentos técnicos do Ministério da Saúde voltados à prevenção de riscos relacionados ao clima. A partir dessas referências, foram produzidos dois vídeos educativos utilizando plataforma digital gratuita (Canva), com linguagem acessível e enfoque em medidas de prevenção, proteção e cuidado em saúde. A disseminação dos materiais ocorreu por meio do perfil do projeto de extensão VigiON: Ações de Vigilância em Saúde articuladas com a Atenção Primária à Saúde, na rede social Instagram, além do compartilhamento em grupos de moradores, grupos de comunicação entre Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e a comunidade, bem como em redes de equipamentos sociais do território, ampliando a circulação das informações.
Resultados
Os vídeos educativos alcançaram aproximadamente dois mil usuários nas plataformas digitais e nos canais comunitários de comunicação. A circulação territorial dos materiais contribuiu para ampliar o acesso à informação sobre riscos associados a eventos climáticos extremos e medidas de prevenção em saúde, favorecendo processos de sensibilização e reconhecimento comunitário desses riscos. Além disso, os materiais passaram a ser utilizados como apoio em ações educativas desenvolvidas por profissionais da Atenção Primária à Saúde e agentes comunitários, fortalecendo práticas de educação popular, comunicação de risco e vigilância popular em saúde no território.
Análise crítica e impactos sociais do produto relacionados aos temas do congresso
A produção e disseminação de ferramentas educativas baseadas em tecnologias digitais de baixo custo, articuladas às redes comunitárias e à Atenção Primária à Saúde, configuram estratégia relevante para ampliar o acesso à informação qualificada sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde. Ao traduzirem evidências científicas em linguagem acessível e circularem em redes territoriais de cuidado, esses materiais contribuem para fortalecer processos de adaptação em saúde, estimular a participação social e apoiar práticas de vigilância popular frente aos desafios socioambientais contemporâneos.
UMA EXPERIÊNCIA FORMATIVA: CURSO DE ATUALIZAÇÃO AGRICULTURAS URBANAS AGROECOLÓGICAS E DETERMINAÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA SAÚDE
Apresentação oral
1 VPAAPS/Fiocruz
2 ENSP/Fiocruz
3 AUÊ!/UFMG
Introdução
O curso “Agriculturas Urbanas Agroecológicas e Determinação Socioambiental da Saúde” procurou orientar o estudo da Determinação Socioambiental da Saúde como abordagem teórica para a compreensão dos desafios colocados para ossistemas alimentares e a saúde da população, no contexto de uma sociedade em urbanização. A Educação Popular e a construção compartilhada do conhecimento foram a abordagem teórico-metodológica de apoio à compreensão da realidade centrada no diálogo entre diferentes saberes.
A formação é fruto de uma cooperação entre a Agenda de Saúde e Agroecologia da VPAAPS/Fiocruz, o Departamento de Endemias Samuel Pessoa da Ensp/Fiocruz e o Grupo de Estudos em Agricultura Urbana AUÊ da Universidade Federal de Minas Gerais.
Objetivos
O curso foi oferecido na modalidade “atualização” da pós graduação da Ensp e teve como objetivos: a) apresentar o campo da saúde coletiva e a abordagem da determinação social/socioambiental da saúde; b) dialogar sobre os processos de urbanização no Brasil, na perspectiva do acesso à terra, ao território e à saúde; c) caracterizar as agriculturas urbanas, a agroecologia e suas interações com a determinação socioambiental da saúde e outras categorias em disputa no campo da Saúde coletiva; d) construir reflexões sobre as relações entre saúde, urbano, agroecologia e agricultura urbana.
Processo de produção com período de realização
A formação foi realizada entre os dias 7 e 11 de julho de 2025 no Rio de Janeiro. Foram 60 horas de formação, sendo 40 horas presenciais e 20 horas virtuais para elaboração e avaliação do trabalho final.
O curso foi destinado aos seguintes perfis: a) trabalhadoras/es da Fiocruz com trajetória e atuação com o tema da agroecologia; a) estudantes da Fiocruz que pesquisam temas relacionados à agroecologia; c) profissionais e estudantes de pós-graduação, pesquisadoras/es de nível superior e/ou trabalhadoras/es do SUS atuando em projetos de agricultura urbana e saúde junto a territórios e movimentos sociais.
O percurso metodológico foi integrado por momentos de exposição dialogada e atividade de campo, leituras e discussão. As aulas aconteceram no campus Maré e no espaço Raízes do Brasil do Movimento dos Pequenos Agricultores (Santa Teresa). Houve uma visita de campo à experiência Providência Agroecológica (Morro da Providência, Gamboa). Foi ofertado almoço foi a todas as pessoas participantes, produzido por culinaristas do RJ.
Resultados
No total, 43 pessoas se inscreveram e 33 participaram, entre candidaturas homologadas e ouvintes. Em relação à participação por gênero, foram 32 pessoas autodeclaradas mulheres cis (91% do total) e 3 homens cis; já na participação por raça foram 18 pessoas autodeclaradas negras (55%) e 15 brancas. Em relação à diversidade regional, foram 21 do Sudeste (65% do total, sendo 17 pessoas do estado do Rio de Janeiro), 6 do Nordeste e 5 do Centro-oeste.
As aprendizagens foram sistematizadas via três processos principais: 1. “diário-semente”: anotações individuais das reflexões dos educandos a partir das leituras, conversas e exposições dialogadas; 2. “sementário de palavras”: seleção de palavras e categorias em cinco grupos fixos, delimitados no início do curso. 3. “relato-alimento”: um trabalho final individual em formato textual que pôde contar com o apoio de outras linguagens, visando a consolidação dos aprendizados, entregue por via remota após a finalização da etapa presencial.
Análise crítica e impactos sociais do produto relacionados aos temas do congresso
Como proposta interdisciplinar, o curso avançou na integração de três principais áreas de estudo associadas ao tema das agriculturas urbanas: a saúde coletiva, o urbano e a agroecologia. Ficou evidenciada a importância de se oportunizar espaços de diálogo respeitoso entre o conhecimento técnico-científico e conhecimentos produzidos a partir das experiências das agriculturas urbanas agroecológicas.
Com base na atividade coletiva final de avaliação com as participantes e no trabalho final individual, identifica-se a demanda em processos formativos qualificados sobre a interface saúde coletiva – agroecologia para trabalhadoras/es, pesquisadoras/es e estudantes com atuação ligada aos temas.
ENCONTRO DE TRAJETÓRIAS: EDUCAÇÃO, TERRITÓRIO E ALEGRIA DO CONHECIMENTO
Apresentação oral
1 Movimento dos Pescadores e Pecadoras Artesanais - MPP
2 Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais - MPP
Contextualização
Apresentamos uma reflexão sobre o encontro de duas professoras cujas trajetórias pessoais e profissionais estão profundamente entrelaçadas com o território, o trabalho e a vida em comunidades tradicionais vinculadas à pesca e à agricultura familiar. O cenário desse encontro é a Escola Sylvia Centeno Xavier, localizada na Ilha dos Marinheiros no município de Rio Grande, onde atuam na (EJA)..
Descrição da Experiência
Esse encontro é ser compreendido como um encontro entre trajetórias, territórios e memórias. Ambas carregam em suas histórias marcas profundas da vida comunitária, do trabalho coletivo e da relação cotidiana com as águas, a terra e as redes de sociabilidade construídas em torno da pesca e da agricultura familiar.
A primeira professora percorreu um caminho longo e, por vezes, sinuoso até chegar à docência. Sua trajetória foi marcada pela experiência direta com a pesca artesanal, atividade que estruturou parte de sua vida e ainda está presente. A escola, precisou ser interrompida, como ocorre com mulheres em contextos semelhantes. O retorno aos estudos ocorreu na EJA, possibilitando a retomada pela busca do conhecimento..
A segunda, embora não tenha exercido diretamente a pesca ou a agricultura, teve sua formação profundamente atravessada por essas experiências. Filha e neta de trabalhadores da pesca e da agricultura, cresceu acompanhando o cotidiano dessas práticas e aprendendo com os saberes transmitidos entre gerações. Em sua memória permanecem as histórias de mulheres fortes que sustentaram famílias inteiras, lideraram processos de trabalho e organizaram a vida comunitária. Muitas dessas mulheres, não tiveram a oportunidade de frequentar a escola, o trabalho e as responsabilidades familiares se impunha como prioridade.
Objetivo e período de Realização
Embora distintas, encontram um ponto de convergência na educação e, mais especificamente, na escolha pela Geografia como campo de atuação, não se limitando ao estudo abstrato do espaço. Ela se torna uma forma de compreender o território vivido, de reconhecer os saberes da comunidade e de valorizar as relações entre natureza, trabalho e cultura.
Esse encontro, não apenas ocorre no espaço institucional, mas no reconhecimento de experiências e de compromissos comuns. Ambas compreendem que o conhecimento pode assumir um papel transformador na vida das pessoas, especialmente quando se trata de mulheres que, durante grande parte de suas vidas, tiveram o acesso à educação limitado pelas condições sociais e econômicas.
Resultados
Hoje, essas duas professoras compartilham à docência na EJA composta por mulheres pescadoras e agricultoras familiares. Na aula, as histórias se cruzam, experiências de trabalho, memórias da pesca, as práticas da agricultura e os saberes transmitidos entre gerações tornam-se parte do processo de aprendizagem.
Nesse espaço, a Geografia ganha novos significados. O território estudado é o território vivido: a lagoa, os campos cultivados, os caminhos da comunidade, as casas, os clubes de futebol construídos ao longo das gerações. O conhecimento acadêmico encontra os saberes da experiência, e desse encontro nasce uma forma de aprendizagem profundamente enraizada na realidade das estudantes.
Aprendizado e Análise Crítica
O trabalho dessas professoras revela, assim, a potência da educação quando ela se constrói em diálogo com o território e com as trajetórias de vida dos sujeitos. Ao reconhecer a força das mulheres da comunidade e valorizar seus saberes, a escola se transforma em um espaço de pertencimento e de esperança.
As estudantes conciliam o cuidado com a família, o trabalho na pesca, o cultivo e o compromisso com a escola. Estar em sala de aula não é apenas aprender conteúdos, mas um ato de coragem, superação e afirmação de seus direitos.
Nesse encontro, a sala de aula se torna um lugar de memória, de partilha e de construção coletiva de futuros possíveis. A alegria do conhecimento, não é apenas uma ideia pedagógica, mas uma experiência concreta que atravessa vidas, histórias e territórios.
INTEGRAÇÃO ENTRE SAÚDE AMBIENTAL, SAÚDE ÚNICA E OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM
Apresentação oral
1 Faculdade Santa Marcelina
Contextualização
A intensificação das transformações ambientais, associada aos processos de urbanização, produção e consumo, tem ampliado a complexidade dos desafios sanitários contemporâneos. Nesse cenário, compreender o processo saúde-doença exige uma abordagem ampliada que considere a interdependência entre fatores sociais, ambientais, econômicos e biológicos. Essa perspectiva é fortalecida pela Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, proposta pela Organização das Nações Unidas, que estabelece os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como metas globais voltadas à promoção da saúde, redução das desigualdades e preservação ambiental. Na formação em enfermagem, essas discussões dialogam diretamente com as Diretrizes Curriculares Nacionais, que orientam a formação de profissionais críticos, socialmente comprometidos e capazes de responder às necessidades de saúde da população. A incorporação da abordagem da Saúde Única amplia a compreensão de que a saúde humana, a saúde animal e a integridade dos ecossistemas constituem dimensões interdependentes na produção da saúde. Inserir essa perspectiva no processo formativo permite ampliar a compreensão dos estudantes na construção de sociedades mais sustentáveis.
Descrição da Experiência
Inicialmente, foi realizada uma contextualização dialogada sobre os ODS e suas interfaces com a saúde pública, relacionando-os aos princípios da promoção da saúde, da vigilância em saúde e da abordagem de Saúde Única. Em seguida, os estudantes foram organizados em pequenos grupos e convidados a selecionar um dos ODS para análise. A partir dessa escolha, cada grupo refletiu, com base em suas vivências acadêmicas e discussões teóricas, sobre possíveis ações da enfermagem relacionadas ao objetivo selecionado, incluindo atividades de extensão e práticas desenvolvidas nos territórios de atuação.
Objetivo e período de Realização
Este trabalho apresenta um relato de experiência pedagógica desenvolvida com estudantes do curso de graduação em Enfermagem entre os anos de 2023 a 2025, no contexto de uma disciplina voltada à discussão da relação entre saúde ambiental, promoção da saúde e determinantes socioambientais. A proposta teve como objetivo aproximar os ODS das práticas desenvolvidas na formação em saúde, estimulando a reflexão sobre como ações realizadas em cenários de ensino, extensão e prática assistencial podem contribuir para o alcance dessas metas globais. A estratégia pedagógica buscou superar uma abordagem exclusivamente normativa dos ODS, priorizando metodologias participativas e a análise crítica de experiências vivenciadas no cotidiano do Sistema Único de Saúde.
Resultados
Entre as experiências identificadas destacaram-se ações de educação em saúde voltadas à prevenção de agravos e doenças relacionadas ao meio ambiente, atividades de promoção da saúde em territórios acompanhados pela atenção primária, incentivo à alimentação saudável, prevenção da violência doméstica e de gênero, além de estratégias educativas sobre manejo adequado de resíduos em serviços de saúde. Também foram desenvolvidas iniciativas voltadas à sustentabilidade ambiental em contextos comunitários e socialmente vulneráveis. A maior parte dessas experiências esteve vinculada às atividades desenvolvidas em Unidades Básicas de Saúde, evidenciando a forte articulação entre os ODS e as práticas cotidianas do SUS. A análise revelou que, inicialmente, muitos estudantes percebiam os ODS como metas abstratas e distantes da realidade local. Entretanto, ao desenvolver as atividades de extensão, passaram a reconhecer que diversas ações contribuem diretamente para esses objetivos globais. A experiência demonstrou o potencial de estratégias pedagógicas baseadas na problematização da realidade e na valorização do território como espaço de aprendizagem.
Aprendizado e Análise Crítica
Conclui-se que a integração entre saúde ambiental, ODS e formação em enfermagem constitui uma estratégia pedagógica relevante para fortalecer a formação de profissionais comprometidos com a promoção da saúde, a equidade e a sustentabilidade, evidenciando que as práticas cotidianas desenvolvidas no SUS podem contribuir de forma concreta para a construção do desenvolvimento sustentável. Como desafio, destaca-se a necessidade de ampliar a inserção sistemática das discussões sobre sustentabilidade, saúde ambiental e Saúde Única nos currículos da área da saúde.
A PRODUÇÃO-PESQUISA DE MATERIAIS DIDÁTICOS EM SAÚDE LGBTQIAPN+ E MASCULINAS
Apresentação oral
1 Fiocruz/PSAT
Contextualização
A Saúde Coletiva enfrenta o desafio de interseccionalizar conhecimentos que garantam o debate sobre as mazelas e desigualdades sociais para grupos historicamente marginalizados. A determinação socioambiental da saúde revela que as barreiras de acesso ao SUS para populações LGBTQIAPN+ e homens (cis e trans) são mediadas por estruturas de poder marcadas por gênero, racismo e as dinâmicas de trabalho precarizado. Estruturas tais que naturalizam a exclusão de uma diversidade de expressões de gênero, masculinidades e identidades raciais das discussões institucionais sobre o seus bem-estar. Historicamente, as principais áreas da vida, como saúde, meio ambiente e trabalho, foram usadas como expoentes de exploração e morte de indivíduos racializados, pertencente à comunidade LGBTQIAPN+ . Utilização esta que ocorreu tanto por meio da negligência quanto pela perseguição institucional e sanitária.
Descrição da Experiência
Este relato apresenta a experiência dessa produção norteada pela democratização do saber e pela atuação dialogada entre movimentos sociais e sociedade civil. Nesse sentido, o Programa de Saúde, Ambiente e Trabalho da Fiocruz Brasília formula o Caderno de Saúde LGBTQIAPN+ e o Caderno de Saúde do Homem
Objetivo e período de Realização
As atividades ocorreram entre outubro de 2025 e março de 2026. Os objetivos das produções são de desenvolver, validar e difundir materiais educativos (Cadernos de Saúde LGBTQIAPN+ e de Saúde do Homem) que atuem como dispositivos de Educação Popular em Saúde, visando a autonomia dos sujeitos na apropriação de direitos, desconstrução de violências de gênero e racismo, bem como o fortalecimento do acesso ao SUS. A proposta é que o material sirva como instrumento educativo, voltado tanto à população em geral quanto a profissionais da saúde e ativistas.
Resultados
O processo do Caderno de Saúde LGBTQIAPN+ envolveu a escrita baseada na metodologia de narrativa e contação de histórias, percorrendo o ciclo de vida (infância à velhice) para humanizar temas como tecnologias de gênero, sexualidade e envelhecimento.Por conseguinte, o processo de produção do Caderno de Saúde do Homem se iniciou na reflexão sobre o crescimento de violências envolvendo homens entre 2024 e 2026 no Brasil. Ao evoluir para a síntese da abordagem, as demais camadas e complexidades relacionadas ao tema de Saúde Pública foram surgindo de forma que os temas foram expandindo. Em seguida, foram feitas pesquisas sobre dados de morbimortalidade e violências no Brasil, originando um questionário para a coleta de dados sobre saúde masculina, elaborado e partilhado em plataformas digitais. A produção do material também envolve o planejamento de grupos focais, pois as iniciativas são fundamentadas nas necessidades apresentadas por grupos marginalizados. Nesse sentido, ambos os produtos estão em fase de validação por movimentos sociais, garantindo que o conhecimento produzido seja dialógico e legitimado pelas comunidades que o utilizarão.
Aprendizado e Análise Crítica
Apesar dos materiais não estarem plenamente concluídos, uma análise da saúde coletiva e pública nacional sob os recortes de gênero, orientação sexual e raça revela uma realidade emergencial que precisa ser abordada de maneira democrática, inclusiva e acessível. Diferentes masculinidades, como homens do campo, quilombolas, indígenas e marginalizados possuem atravessamentos sociais que impedem que estes se expressem, acessem ou partilhem suas dores, emoções e possíveis sintomas agravantes. A maioria das identidades da comunidade LGBTQIAPN+ sequer são consideradas ou incluídas na maioria dos levantamentos de dados a nível nacional. No âmbito das masculinidades, os homens possuem as maiores taxas de mortalidade em acidentes, demais causas externas e em grande parte das doenças. Desta forma, é possível observar como gênero, raça, etnia e sexualidade são fatores fundamentais de entendimento da materialidade dos problemas de saúde, das desigualdades e da garantia do direito pleno à saúde.
VIGILÂNCIA EM SAÚDE BUCAL: MUDANÇAS NA FORMAÇÃO DISCENTE NO CURSO DE ODONTOLOGIA DA UFPR
Apresentação oral
1 UFPR
Contextualização
Em 2021, foi aprovada as novas Diretrizes Curriculares Nacionais de Odontologia (DCNs), o que necessitou mudanças na formação do Bacharel(a) em Odontologia no Brasil. A DCNs de Odontologia destaca: "Art. 9º Quanto à Gestão em Saúde, a graduação em Odontologia visa à formação do cirurgião-dentista capaz de: I) conhecer, compreender e participar de ações que visem à melhoria dos indicadores de qualidade de vida e de morbidade em saúde, passíveis de serem realizados por um profissional generalista, propositivo e resolutivo; II) aplicar os fundamentos da epidemiologia e do conhecimento da comunidade, como fatores fundamentais à gestão, ao planejamento e à avaliação das ações profissionais" Também nas competências específicas que: "(...) III - desenvolver ações de promoção, prevenção, reabilitação, manutenção e vigilância da saúde, em nível individual e coletivo, reconhecendo a relação da saúde bucal com as condições sistêmicas do indivíduo. (...) VIII - aplicar os fundamentos da epidemiologia e do conhecimento da comunidade, como fatores fundamentais à gestão, ao planejamento e à avaliação das ações profissionais para fundamentar a tomada de decisão em saúde." A proposta de oferta da Unidade Curricular (UC) de “Vigilância em Saúde Bucal” foi desenhada para atender tais mudanças e fazer parte da nova matriz curricular de 2023 do curso de Odontologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Descrição da Experiência
Como estratégia pedagógica, na UC “Vigilância em Saúde Bucal” do curso de Odontologia da UFPR, os acadêmicos(as) tiveram como objetivo a criação de portfólio com a análise situacional de 15 municípios do estado do Paraná. O aprendizado constituiu com formação de trios de estudantes, que selecionaram 1 (um) município, e tiveram como tarefas sequenciais a busca de dados sociais e epidemiológicos, de acesso de serviços de saúde e da vigilância da qualidade da água em diferentes sites institucionais públicos e sistemas de informações de saúde.
Objetivo e período de Realização
A UC foi ofertada pela primeira vez no 2º semestre de 2025 no curso de Odontologia da UFPR para atender as exigências de formação das DCNs, e sendo desenhada semestralmente como UC obrigatória no 6º semestre na matriz curricular do curso. A UC também foi pensada para atender a formação com ênfase aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): 3) Saúde e Bem-Estar e 6).Água Potável e Saneamento.
Resultados
Os discentes puderam acessar o DATASUS, vivenciando a importância de aprender a buscar e analisar os dados de morbidade e mortalidade dos territórios selecionados. Quanto ao acesso a produção ambulatorial dos serviços de saúde, puderam compreender o perfil e modelo de atenção ofertado à população por meio das análises dos indicadores de atenção básica preconizados pelo Ministério da Saúde. Destaca-se aqui a oportunidade dos discentes também em vivenciar a busca de dados no VIGIAGUA. Lá aprenderam sobre a importância do monitoramento dos padrões adequados de potabilidade da água, no que se refere a análise dos dados microbiológicos e físico-químicos da água. A vivência deles também permitiu por meio de visita técnica à 1 (uma) Estação de Tratamento de Água (ETA) em Curitiba-PR, reconhecerem e sanarem dúvidas sobre as etapas de tratamento de água com o engenheiro sanitário da Companhia de Abastecimento de Água do Paraná (SANEPAR).
Aprendizado e Análise Crítica
A UC ofertado no curso de Odontologia, conseguiu desenvolver uma visão ética e humanização nos graduandos(as), fomentando a perspectiva de formação de futuros profissionais de saúde bucal conscientes das desigualdades de acesso aos serviços de saúde, perfil epidemiológico e a garantia da qualidade da água para consumo humano como um direito essencial à vida , e com a intenção de que estes apliquem de forma justa e consciente os conhecimentos obtidos, fundados sempre na visão da importância da vigilância em saúde, levando em consideração os princípios do SUS.
A VIGILÂNCIA EM SAÚDE ENTRA NA RODA DA EDUCAÇÃO POPULAR
Apresentação oral
1 Prefeitura Municipal do Rio Grande, Movimento Saúde dos Povos e ANEPS
2 Prefeitura Municipal de Rio Grande
Contextualização
Contextualização: Em março de 2025, foi instituído o Colegiado de Vigilância em Saúde, integrando as quatro vertentes da área: Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, Ambiental, Epidemiológica e Sanitária. O Colegiado reúne-se semanalmente para problematizar os processos de trabalho e promover a formação permanente dos trabalhadores, fundamentada na Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS). Essa integração visa repensar as práticas de vigilância, estruturando estratégias implicadas com os territórios e com os determinantes sociais da saúde.
Descrição da Experiência
Descrição da experiência: O Colegiado de Vigilância em Saúde constitui-se com um espaço coletivo e democrático que problematiza o processo de trabalho da Vigilância. Nele são discutidas reorganizações do serviço, análises dos dados epidemiológicos do município com estruturação de ações para cumprimento de indicadores, qualificação das ações intersetoriais, planejamento de ações internas e externas. A partir do Colegiado foram sendo estruturados modos de (re)pensar para atuar em Vigilância muito mais participativos e colaborativos. Estão sendo implementadas como processo formativo, junto ao Colegiado e expansivo a todas as pessoas trabalhadoras da Vigilância, rodas de diálogos sobre violência de gênero, antiracismo, expressões e termos que reforçam preconceitos, discriminação e violência contra pessoas LGBTQIA+. Desde a estruturação do Colegiado foram criados dois Núcleos de trabalho dentro da Vigilância em Saúde, como o Núcleo de Educação em Saúde, Informação e Comunicação – Grupo que realiza atividades educativas em escolas, feiras livres, grupos comunitários e grupos ligados às unidades de saúde. Esse Núcleo também produz boletins epidemiológicos semanais com apresentações em uma linguagem mais popular, o Núcleo Multiprofissional – Grupo que realiza atividades assistenciais e de vigilância nos programas que são de competência da Vigilância, como Tuberculose e ISTs. Nesse sentido, a partir desse novo modo de atuar da Vigilância em Saúde houve a organização de atividades como: seminários permanentes de articulação territorial com agentes de endemias e agentes comunitários de saúde; formação permanente sobre educação popular da equipe de prevenção às arboviroses para atuação em escolas e comunidades; seminário de formação para ILPIs; realização de oficinas com populações estratégicas como pescadores, agricultores, ribeirinhos, catadores, indígenas e quilombolas.
Objetivo e período de Realização
Objetivo: Relatar a experiência de articulação dos princípios teóricos, políticos, metodológicos e estéticos da Educação Popular com a Vigilância em Saúde do município do Rio Grande, Rio Grande do Sul. Período de realização: Março de 2025 até a presente data.
Resultados
Resultados: A articulação da Educação Popular às práticas de Vigilância em Saúde tem provocado um impulsionar de “vigiar para prevenir”, “vigiar para promover” e “vigiar para cuidar da saúde”, portanto sendo implicada com processos de trabalho que tensionam estratégias territorializadas e métodos participativos que possam construir informação para a ação. A partir das problematizações coletivas do Colegiado de Vigilância há contribuições para a construção de um escopo de atuação alinhado à realidade e às necessidades dos diferentes territórios. Dessa maneira, a incorporação da Educação Popular como inspiração de um modo de conduzir e se deixar conduzir desde as diferentes possibilidades de atuação em cada realidade. Ademais, a Educação Popular dentro da Vigilância em Saúde instiga a problematização que impulsiona a compreensão sobre as determinações sociais em conjunto com as populações.
Aprendizado e Análise Crítica
Aprendizado e Análise Crítica: As problematizações coletivas no Colegiado têm contribuído para um escopo de atuação alinhado às necessidades reais de cada território. A Educação Popular, mais do que uma metodologia, tornou-se uma inspiração ética que permite à Vigilância romper com modelos excludentes e assumir um caráter dialógico.
EXPERIENCIA DE INTEGRACION DISCIPLINAR DE UN CENTRO DE INVESTIGACION EN SALUD, COLOMBIA SUROCCIDENTE
Apresentação oral
1 Universidad de Nariño UDENAR
Contextualização
El Estatuto General de la Universidad de Nariño (UDENAR) establece que la investigación en las facultades debe organizarse a través de Centros de Investigación e Interacción Social (CIIS), con el propósito de impulsar el desarrollo regional. El CIIS de la Facultad Ciencias de la Salud fue el último en crearse, justo cuando la comunidad académica adelantaba la reforma del estatuto de investigación.
Descrição da Experiência
A partir del diálogo entre investigadores con trayectoria de trabajo colaborativo, se propuso conformar un centro con enfoque sistémico, adaptativo y co-creativo, reconociendo que la salud humana no se limita a la ausencia de enfermedad, sino que emerge de complejas interacciones entre factores biológicos, sociales, ambientales, económicos y políticos. Así nació el Centro de Estudios para la Salud y el Desarrollo Sostenible (CESADE), concebido como un espacio interdisciplinario. El proceso de creación se desarrolló en tres fases: elaboración de un borrador inicial con base en revisión documental y discusiones previas; realización de talleres con docentes y estudiantes para recoger aportes, evaluados mediante cribado y un panel transdisciplinario que los integró en un mapa de síntesis; y consolidación del documento final, socializado con la comunidad universitaria antes de su aprobación formal.
Objetivo e período de Realização
Crear y poner en marcha el CIIS en un plazo de seis meses.
Resultados
Se logró articular grupos, líneas y semilleros de investigación de disciplinas como Química, Matemáticas, Estadística, Arquitectura e Ingenierías (Agronómica, Electrónica y Civil), junto con los existentes en la Facultad de Ciencias de la Salud. Esta integración se organizó en torno a seis ejes estratégicos: One Health, seguridad alimentaria y nutricional, envejecimiento saludable, gestión sostenible de recursos naturales e investigación traslacional y tecnologías en salud.
La experiencia constituye un ejercicio significativo de gestión del conocimiento. El principal aprendizaje es haber demostrado la viabilidad de construir, en solo seis meses, una estructura inter y transdisciplinaria que no solo vincula a profesores y estudiantes de diversas áreas, sino que también convoca al sector productivo, tomadores de decisión y profesionales de la salud interesados en participar como cooperantes o beneficiarios. Esto ha permitido configurar un ecosistema de investigación e innovación en salud, donde el CESADE se alinea con desafíos contemporáneos.
Aprendizado e Análise Crítica
No obstante, el análisis crítico evidencia desafíos relevantes. La amplitud de los ejes estratégicos —seis en total— podría generar dispersión si no se prioriza una agenda clara. Aunque la financiación institucional garantiza el inicio, es necesario diversificar fuentes y consolidar alianzas externas para asegurar sostenibilidad e impacto regional. Además, la experiencia no detalla cómo se superaron las barreras epistemológicas propias del trabajo transdisciplinario, ni presenta indicadores concretos de interacción social con comunidades. El éxito del CIIS dependerá de su capacidad para traducir su estructura innovadora en soluciones tangibles para el territorio, manteniendo el equilibrio entre la integración disciplinar y la profundidad investigativa.
DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DE EDUCADORES/AS POPULARES EM SAÚDE LGBTI+ DO CAMPO E PREVENÇÃO ÀS IST/HIV/AIDS
Apresentação oral
1 MST
2 EPSJV/ Fiocruz
3 Seeduc - RJ
Contextualização
O curso surge de uma parceria entre a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) e o Coletivo Nacional LGBTI+ Sem Terra/MST, para formar pessoas LGBTI+ do campo em Educação Popular em Saúde, com foco no direito à saúde, na promoção da saúde e no combate à LGBTI+fobia em acampamentos e assentamentos de reforma agrária. As condições de saúde da população LGBTI+ do campo, que vivem em acampamentos/assentamentos de reforma agrária e abrangem diferentes realidades e territorialidades, são invisibilizadas. Diante desse cenário, compreende-se a Saúde como parte de um projeto social de transformação estruturante, que se interrelaciona ao desenvolvimento de um projeto social vinculado à Agroecologia e à organização da classe trabalhadora, impulsionando mudanças estruturais tanto na defesa da vida, do ambiente, dos bens comuns, incorporando a ética do cuidado a valorizando os conhecimentos e a cultura produzidos por povos do campo, indígenas e negros. Portanto, reconhece-se que a Saúde depende da qualidade dos territórios, das terras, da água, da alimentação e das relações sociais que neles se constroem.
Descrição da Experiência
O curso contou com os seguintes componentes curriculares: conjuntura atual e impactos na saúde brasileira; capitalismo, patriarcado e racismo; SUS e direito à saúde; promoção e prevenção; saúde LGBTI+ com foco em ISTs e HIV/Aids; saúde mental e autocuidado; educação popular em saúde; agroecologia, território e novas relações humanas. Nos Tempos Comunidades, participantes mapearam materiais educativos existentes para saúde LGBTI+, diagnosticaram demandas locais e planejaram ações como rodas de conversa, mutirões de prevenção e oficinas de autocuidado, integrando agroecologia (ex.: hortas medicinais em assentamentos).
Objetivo e período de Realização
Realizado em 2023-2024, o curso totalizou 100 horas a partir da Pedagogia da Alternância e 3 Tempos Comunidades (30h cada, nos territórios) e 1 Tempo Escola (70h, na EPSJV). Essa metodologia potencializa teoria/práxis, articulando saberes locais à formação sem interromper o labor na terra. Objetivo central: capacitar pessoas LGBTI+ para ações educativas em saúde, criando banco de materiais e intervenções territoriais.
Resultados
O curso gerou reflexões coletivas sobre desafios à saúde LGBTI+ do campo: 1) Defender o SUS público contra privatização; 2) Refletir correlação saúde-desenvolvimento; 3) Lutar por políticas públicas de promoção e prevenção para o campo, adaptadas à diversidade e fora da heteronormatividade urbana; 4) Centralizar agroecologia e saberes de povos do campo, indígenas e negros; 5) Humanizar relações na saúde, com formação específica para trabalhadores que atendem sujeitos do campo e LGBTI+; 6) Disputar concepções de saúde via participação em conselhos e trabalho de base comunitário.
Aprendizado e Análise Crítica
A EPSJV e movimentos como o MST contribuem para modelos didático-pedagógicos e tecnologias educacionais críticas, refletindo realidades (inter)nacionais. O curso fortaleceu a formação de trabalhadores do campo, integrando identidade comunitária e práxis agroecológica. A luta pela saúde, ancorada na agroecologia, é pela valorização da vida, fomentando solidariedade e cuidado com humanos e ambiente. Contribui para conscientizar sobre direitos e políticas públicas, especialmente no campo (MST, 2007), disputando narrativas hegemônicas e promovendo transformações estruturais no trabalho, ambiente e justiça social.
TELEDUCAÇÃO EM SAÚDE: FORTALECIMENTO DA EQUIDADE NO SISTEMA PRISIONAL DO NORDESTE BRASILEIRO.
Apresentação oral
1 Beneficência Portuguesa de SP
2 SEAP: Unidade Prisional Fem. São Luis MA
Contextualização
A Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028 e o compromisso global firmado por meio do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) da Agenda 2030 da ONU estabelecem diretrizes para assegurar uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem. A promoção da saúde, sob a ótica da equidade, pressupõe a superação de barreiras geográficas, sociais e institucionais que, historicamente, marginalizam populações, tornando essencial a busca por estratégias inovadoras. O Projeto Telenordeste é uma iniciativa de telessaúde do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde com a Beneficência Portuguesa de São Paulo para expandir o acesso à saúde em Alagoas, Maranhão e Piauí viabilizando saúde integral e informação à população privada de liberdade, rompendo barreiras de acesso impostas pelo isolamento carcerário e pela invisibilidade desses territórios de vida e confinamento, onde a precarização ambiental e social historicamente vulnerabiliza a saúde.
Descrição da Experiência
A implementação do modelo de teleducação ocorre de forma estruturada e participativa. Por demanda espontânea nos canais de comunicação ou indicação do especialista de telessaúde, é discutido durante o planejamento da ação on-line: tema de acordo com o cronograma local ou calendário de efemérides, data e a hora adequando as agendas da unidade prisional (UP) e do palestrante do projeto. A execução dos eventos conta com o apoio do agente penitenciário, estabelecendo uma articulação intersetorial indispensável entre as áreas de saúde e segurança pública, que acessa e projeta a chamada de vídeo. Os reeducandos são alocados em salas de reuniões específicas, onde participam de sessões com duração média de 1h30. O formato combina a exposição técnica com a roda de conversa, permitindo a troca de vivências e o esclarecimento de dúvidas em tempo real.
Objetivo e período de Realização
Relatar a experiência do Telenordeste na implementação do modelo teleducação para fortalecer a saúde integral, abrangendo os aspectos físicos e emocionais da população privada de liberdade. Foram consideradas as ações iniciadas de novembro de 2024 a fevereiro de 2026.
Resultados
Temas críticos como Saúde Mental (depressão, ansiedade e abuso de substâncias), Saúde do Homem e da Mulher (incluindo pré-natal), além da prevenção de doenças respiratórias e dermatológicas, alcançaram 378 reeducandos em 12 das 36 UPs cadastradas, abrangendo 23 municípios nos três estados contemplados. Esses dados refletem o potencial da tecnologia em levar educação em saúde, promovendo a prevenção em ambientes confinados.
Aprendizado e Análise Crítica
O aprendizado central desta experiência reside na percepção de que a tecnologia, quando humanizada, funciona como um potente vetor de justiça social e uma estratégia de resistência ao modelo de exclusão. Do ponto de vista crítico, observa-se que o sucesso da ação não depende apenas da conexão de internet, mas da criação de vínculo real com as equipes prisionais. Sem a sensibilização e parceria dos agentes e gestores locais, a tecnologia permaneceria subutilizada. A análise das rodas de conversas revela que o modelo pedagógico adotado favorece a autonomia e o autocuidado. Ao discutir saúde mental e doenças crônicas, o projeto combate estigmas e promove dignidade humana. O Telenordeste demonstra que a saúde no sistema prisional deve ser entendida como uma extensão da saúde pública coletiva, cuidar do reeducando é garantir o direito constitucional à saúde e preparar o indivíduo para uma ressocialização mais digna. O desafio contínuo reside em expandir o alcance para as unidades restantes, mantendo a qualidade do vínculo e assegurando que a inovação digital seja, perenemente, um instrumento de emancipação e qualidade de vida para as populações invisibilizadas da sociedade brasileira.
Realização: