Programa - Roda de Saberes - RS15 - Vigilância Popular em Saúde, Gestão Pública e Inovações Metodológicas
28 DE MAIO | QUINTA-FEIRA
13:45 - 16:15
13:45 - 16:15
GESTÃO DE RESÍDUOS EM HOSPITAL PÚBLICO COMO ESTRATÉGIA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIOAMBIENTAL
Apresentação oral
1 HPSMC
Contextualização
Hospitais são territórios de vida e trabalho que concentram elevada produção de resíduos, cujos impactos ambientais e sanitários extrapolam seus limites físicos e incidem sobre o território urbano. Em um contexto de intensificação da crise ecológica e das emergências climáticas, a gestão de resíduos em serviços de saúde assume papel estratégico na redução de riscos ambientais, na promoção da saúde e na consolidação de práticas institucionais sustentáveis. No Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, identificou-se a necessidade de reorganizar fluxos internos de segregação e destinação de resíduos recicláveis, fortalecendo a governança ambiental no âmbito do SUS.
Descrição da Experiência
A experiência foi iniciada em setembro de 2023, com a implantação da coleta seletiva para alguns materiais específicos. Em 2024, estruturou-se a contabilização sistemática dos resíduos recicláveis, com definição de fluxos, organização de pontos de coleta interna e estabelecimento de parcerias com cooperativas e empresas responsáveis pela destinação ambientalmente adequada. Em 2025, houve ampliação progressiva dos itens coletados, incluindo frascos, latas de alumínio, papel seco, papelão, tampinhas e óleo de cozinha usado. A experiência envolveu mobilização das equipes, educação permanente, articulação intersetorial e monitoramento periódico dos quantitativos destinados.
Objetivo e período de Realização
O objetivo foi implantar e consolidar a gestão sustentável de resíduos recicláveis no território hospitalar, promovendo organização institucional, redução de impactos ambientais e fortalecimento da cultura ambiental entre trabalhadores e setores assistenciais. A experiência teve início em setembro de 2023 e segue em desenvolvimento, com ampliação e consolidação entre 2024 e 2025.
Resultados
Observou-se ampliação do número de materiais monitorados e crescimento expressivo nos quantitativos destinados corretamente entre 2024 e 2025, especialmente em papel seco e latas de alumínio. A sistematização dos dados permitiu acompanhar a evolução da adesão institucional e consolidar práticas de segregação mais qualificadas. A articulação com parceiros externos fortaleceu a destinação ambientalmente adequada e reduziu o envio de materiais potencialmente recicláveis ao fluxo de resíduos comuns. A experiência promoveu maior integração entre setores e ampliou a visibilidade da agenda socioambiental no cotidiano do hospital.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou que a transformação institucional em saúde e ambiente exige continuidade, sensibilização permanente e construção coletiva. Inicialmente marcada por desafios relacionados à adesão e à reorganização de rotinas, a prática demonstrou que iniciativas de baixo custo podem produzir mudanças significativas quando incorporadas à gestão cotidiana. O território hospitalar revelou-se espaço potente para práticas socioambientais transformadoras, articulando saúde, trabalho e responsabilidade ambiental. Como limite, destaca-se a necessidade de avançar na formalização normativa e na mensuração ampliada dos impactos ambientais indiretos. Como potencial, aponta-se a replicabilidade em outros serviços de saúde, contribuindo para o fortalecimento de práticas sustentáveis no SUS e para a construção de respostas institucionais frente à crise socioambiental contemporânea.
A ATUAÇÃO DO VIGIDESASTRES ESTADUAL NA VIGILÂNCIA EM SAÚDE FRENTE ÀS EMERGÊNCIAS CLIMÁTICAS NO CEARÁ
Apresentação oral
1 Secretaria da Saúde do Ceará - SESA/CE
Contextualização
O estado do Ceará apresenta alta vulnerabilidade a eventos climáticos, especialmente secas, chuvas intensas, queimadas e incêndios florestais que causam impactos diretos na saúde da população, incluindo doenças de veiculação hídrica, agravos respiratórios, arboviroses, insegurança alimentar e agravos psicossociais. Nesse cenário, a Vigilância em Saúde desempenha papel estratégico na detecção precoce de riscos e na articulação intersetorial para respostas oportunas. O Vigidesastres Estadual do Ceará estrutura-se como componente técnico-operacional voltado à vigilância relativas à gestão de riscos de emergências em saúde pública por desastres.
Descrição da Experiência
A experiência consistiu na organização e fortalecimento do Vigidesastres no nível estadual, com foco na integração entre as vigilâncias e na articulação com instâncias municipais e outros setores, como Defesa Civil. No âmbito do planejamento estratégico, o Plano Estadual de Saúde de 2024 a 2027 instituiu um indicador específico para o programa, estabelecendo como meta sua implantação em 64 municípios do Estado, o que fortaleceu sua institucionalização. Como estratégia de apoio, foi elaborada uma nota técnica orientadora para padronizar conceitos, esclarecer diretrizes e apoiar gestores e equipes municipais no processo de implantação e operacionalização das ações. Foram estruturados fluxos de comunicação para alerta e notificação de eventos, definidos pontos focais municipais, realizadas oficinas regionais, capacitações e reuniões técnicas para implementação do programa e ativação do comitê estadual de saúde em desastres. Destacam-se ainda a implantação do Vigidesastres nos municípios, o monitoramento de indicadores, o apoio técnico aos entes locais e a produção de informes técnicos e alertas. A experiência também envolveu a qualificação de profissionais para o uso de instrumentos padronizados de notificação e elaboração de planos de preparação e resposta.
Objetivo e período de Realização
O objetivo foi fortalecer a capacidade de prevenção, preparação e resposta da Vigilância em Saúde frente aos desastres no Ceará, por meio da organização de fluxos, qualificação técnica e articulação intersetorial. A experiência teve início em 2023, com a implantação do programa Vigidesastres no Ceará, e permanece em desenvolvimento até o momento, consolidando-se como uma ação contínua e estruturante para a vigilância em saúde no estado.
Resultados
Observou-se maior padronização dos fluxos de comunicação entre Estado e municípios, ampliação da notificação de desastres e maior integração entre áreas técnicas da Vigilância em Saúde. Como resultado do processo de fortalecimento institucional, houve a implantação do Vigidesastres em 36 municípios, ampliando a capilaridade das ações e a capacidade de resposta territorial. Também houve o aprimoramento na elaboração de alertas, notas técnicas e boletins, apoiando a tomada de decisão em tempo oportuno. A articulação intra e intersetorial favoreceu respostas mais coordenadas e o apoio técnico aos municípios para medidas preventivas. Persistem desafios como subnotificação de desastres, rotatividade de profissionais, desconhecimento sobre o programa e suas ações e falta de recursos financeiros.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidencia que a vigilância em saúde territorializada e integrada, capacidade instalada, técnicos qualificados e monitoramento de indicadores fortalece a governança em emergências climáticas, sendo a articulação intra e intersetorial essencial para antecipar riscos e mitigar impactos à saúde. Entretanto, a continuidade das ações depende de financiamento contínuo, qualificação permanente das equipes e institucionalização dos fluxos estabelecidos. Destaca-se ainda a necessidade de incorporar sistematicamente a análise das desigualdades socioambientais, dado o impacto desproporcional dos desastres sobre populações vulneráveis. O fortalecimento do Vigidesastres, como estratégia permanente e não apenas reativa, é fundamental para consolidar a Vigilância em Saúde na agenda de adaptação às mudanças climáticas.
A ATUAÇÃO DO SANITARISTA NA VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL DIANTE DAS MÚLTIPLAS CRISES
Apresentação oral
1 FSP USP
Apresentação/Introdução
A Vigilância em Saúde Ambiental é definida (BRASIL, 2018) como ações e serviços que atuam no conhecimento e detecção de mudanças em aspectos determinantes e condicionantes do ambiente que interferem na saúde humana, com o objetivo de mitigar e monitorar fatores de riscos. Nessa perspectiva, é um campo complexo e atravessado por indicadores e marcadores sociais, que, dada a condição contemporânea adoecedora e exploratória, corpos e territórios são socialmente marginalizados e empurrados pela opressão e pela supremacia do capital. Diante disso, o Sanitarista surge como agente de transformação, que compreende fatores associados ao risco, exposição e às consequências para a saúde humana e o meio ambiente, sob uma ótica de cuidado frente ao colapso socioecológico, com base nos princípios do SUS e da Saúde Coletiva.
Objetivos
Refletir sobre a atuação do Sanitarista na Vigilância em Saúde Ambiental frente aos problemas socioambientais contemporâneos.
Metodologia
Trata-se de estudo descritivo e analítico, fundamentado em revisão bibliográfica na base de dados SciELO - Scientific Electronic Library Online. A pesquisa foi dividida em duas partes: inicialmente foi feita busca com os descritores “Sanitarista” e “Vigilância” e depois, a partir do descritor “Saúde Coletiva” somado com “Vigilância em Saúde Ambiental” e/ou “Vigilância Ambiental” - compreende-se, para fins desta pesquisa, Sanitarista conforme consta na Lei nº 14.725/2023 que regulamenta a profissão. Não foi estabelecido recorte temporal, sendo incluídas publicações disponíveis sobre a temática até o momento de realização da pesquisa, em português e inglês.
Resultados
Foram encontrados 18 resultados, com publicações entre 2005 e 2025. A partir da leitura dos resumos, identificou-se que apenas um artigo revela, a partir de um pensamento teórico-analítico, a atuação do Sanitarista frente aos processos de trabalho da Vigilância. Este texto, resultante da primeira parte da pesquisa, foi lido integralmente, observando-se que traça uma trajetória conceitual e empírica da virada do século XXI aos tempos atuais, à luz da justiça social e sanitária, com base no movimento sanitarista. Em contrapartida, praticamente todos os artigos revelaram estratégias de cuidado alinhadas aos princípios do SUS e ao trabalho do profissional formado em Saúde Pública, como: avaliações de risco e exposição ambiental, luta pela garantia de direitos fundamentais que assegurem determinantes da saúde, análise crítica de indicadores, desenvolvimento de ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde, além da disseminação da informação.
Os resultados da coleta foram divididos em quatro blocos: Reflexão Teórica (6), que abordou aspectos epistemológicos, como a transição paradigmática a partir de experiências interdisciplinares e socialmente engajadas em torno da análise e prevenção de acidentes e desastres, ações comunitárias decoloniais de vigilância popular, associação entre ar contaminado por agrotóxicos e desfechos específicos, noções de biopolítica e governamentalidade, e análise crítica do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde; Avaliação de Indicadores (3), voltada a pesquisas de associação entre níveis de exposição e desfechos; Metodologia de Trabalho (4), com estudos que analisam aspectos do trabalho em saúde, territorialização, vinculação, responsabilidade e planejamento local; e, por fim, Instrumentos Técnicos (5), que compõem o trabalho da Vigilância por meio de programas, redes e modelos de análise de risco.
Discussão
Em relação às limitações da pesquisa, é importante destacar que a utilização de apenas uma única base de dados pode ser restritiva. Diante disso, não significa que não existam ações e espaços sendo ocupados pelos profissionais, dado que dentre os próprios autores dos textos existem especialistas em Saúde Pública.
Conclusões/Considerações
Por fim, o estudo convoca à reflexão sobre o espaço de atuação do Sanitarista, revelando também necessidades de incentivo à ocupação de espaços institucionais e abertura de possibilidades, além da defesa por concursos públicos, com enfoque na Vigilância em Saúde, dado que ele historicamente atua na consolidação do SUS.
INTEGRAÇÃO E INOVAÇÃO? ANÁLISE CRÍTICA DO PLANO DE AÇÃO CONJUNTA EM SAÚDE ÚNICA 2022–2026
Apresentação oral
1 USP
Apresentação/Introdução
O Plano de Ação Conjunto em Saúde Única (2022–2026), articulado pela Colaboração Quadripartite para Saúde Única (Organização Mundial da Saúde-OMS, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura-FAO, Organização Mundial de Saúde Animal-OMSA e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente-PNUMA), reafirma a necessidade de uma abordagem integrada para equilibrar a saúde humana, animal e dos ecossistemas. Em 2023, o Painel de Especialistas de Alto Nível em Saúde Única, órgão científico e estratégico de assessoramento da Colaboração, definiu Saúde Única como uma abordagem integrada destinada a equilibrar e otimizar de forma sustentável a saúde humana, animal e dos ecossistemas, reconhecendo sua interdependência e mobilizando múltiplos setores para enfrentar ameaças sanitárias e ambientais. Embora a retórica institucional promova a indissociabilidade entre saúde e ambiente, observam-se tensões conceituais e limitações operacionais significativas, especialmente no que tange ao tratamento dado aos determinantes ambientais. A integração proposta muitas vezes se distancia da complexidade sistêmica defendida pela ecologia da saúde, reduzindo o meio ambiente a um suporte biológico ou fonte de riscos sanitários.
Objetivos
Analisar criticamente o Plano de Ação Conjunto em Saúde Única (2022–2026), com foco na inserção do eixo de saúde ambiental, examinando os pressupostos epistêmicos e os enquadramentos conceituais que orientam sua operacionalização.
Metodologia
Pesquisa qualitativa com base em análise de conteúdo do Plano de Ação Conjunta de Saúde Única 2022-2026. Foram identificados os pressupostos epistêmicos do construto denominado saúde única no Plano, bem como o enquadramento conceitual conferido aos termos “saúde ambiental” e “meio ambiente”.
Resultados
A análise evidencia uma dissociação entre o princípio discursivo de indissociabilidade das dimensões da saúde — central à formulação de Saúde Única — e seu desdobramento conceitual e operacional no Plano. A terminologia adotada desde o subtítulo (“Trabalhando juntos para a saúde dos humanos, dos animais, das plantas e do meio ambiente”), revela um enquadramento fragmentado da biodiversidade, com ênfase em animais e plantas como reservatórios de agentes infecciosos. A maior parte das ações prioriza a prevenção e o controle de doenças infecciosas, especialmente zoonoses. A Ação 6, intitulada “Integrar o meio ambiente à Saúde Única”, explicita uma tensão conceitual ao propor a incorporação do meio ambiente como eixo específico, sugerindo que a dimensão ambiental não está plenamente integrada de forma transversal na operacionalização da abordagem.
Discussão
O Plano revela limites conceituais da abordagem Saúde Única no tratamento da saúde ambiental, contrastando com o acúmulo teórico da saúde coletiva sobre saúde e ambiente. Embora discursivamente apresentada como intrinsecamente integradora, a abordagem tende a tratar o meio ambiente e a saúde ambiental como domínio a ser incorporado posteriormente, e não como determinante constitutivo desde sua formulação conceitual, o que por si só revela a inexistência de integração e inovação na abordagem, bem como suas limitações diante da complexidade da realidade.
Conclusões/Considerações
É imperativo aprofundar esse escrutínio crítico, sob pena de substituirmos conceitos consolidados no arcabouço normativo do Sistema Único de Saúde (SUS) por formulações tecnocráticas que, embora integradoras no discurso, mantêm-se limitadas em sua capacidade de enfrentar os determinantes socioambientais das doenças.
GUIA DE VIGILÂNCIA POPULAR EM SAÚDE E EMERGÊNCIAS CLIMÁTICAS
Apresentação oral
1 Fiocruz Ceará
2 MST/RS e Assentamento Santa Rita de Cássia II
3 Movimento Potigatapuia/ Ceará
4 Ministério da Saúde
5 Fiocruz - Presidência
Introdução
As emergências climáticas têm exigido dos sistemas de saúde respostas efetivas frente a um contexto de situações extremas que tem seus impactos potencializados pela desigualdade social e pela falta de equidade nas políticas públicas. Temos denominado vigilância popular em saúde como práticas de vigilância com protagonismo popular na defesa da vida a partir de uma perspectiva emancipatória. Além da produção de dados com controle de todo processo, ou seja, desde a geração até a análise e implementação de ações, essa vigilância utiliza tecnologias sociais de levantamento de dados e de comunicação popular. A vigilância popular em saúde tem evidenciado que por meio do protagonismo popular e de ações emancipatórias potencializa o cuidado com a saúde e com o planeta.
Objetivos
Desenvolvimento de um Guia de Vigilância Popular em Saúde e Emergências Climáticas.
Processo de produção com período de realização
Se deu no contexto de uma pesquisa-ação-emancipatória integrada por representantes da academia, movimentos sociais, entidades, organizações comunitárias e sistemas de saúde. Foram selecionadas duas experiências: um território rural camponês atingido por enchente e uma aldeia indígena, atingida por seca e estiagem. Por meio de oficinas nacionais e territoriais realizadas até maio de 2025 foram discutidos os conceitos e práticas da Vigilância Popular diante das emergências climáticas sob a ótica dos atores envolvidos. Estratégias como círculos de cultura e mapeamento participativo contribuíram para a elaboração de planos de ação.
Resultados
O conteúdo foi estruturado para proporcionar uma leitura fluida e inspiradora, combinando poesia, narrativas territoriais, conceitos-chave, ferramentas metodológicas, ilustrações, fotografias e recomendações para a ação. Cada seção evidencia elementos essenciais para compreender e aplicar a Vigilância Popular em Saúde (VPS) nos territórios. O processo envolveu 48 autores e 95 colaboradores, incluindo especialistas, representantes do sistema de saúde em todos os níveis e líderes comunitários/movimentos populares.
Análise crítica e impactos sociais do produto relacionados aos temas do congresso
Mais do que um manual, o Guia é um instrumento político-pedagógico que valoriza o protagonismo das comunidades, a diversidade de saberes e o diálogo entre povos, movimentos sociais, academia e sistemas públicos de saúde. O Guia evidencia como esses sujeitos constroem a Vigilância Popular em Saúde como estratégia para enfrentar as emergências climáticas, integrando saberes populares e científicos. Ele apresenta conceitos essenciais — como justiça climática, bem viver, determinação social da saúde, educação popular e ecologia de saberes — e os conecta às experiências e ao cotidiano dos territórios.
Impacto social: O Guia de Vigilância Popular em Saúde e Emergências Climáticas já conta com uma produção impressa de 10.000 exemplares para ser distribuída na base do SUS pelo Ministério da Saúde.
ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS E IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS NA VILA BOM JESUS, CANAÃ DOS CARAJÁS (PA)
Apresentação oral
1 UNIFESSPA
2 UFPA
Apresentação/Introdução
A Vila Bom Jesus, localizada a aproximadamente 34 km do município de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, surgiu na década de 1980 a partir da ocupação de camponeses e garimpeiros. Nas últimas décadas, a comunidade tem sido impactada pela expansão da mineração de cobre associada ao Projeto Sossego, operado pela empresa Vale S.A. Esse processo tem provocado mudanças nas condições ambientais, nas formas de uso do território e nas atividades produtivas locais. Tais transformações repercutem diretamente nas condições de vida da população, especialmente no que se refere às dinâmicas do desenvolvimento rural e aos efeitos socioambientais associados à atividade mineradora.
Objetivos
Analisar as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural na Vila Bom Jesus, no município de Canaã dos Carajás (PA), com ênfase nos impactos socioambientais da atividade mineradora e suas decorrências nas condições de vida e saúde da população local.
Metodologia
A pesquisa adotou abordagem qualitativa e quantitativa, com coleta de dados realizada entre os dias 15 e 26 de abril de 2023. O estudo envolveu moradores das áreas urbana e rural da Vila Bom Jesus, totalizando 210 participantes, sendo 79 residentes da zona rural e 131 da zona urbana. Foram utilizadas diferentes técnicas de investigação, incluindo revisão bibliográfica e análise documental (Plano Diretor, EIA-RIMA, e outros documentos institucionais), entrevistas com colonos, representantes da empresa e de órgãos públicos, além da aplicação de formulários junto aos moradores da área pesquisada. Também foram realizadas observações diretas e registros fotográficos da infraestrutura local e dos impactos associados à mineração. A pesquisa incorporou elementos da pesquisa participante e da pesquisa-ação, buscando envolver a comunidade no processo investigativo. Os dados quantitativos foram organizados em gráficos e tabelas, enquanto os qualitativos permitiram analisar as percepções dos moradores sobre as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural. O estudo seguiu as normas éticas para pesquisa com seres humanos, garantindo consentimento informado e anonimato dos participantes.
Resultados
Os dados indicam impactos socioambientais associados à atividade mineradora, entre eles poluição do ar, rachaduras em residências, contaminação do rio Parauapebas e restrições de acesso a áreas tradicionalmente utilizadas para pesca, agricultura e coleta de recursos naturais. Essas mudanças têm afetado as atividades econômicas locais, especialmente a produção agrícola e a pesca. Moradores também relataram preocupações relacionadas à saúde, como problemas respiratórios associados à poeira e insegurança quanto à qualidade da água utilizada para consumo. Além disso, foram mencionadas dificuldades na comercialização da produção agropecuária, em razão da dependência de atravessadores e da ausência de assistência técnica rural.
Discussão
Os achados indicam que a expansão da atividade mineradora tem produzido transformações importantes no território da Vila Bom Jesus, afetando as formas de uso dos recursos naturais e as estratégias de reprodução social da população local. A redução das atividades agrícolas e ribeirinhas, associada às mudanças ambientais e às dificuldades de comercialização da produção, evidencia desafios para o desenvolvimento rural da comunidade. Além disso, as preocupações relacionadas à qualidade do ar e da água apontam para a necessidade de considerar de forma mais ampla as relações entre mineração, ambiente e saúde nas políticas públicas voltadas para o território. As percepções relatadas pelos moradores também revelam inseguranças quanto à continuidade de práticas produtivas tradicionais e às condições ambientais necessárias para sua manutenção, o que demonstra que as transformações econômicas associadas à mineração repercutem diretamente na dinâmica social e nas formas de subsistência da comunidade.
Conclusões/Considerações
A pesquisa evidencia limites das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural na região, especialmente quanto ao apoio à agricultura familiar e à proteção ambiental. Destaca-se a necessidade de ampliar a participação social e fortalecer políticas que considerem as demandas locais, contribuindo para melhores condições de vida, saúde e sustentabilidade no território.
FIOPROSAS: ARTICULAÇÃO INSTITUCIONAL E APORTES TÉCNICOS EM SAÚDE, AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE
Apresentação oral
1 FIOCRUZ - VPAAPS
Contextualização
O Programa Institucional de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade da Fiocruz (FioProsas) foi concebido como arranjo estratégico para integrar agendas relacionadas à determinação socioambiental da saúde. Em contexto de intensificação dos riscos climáticos, ampliação das exposições ambientais e persistência de desigualdades territoriais, o FioProsas se consolida como instância de coordenação, estruturando respostas técnico-científicas em diálogo com territórios e movimentos sociais, com foco na redução de iniquidades e na justiça socioambiental.
Entre seus principais mecanismos de operacionalização, destacam-se os Grupos de Trabalho (GTs) concebidos como dispositivos de articulação entre produção de conhecimento, cooperação técnica e incidência em políticas públicas, favorecendo a integração entre agendas científicas e demandas dos territórios.
Descrição da Experiência
Os GTs do FioProsas foram instituídos por portarias que definem objetivos e funcionamento, assegurando a coerência institucional, como apoio do documento técnico de operacionalização para organização da governança e da articulação das agendas.
Constituem espaços permanentes de articulação interdisciplinar entre unidades da Fiocruz, com atividades de produção de técnica, apoio a decisões e interlocução com políticas públicas e sociedade civil, orientadas por Termos de Referência com prioridades e estratégias.
Objetivo e período de Realização
O presente relato tem como objetivo sistematizar os aprendizados institucionais decorrentes da atuação dos GTs do FioProsas, entre 2024 a 2025, com foco em suas contribuições para políticas públicas em saúde, ambiente e sustentabilidade.
Resultados
O período analisado foi marcado pela consolidação dos GTs como espaços de produção técnico-científica, articulação com incidência nas agendas de saúde, ambiente e sustentabilidade, evidenciando a capacidade de converter acúmulos científicos em subsídios para políticas públicas.
No GT Clima e Saúde, destacaram-se contribuições à agenda nacional de adaptação climática e à elaboração do Plano Clima e Saúde da Fiocruz e da Carta Aberta para a COP30.
No GT Água e Saneamento, produziram-se contribuições técnicas a processos regulatórios, com destaque para a Oficina de Saneamento Indígena, que favoreceu a integração intersetorial e a construção de referenciais sobre saneamento e saúde.
No GT Agrotóxicos, foram elaboradas notas técnicas e posicionamentos sobre o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) e a pulverização aérea, em articulação com a Abrasco, contribuindo para qualificar o debate público e fortalecer interlocuções em vigilância em saúde e na regulação de exposições ambientais.
As agendas dos GTs Qualidade do Ar e Biodiversidade produziram subsídios técnicos sobre exposições ambientais e seus impactos na saúde, destacando-se a Semana do Ar Limpo, o debate sobre qualidade do ar interno, a mobilização para o Edital Simbiose/CNPq e contribuições à COP30.
No GT Mercúrio, destacaram-se contribuições ao Plano Integrado de Vigilância em Saúde de Populações Expostas ao Mercúrio, com ações em territórios vulnerabilizados; cooperação com o Ministério Público Federal no enfrentamento da contaminação na Bacia do Tapajós, a mobilização de capacidades da Fiocruz e a inserção em agendas nacionais, como a iniciativa para eliminação da exposição ao chumbo.
Em perspectiva transversal, os GTs ampliaram a integração temática, fortaleceram a sistematização e qualificaram a inserção da Fiocruz nas agendas públicas, em articulação com territórios, movimentos sociais e saberes tradicionais, com foco na redução de iniquidades, no fortalecimento do SUS e na promoção da justiça socioambiental.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência demonstrou que estruturas orientadas à integração temática são estratégicas para agendas complexas. Os GTs ampliaram a articulação institucional e a produziram subsídios técnico-científicos para políticas públicas e planejamento governamental.
Destacam-se aprendizados relacionados à coordenação, à governança e à sistematização das iniciativas, fortalecendo a capacidade de resposta frente aos riscos ambientais.
Persistem desafios de integração e sustentabilidade operacional, mas o FioProsas amplia a capacidade da Fiocruz de produzir conhecimento com impacto social, apoiar o SUS e qualificar políticas públicas em saúde, ambiente e sustentabilidade.
REFLETINDO SOBRE MODELOS DE ENFRENTAMENTO DE ENDEMIAS
Apresentação oral
1 1Agentes de Combate às Endemias/Guardas de Endemias do Estado do RJ.; 2Projeto Integrador Multicêntrico: Estudo do impacto à saúde de Agentes de Combate às Endemias/Guardas de Endemias (ACE) pela exposição a agrotóxicos no Estado do Rio de Janeiro, Centro
2 3 Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente (Fiocruz/Ensp/PSPMA). Rio de Janeiro, RJ.; 4 Coordenadora da Vigilância em Saúde do município de Matinhos, PR.
3 5GT Agrotóxicos Fiocruz. Rio de Janeiro, RJ.; 6Rede Interseccional Saúde Reprodutiva e Agrotóxicos.; 7GT Saúde e Ambiente da Abrasco.; 8 Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos na Saúde e no Ambiente.
4 2Projeto Integrador Multicêntrico: Estudo do impacto à saúde de Agentes de Combate às Endemias/Guardas de Endemias (ACE) pela exposição a agrotóxicos no Estado do Rio de Janeiro, Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, Escola Nacional
5 6Rede Interseccional Saúde Reprodutiva e Agrotóxicos.; 9 Superintendente da Vigilância em Saúde do município do Rio Grande, RS.; 10 GT Educação Popular e Saúde da ABRASCO.
Contextualização
Historicamente, os/as trabalhadores de endemias têm papel central nas estratégias de enfrentamento de arboviroses no país. A categoria de agentes/guardas de combate a endemias (ACE) também se constituiu em um grupo de trabalhadores de grande preocupação para a saúde pública pela elevada exposição aos agrotóxicos usados em seu processo de trabalho, seja no Ultra baixo Volume/UBV, popularmente conhecido como fumacê, ou nas recentes estratégias de Borrifação Residual Intradomiciliar/BRI. Infelizmente, o modelo de combate de endemias empregado no país sempre foi centrado no uso de venenos, químico-dependente, e o quadro de adoecimento dos trabalhadores que vemos hoje é o resultado desse processo, que precisa urgentemente ser modificado. A estratégia ‘mosquitocêntrica’ - focada apenas no combate aos vetores e ainda dependente de agrotóxicos - empregada em nível nacional, mostra-se incapaz de resolver o problema. As arboviroses tornam-se endêmicas e continuam causando quadros epidêmicos de adoecimento e morte das populações, como a explosão do número de casos de velhas e novas doenças como dengue, circulação recente do vírus da chikungunya e do zika vírus, transmitidos pelo mesmo vetor, o Aedes. Esse modelo, com uso sistemático de agrotóxicos comprados de algumas poucas empresas de países do Norte global, vários dos quais com uso restrito ou já banidos nestes países, gera um círculo de envenenamento, movimento denominado pela pesquisadora Larissa Bombardi de "colonialismo químico". Também a falta de informação, saneamento e a má qualidade dos serviços básicos são, de fato, os maiores desafios para o controle das arboviroses.
Descrição da Experiência
Atualmente, experiências bem-sucedidas de controle do Aedes sem venenos estão em andamento em diversas cidades, estados e regiões do país (Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Nordeste) com foco na vigilância e educação em saúde desenvolvida pelos ACE com populações dos territórios. Estas experiências, assim como críticas ao modelo dependente de agrotóxicos para combate a endemias, têm sido discutidas entre ACE, gestores, sindicalistas e pesquisadores em Lives chamadas “Refletindo sobre Modelos de Enfrentamento de Endemias”, por meio de Instagram, visando à ampliação do alcance.
Objetivo e período de Realização
Essa estratégia tem sido testada desde final de 2025 como construção para troca dessas experiências desenvolvidas como propostas para substituir o uso de agrotóxicos e discussão das dificuldades e formas de como contorná-las e enfrentá-las.
Resultados
As ações de prevenção de arboviroses de longo prazo, focadas no saneamento ambiental, controle mecânico e biológico, educação e vigilância em saúde são alternativas mais seguras à saúde e ambiente se comparadas ao chamado “combate” químico-dependente para o efetivo controle vetorial. Há êxito no modelo baseado no trabalho técnico e conhecimento entomológico dos ACE, focando em ações coletivas, quebrando o ciclo biológico dos vetores de forma eficaz, sem o uso de venenos, com visitas domiciliares, monitoramento ambiental, delimitação de focos, eliminação mecânica de criadouros, uso de ovitrampas, telas para vedação de reservatórios de água para consumo e controle biológico empregando manejo de espécies participantes do ciclo dos vetores.
Aprendizado e Análise Crítica
Ações de educação em saúde e mobilização comunitária (em escolas, feiras, rádios, redes sociais, promovendo a participação da população na eliminação de criadouros), articulação e integração intersetorial, em luta com melhoria do acesso a saneamento no país. Imprescindível resgatar o emblemático caso de município brasileiro de Pedra Branca, no Ceará, que alcançou a ausência de transmissão local de dengue por, no mínimo, uma década, sem uso de venenos, consolidando-se como um modelo de gestão e ação em saúde pública, mas que infelizmente retrocedeu. A iniciativa consistiu na transição de um modelo de ações pontuais e campanhistas para uma abordagem permanente e de longo prazo de controle de endemias, com a participação da comunidade com ações integradas e intersetoriais, de prevenção e proteção ambiental, sem uso de agrotóxicos.
VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL: APRENDIZADOS DE UMA EXPERIÊNCIA NO TERRITÓRIO DE MARABÁ, PARÁ
Apresentação oral
1 Unifesspa - Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
2 Secretaria Municipal de Saúde de Marabá/PA, Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Endemias
Contextualização
Desde a sua criação em 2014, o Curso de Graduação em Saúde Coletiva (CGSC) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) tem buscado, por meio da integração ensino-serviço-comunidade com a Secretaria Municipal de Saúde de Marabá/PA (SMS-Mab), apoiar na construção do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do paradigma da Promoção da Saúde.
Para tanto, busca a articular com os setores da Vigilância em Saúde projetos de pesquisa, extensão e ensino. Na dimensão da formação técnico-profissional, tem sido desenvolvido o Estágio Obrigatório Supervisionado I e II no último ano do curso, com a inserção dos graduandos em campos diversificados de aprendizagem, seja para colaborar com os processos de trabalho já rotineiros, seja para apoiar no desenvolvimento de novas ações que potencializem a concretização da missão institucional. Um dos campos de estágio é o Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Endemias (VAE), por já contar com um preceptor que é sanitarista egresso do curso e coordena o setor.
Descrição da Experiência
Durante o período de estágio foram acompanhadas e desenvolvidas diversas atividades relacionadas ao monitoramento de doenças endêmicas com a participação no Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), vigilância da qualidade da água para consumo humano do Programa VigiÁgua, ações de educação em saúde ambiental no ambiente escolar fortalecendo o Programa Saúde na Escola, investigações epidemiológicas com ênfase na malária e intoxicação alimentar e a participação em campanhas de vacinação, como a antirrábica.
Objetivo e período de Realização
Descrever e refletir sobre as atividades desenvolvidas durante o estágio supervisionado do CGGS no VAE/SMS-Mab, realizado entre agosto e dezembro de 2025.
Resultados
Algumas das atividades desempenhadas já foram traçadas no início do período do estágio (como a vigilância entomológica e a análise dos dados no SISÁGUA), enquanto outras emergiram ao longo do processo, como a necessidade de pensar a vigilância da malária, referente aos casos alóctones que foram notificados no município.
As atividades eram supervisionadas cotidianamente pelo preceptor, bem como semanalmente pela professora tutora. Além disso, o diálogo permanente com os demais profissionais do setor, como os Agentes de Combate às Endemias e os Técnicos de Laboratório, propiciou o aprendizado na prática sobre o trabalho em equipe, fortalecendo a análise coletiva sobre o processo de trabalho, bem como a sustentabilidade das ações.
Aprendizado e Análise Crítica
O estágio possibilitou a articulação entre teoria e prática, ampliando a compreensão sobre o papel do SUS na promoção da saúde da população. A experiência também evidenciou desafios estruturais relacionados aos determinantes sociais em saúde e a necessidade de maior sensibilização da população para ações preventivas, reforçando a importância da vigilância popular de base territorial e do trabalho intersetorial para fortalecer as ações da vigilância em saúde.
A estratégia de integração ensino-serviço permitiu o desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes, articulando as três áreas previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais do CGSC: atenção à saúde, educação em saúde e gestão em saúde.
Ainda que o “SUS que queremos” esteja distante do “SUS que temos”, o processo de reflexão-ação-reflexão engendrado durante todo o período do estágio permitiu uma aprendizagem significativa, inserido a perspectiva do sanitarista como um trabalhador social que deve propor inéditos-viáveis a partir da análise crítica dos aspectos contextuais para uma atuação inventiva que se dê a partir da co-laboração dialógica intra e intersetorial.
APRESENTAÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO INTITULADO VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO
Apresentação oral
1 Fiocruz
2 ABES/SC
3 UFRJ
Introdução
A Organização Mundial da Saúde/OMS preconiza que o acesso à água potável é fundamental para a saúde, um dos direitos humanos básicos e um componente de políticas efetivas de proteção à saúde. As doenças relacionadas à contaminação da água têm um grande impacto na saúde da população, aumentando a demenda pelo atendimento no SUS.
No Brasil, é do Ministério da Saúde a competência da vigilância da qualidade da água. A norma em vigor é a Portaria GM/MS Nº 888, de 4 de maio de 2021, que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, definindo como competências da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, promover a formação em vigilância da qualidade da água para consumo humano para os profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde/SUS.
A necessidade de formação apontada na portaria reforça a importância da elaboração de material didático no tema, o que foi possível, com o apoio do Ministério da Saúde. O livro Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano está disponível em: https://25anos.ead.fiocruz.br/materiaisead/outros-materiais/vigilancia-da-qualidade-da-agua-para-consumo-humano/livro-texto/Livro-Completo.pdf
Vale ressaltar que o livro apresenta em um de seus capítulos o Plano de Segurança da Água/PSA, que é o meio mais eficaz para garantir sistematicamente a inocuidade da água potável e proteger a saúde pública. É uma metodologia de gestão de riscos, um componente-chave do marco para a segurança da água potável descrito nos Guias de Qualidade da Água Potável, da OMS (3ª edição, 2004).
Objetivos
O objetivo da publicação é fortalecer a capacidade técnica dos profissionais envolvidos com a vigilância da qualidade da água para consumo humano nos municípios, de forma a contribuir para a saúde da população, para a garantia do direito à água, à implementação e à operacionalização das normas de qualidade da água e suas atualizações.
Processo de produção com período de realização
A produção do material iniciou-se com a construção do termo de referência do curso, elencando os tópicos a serem abordados com o objetivo de qualificar os servidores do setor saúde responsáveis pela vigilância da qualidade da água. Realizaram-se oficinas de autores com apoio e orientação dos profissionais da Coordenação de Desenvolvimento Educacional e Educação a Distância/CDEAD/ENSP/Fiocruz.
O desenvolvimento das atividades dessa publicação ocorreu no período de fevereiro a dezembro de 2021, período de enfrentamento da pandemia COVID 19.
Resultados
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A parceria com os profissionais do CDEAD foi importante para o resultado positivo do processo. Foi um desafio e um aprendizado para os autores a elaboração dos textos para um livro didático no formato de ensino EaD.
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Esta publicação teve uma tiragem impressa distribuída para alunos, prefeituras, eventos e também divulgada pelo acesso virtual.
Espera-se que essa publicação alcance os profissionais que atuam nas secretarias estaduais e municipais envolvidos com a vigilância da qualidade da água para consumo humano, representações da sociedade relacionados ao tema de água e saneamento, membros de comitês de bacias hidrográficas, conselhos municipais de saneamento, associações de classes do setor de
saneamento, dentre outro público interessado no tema.
Análise crítica e impactos sociais do produto relacionados aos temas do congresso
Esta publicação contribui para o atendimento ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de número 6, que é “Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todas e todos”, em especial à meta: 6.1 “Até 2030, alcançar o acesso universal e equitativo a água potável e segura para todos”.
Em tempos de emergência climática, podendo ocorrer secas severas, grandes inundações e, diante da “falência hídrica global”, a vigilância da qualidade da água torna-se imprescindível para evitar agravos à saúde da população. Este evento é uma oportunidade para a divulgação dessa publicação que, embora apresente questões técnicas, tem uma abordagem simples e acessível.
AVALIAÇÃO DE RISCO À SAÚDE HUMANA E INTERCULTURALIDADE: DESAFIOS METODOLÓGICOS NA BACIA DO PARAOPEBA
Apresentação oral
1 UFMG
2 SES/MG
Introdução
A avaliação de risco à saúde humana constitui uma importante ferramenta na gestão de áreas contaminadas e na vigilância em saúde ambiental (Freitas, 2002). No entanto, a literatura internacional tem demonstrado que os modelos convencionais de Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana (EARSH) apresentam limitações quando aplicados a povos indígenas e comunidades culturalmente diferenciadas, pois tendem a desconsiderar dimensões territoriais, alimentares e cosmológicas que estruturam seus modos de vida (Buell et al., 2020; Chong, 2024; Chong, 2025). Em países como Canadá e Estados Unidos, esse debate tem impulsionado o desenvolvimento de abordagens metodológicas que integram conhecimentos indígenas, indicadores socioculturais de saúde nos processos de avaliação de risco. Por outro lado, no Brasil, a discussão permanece incipiente. A produção científica nacional concentra-se predominantemente em estudos de exposição a contaminantes (Vasconcellos et al., 2021; Farinchon e Castilhos, 2024). No contexto do desastre da barragem de Brumadinho (MG), que desencadeou a realização de EARSH na bacia do rio Paraopeba, emergiu também o debate sobre a participação de povos e comunidades tradicionais nesses processos (Laguardia et al., 2023). Embora iniciativas institucionais tenham buscado garantir mecanismos de participação social, permanece o desafio de qualificar epistemologicamente essa participação, incorporando perspectivas interculturais capazes de dialogar com diferentes sistemas de conhecimento e concepções de saúde e território.
Objetivos
Sistematizar, a partir da literatura nacional e internacional e da experiência da bacia do rio Paraopeba, subsídios metodológicos para qualificar a participação de povos e comunidades tradicionais em estudos de avaliação de risco à saúde humana.
Processo de produção com período de realização
O estudo integra a elaboração de um relatório técnico sobre vulnerabilidades em saúde e adequação sociocultural da avaliação de risco para povos e comunidades tradicionais atingidos pelo desastre de Brumadinho. Esse produto se insere em um processo institucional mais amplo de incorporação desses povos nos Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana (EARSH) realizados na bacia do rio Paraopeba desde 2019. Busca avançar na qualificação metodológica e epistemológica dessa participação. Para sua elaboração, foram realizadas revisões exploratórias de literatura científica e técnica nacional e internacional, utilizando os descritores “avaliação de risco à saúde humana” e “povos indígenas”, em português e inglês, além da análise de relatórios institucionais e documentos técnicos relacionados aos EARSH conduzidos na bacia do rio Paraopeba.
Resultados
A revisão bibliográfica e documental indicou que modelos quantitativos genéricos frequentemente falham em capturar vulnerabilidades múltiplas e sobrepostas presentes entre povos indígenas e comunidades tradicionais. A literatura internacional evidencia avanços na construção de abordagens metodológicas voltadas à adaptação da avaliação de risco a contextos indígenas, com destaque para experiências desenvolvidas nos EUA e Canadá. Essas abordagens apontam para a necessidade de transição de modelos científicos predominantemente top-down para perspectivas mais colaborativas, nas quais o Conhecimento Ecológico Tradicional e a ciência ocidental coexistem em processos de produção de conhecimento compartilhado. No Brasil, por outro lado, observa-se uma lacuna significativa na consolidação desse campo de pesquisa. A produção científica permanece concentrada em estudos focados na mensuração de exposição a contaminantes, sem o desenvolvimento sistemático de abordagens interculturais de avaliação de risco.
Análise crítica e impactos sociais do produto relacionados aos temas do congresso
Os resultados apontam para a necessidade de avançar na construção de abordagens interculturais de avaliação de risco à saúde humana no Brasil. A comparação com experiências internacionais evidencia o descompasso entre o avanço teórico-metodológico observado em países como o Canadá e a incipiente incorporação dessas perspectivas no contexto brasileiro. No caso da bacia do rio Paraopeba, a inclusão de povos e comunidades tradicionais nos EARSH revela não apenas desafios institucionais de participação, mas também desafios epistemológicos relacionados à produção do conhecimento em saúde ambiental.
IMPLANTAÇÃO DA PRIMEIRA UNIDADE SENTINELA DO PROGRAMA VIGIAR NO ESTADO DO CEARÁ
Apresentação oral
1 SESA
2 SMS
Contextualização
Contextualização: No contexto atual, a poluição do ar é reconhecida como uma das principais ameaças ambientais à saúde humana. De acordo com a (WHO), a exposição à poluição atmosférica é responsável por aproximadamente 7 milhões de mortes por ano em todo o mundo. Além dos impactos diretos na saúde da população, esse problema também provoca prejuízos à economia e ao meio ambiente, sendo considerado um problema de saúde pública.
Descrição da Experiência
Descrição da experiência: A implantação da primeira Unidade Sentinela do Programa de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (VIGIAR) no estado do Ceará representa um avanço no monitoramento da exposição a poluentes atmosféricos e de seus efeitos na saúde, contribuindo para a produção de informações que subsidiem ações de vigilância, prevenção e promoção a saúde. A iniciativa foi conduzida pela Secretaria da Saúde do Ceará, em parceria com o Ministério da Saúde e com o município de Caucaia, tendo como local de implantação a UAPS Maria Ferreira do Nascimento. A seleção da unidade considerou critérios do Programa VIGIAR, como a localização em área potencialmente exposta a fontes de poluição atmosférica e a capacidade de atendimento à população local. Destaca-se a proximidade com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém e o atendimento à comunidade de Matões, território com potencial exposição a a saúde humana associados às atividades do entorno. A implantação ocorreu por meio de uma oficina de formação com profissionais da rede local de saúde, apresentações técnicas e debates sobre os impactos da poluição atmosférica na saúde, com o objetivo de qualificar as equipes para o reconhecimento, registro e monitoramento de agravos potencialmente associados à exposição a poluentes atmosféricos.
Objetivo e período de Realização
Objetivo e período da realização:Nesse contexto, a implantação da unidade sentinelas torna-se fundamental para monitorar a relação entre poluição atmosférica e os agravos a saúde no território, contribuindo para o fortalecimento da vigilância em saúde ambiental e para prevenção de doenças, respiratórias e cardiovasculares. A ação foi implantada no final do segundo semestre de 2025 e continua em atividades até a presente data.
Resultados
Resultados: Foram analisados os registros provenientes da Unidade Sentinela do Programa VIGIAR, coletados por meio de ficha de notificação eletrônica (Google Forms), observando-se maior frequência de atendimentos entre idosos acima de 60 anos (37,5%), seguidos por crianças (37,5%) e adultos em idade produtiva (25%). Os achados indicam maior frequência de entre idosos e crianças, mais vulneráveis à poluição atmosférica. Os resultados reforçam a importância do monitoramento contínuo das condições de saúde em territórios com potencial exposição a poluentes atmosféricos, contribuindo para o fortalecimento das ações de Vigilância em Saúde Ambiental.
Aprendizado e Análise Crítica
Aprendizado e Análise Crítica: A implantação da Unidade Sentinela representa um avanço para a Vigilância em Saúde Ambiental ao permitir a produção de informações estratégicas sobre agravos respiratórios associados à qualidade do ar e ao fortalecer o monitoramento da saúde de grupos mais vulneráveis. A iniciativa também amplia a integração com a Atenção Primária à Saúde, favorecendo a articulação entre níveis de gestão, a qualificação das equipes e o diálogo intersetorial entre saúde e meio ambiente. Entretanto, persistem desafios para o aprimoramento da estratégia, destacando-se a ausência de monitoramento ambiental sistemático no território por parte dos órgãos ambientais, o que limita análises mais consistentes sobre a relação entre exposição a poluentes atmosféricos e seus efeitos na saúde. Nesse contexto, o fortalecimento da articulação intersetorial e da integração entre os setores de saúde e meio ambiente é fundamental para a construção de indicadores e análises de exposição e efeito, subsidiando ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e qualificação da atenção à saúde, além de contribuir para o fortalecimento das políticas públicas.
PLANEJAMENTO DE ENFRENTAMENTO DOS DETERMINANTES AMBIENTAIS DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO CENTRO-OESTE
Apresentação oral
1 ISC/UFMT
Apresentação/Introdução
A saúde das populações é influenciada por fatores sociais, econômicos e ambientais que compõem os determinantes sociais da saúde. Esses fatores estão relacionados às condições de vida e trabalho, ao acesso a bens e serviços e às oportunidades disponíveis na sociedade, influenciando a distribuição das doenças e das condições de saúde entre diferentes grupos populacionais.
No âmbito dos sistemas de saúde, instituições hospitalares também desempenham papel relevante no enfrentamento desses desafios, uma vez que suas práticas assistenciais e estratégias de gestão podem influenciar a organização da atenção à saúde e a qualidade do cuidado ofertado à população. Inserido nesse contexto social e territorial, o Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso (HU-UFMT), constitui importante referência de ensino, pesquisa e assistência em saúde para o estado de Mato Grosso.
Objetivos
Descrever as estratégias de gestão hospitalar para o enfrentamento dos determinantes ambientais do processo saúde-doença do HU-UFMT, de acordo com os instrumentos de planejamento e gestão deste serviço para o período de 2024 a 2028.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa documental, que busca analisar as estratégias de enfrentamento aos determinantes ambientais do processo saúde-doença planejadas pelo HU-UFMT presentes no Plano Diretor Estratégico (PDE) de 2024 a 2028. A coleta dos documentos de planejamento, contratualização e gestão do HU, de acesso público no site institucional do HU, e a análise de dados foi realizada em março de 2026 e listados de acordo com classificação temática.
Resultados
A análise dos documentos institucionais evidenciou que o PDE do HU-UFMT está estruturado a partir de pilares estratégicos definidos pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), entre os quais se destacam sociedade, responsabilidade ambiental, desenvolvimento institucional, sustentabilidade financeira e desenvolvimento do trabalhador. No âmbito do hospital, foram identificados macroproblemas institucionais relacionados à organização dos processos assistenciais, à infraestrutura hospitalar, à gestão das atividades de ensino e pesquisa e à governança institucional.
Discussão
Por mais que a instituição possua um PDE vigente, temas como o acompanhamento e a implementação do Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), que trata do manejo dos resíduos gerados em estabelecimentos de saúde, e do MGAH, que serve como modelo para a melhoria da maturidade da gestão hospitalar, tornam-se, assim, instrumentos importantes, porém não abordados neste PDE.
Evidencia-se que, embora o planejamento institucional do HU-UFMT busque responder a desafios estruturais relacionados à organização dos serviços hospitalares e à qualificação da assistência prestada à população, faz-se necessário discutir, de fato, os impactos ambientais e quanto a maturidade da gestão do serviço de saúde pode ocasionar de ônus para a sociedade.
Logo, faz-se necessário o uso das ferramentas comentadas para ampliar a capacidade de resposta do serviço às necessidades de saúde da população e aos fatores sociais e ambientais que influenciam o processo saúde-doença.
Conclusões/Considerações
Conclui-se que o HU-UFMT possui oportunidades de melhoria em seu PDE, podendo ampliar sua capacidade de enfrentamento dos determinantes ambientais do processo saúde-doença por meio da incorporação mais explícita de estratégias voltadas à gestão ambiental e à sustentabilidade institucional. Nesse sentido, o planejamento estratégico poderia contemplar ações relacionadas à redução do uso de prontuários físicos e à ampliação do uso do Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários, ao fortalecimento da implementação e do monitoramento do PGRSS para o gerenciamento adequado de resíduos e ao aprimoramento da maturidade da gestão hospitalar. Tais iniciativas tendem a reduzir os impactos ambientais produzidos pelos serviços de saúde, qualificar os processos assistenciais e contribuir para a proteção da saúde humana, ambiental e coletiva no território.
EXPERIENCIA DE INTEGRACION DISCIPLINAR DE UN CENTRO DE INVESTIGACION EN SALUD, COLOMBIA SUROCCIDENTE
Apresentação oral
1 Universidad de Nariño UDENAR
Contextualização
El Estatuto General de la Universidad de Nariño (UDENAR) establece que la investigación en las facultades debe organizarse a través de Centros de Investigación e Interacción Social (CIIS), con el propósito de impulsar el desarrollo regional. El CIIS de la Facultad Ciencias de la Salud fue el último en crearse, justo cuando la comunidad académica adelantaba la reforma del estatuto de investigación.
Descrição da Experiência
A partir del diálogo entre investigadores con trayectoria de trabajo colaborativo, se propuso conformar un centro con enfoque sistémico, adaptativo y co-creativo, reconociendo que la salud humana no se limita a la ausencia de enfermedad, sino que emerge de complejas interacciones entre factores biológicos, sociales, ambientales, económicos y políticos. Así nació el Centro de Estudios para la Salud y el Desarrollo Sostenible (CESADE), concebido como un espacio interdisciplinario. El proceso de creación se desarrolló en tres fases: elaboración de un borrador inicial con base en revisión documental y discusiones previas; realización de talleres con docentes y estudiantes para recoger aportes, evaluados mediante cribado y un panel transdisciplinario que los integró en un mapa de síntesis; y consolidación del documento final, socializado con la comunidad universitaria antes de su aprobación formal.
Objetivo e período de Realização
Crear y poner en marcha el CIIS en un plazo de seis meses.
Resultados
Se logró articular grupos, líneas y semilleros de investigación de disciplinas como Química, Matemáticas, Estadística, Arquitectura e Ingenierías (Agronómica, Electrónica y Civil), junto con los existentes en la Facultad de Ciencias de la Salud. Esta integración se organizó en torno a seis ejes estratégicos: One Health, seguridad alimentaria y nutricional, envejecimiento saludable, gestión sostenible de recursos naturales e investigación traslacional y tecnologías en salud.
La experiencia constituye un ejercicio significativo de gestión del conocimiento. El principal aprendizaje es haber demostrado la viabilidad de construir, en solo seis meses, una estructura inter y transdisciplinaria que no solo vincula a profesores y estudiantes de diversas áreas, sino que también convoca al sector productivo, tomadores de decisión y profesionales de la salud interesados en participar como cooperantes o beneficiarios. Esto ha permitido configurar un ecosistema de investigación e innovación en salud, donde el CESADE se alinea con desafíos contemporáneos.
Aprendizado e Análise Crítica
No obstante, el análisis crítico evidencia desafíos relevantes. La amplitud de los ejes estratégicos —seis en total— podría generar dispersión si no se prioriza una agenda clara. Aunque la financiación institucional garantiza el inicio, es necesario diversificar fuentes y consolidar alianzas externas para asegurar sostenibilidad e impacto regional. Además, la experiencia no detalla cómo se superaron las barreras epistemológicas propias del trabajo transdisciplinario, ni presenta indicadores concretos de interacción social con comunidades. El éxito del CIIS dependerá de su capacidad para traducir su estructura innovadora en soluciones tangibles para el territorio, manteniendo el equilibrio entre la integración disciplinar y la profundidad investigativa.
PROMOÇÃO DA SAÚDE E SUSTENTABILIDADE: AÇÃO EDUCATIVA SOBRE DESCARTE ADEQUADO DE RESÍDUOS EM TERRITÓRIO URBANO
Apresentação oral
1 UESB
Contextualização
A gestão inadequada de resíduos sólidos constitui um importante problema de saúde pública, estando associada à contaminação ambiental e à proliferação de vetores, o que contribui para o aumento de riscos sanitários à população. Nesse contexto, a Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) possui papel estratégico no desenvolvimento de ações educativas voltadas à sensibilização da população quanto às práticas sustentáveis e ao descarte adequado de resíduos. Além disso, a discussão dessas temáticas no âmbito da formação em saúde favorece a integração entre aspectos ambientais, sociais e sanitários.
Descrição da Experiência
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, referente à ação educativa desenvolvida por discentes da pós-graduação Stricto sensu em Ciências da Saúde de uma universidade pública do interior da Bahia, no âmbito da disciplina Vigilância em Saúde. A turma é composta por profissionais de diferentes áreas da saúde, incluindo enfermagem, fisioterapia, nutrição, farmácia e serviço social, contribuindo para uma abordagem multiprofissional na condução da ação. A atividade, intitulada “Ponto Certo: Traga seus Resíduos” foi realizada em uma praça pública de grande circulação de pessoas no município da universidade. A experiência envolveu orientações à comunidade sobre separação e destinação adequada de resíduos, além da coleta de materiais descartáveis trazidos pelos participantes. Entre os resíduos coletados destacam-se papel, plástico, papelão, metais, vidro, resíduos eletrônicos, embalagens diversas, cobre, alumínio, óleo de cozinha usado, medicamentos vencidos, caixas e bulas, além de materiais perfurocortantes. A ação também contou com o apoio da universidade, prefeitura municipal e cooperativa local de catadores, fortalecendo a articulação entre universidade, gestão pública e comunidade. Ressalta-se que os docentes da disciplina também se fizeram presentes e atuaram juntamente com os discentes durante a organização e realização da atividade. Por tratar-se de estudo sem identificação de participantes, dispensou-se a apreciação de Comitê de Ética em Pesquisa.
Objetivo e período de Realização
Relatar a experiência de discentes da pós-graduação Stricto sensu em Ciências da Saúde de uma universidade pública do interior da Bahia, na realização de uma ação educativa voltada à promoção do descarte adequado de resíduos e à sensibilização da população acerca dos impactos a nível ambiental e sanitário decorrentes do manejo inadequado desses materiais. A atividade foi realizada no dia 30 de outubro de 2025, compreendendo o período das 8 horas às 12 horas, em uma praça pública localizada na zona urbana do município.
Resultados
Observou-se significativa participação da população que transitava pelo local, demonstrando interesse nas orientações e contribuindo com a entrega de resíduos para destinação correta. Através da atividade, foi possível ampliar a compreensão da população sobre os riscos que estão relacionados ao descarte inadequado de resíduos e sobre a importância de práticas sustentáveis no cotidiano. Ademais, a ação possibilitou a interação entre profissionais de diversas áreas da saúde, propiciando a troca de conhecimentos e fortalecendo a perspectiva interprofissional na construção e realização de estratégias educativas voltadas à saúde e ao meio ambiente.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou que ações educativas realizadas em espaços públicos podem contribuir de forma significativa para o fortalecimento da propagação da consciência ambiental e para promoção da saúde coletiva. Destaca-se a relevância da integração entre universidade, serviços e comunidade na construção de estratégias que possam dialogar com as necessidades territoriais. Como desafio, identifica-se a necessidade de ampliação da divulgação dessas iniciativas e fortalecer políticas públicas voltadas à gestão adequada de resíduos. A atividade também contribuiu para o desenvolvimento de pensamentos críticos e reflexivos entre os discentes envolvidos, reforçando o papel da vigilância em saúde na prevenção de riscos ambientais e na promoção de ambientes mais saudáveis e sustentáveis.
COLETA SELETIVA SOLIDÁRIA, RECICLAGEM DE ÓLEO DE COZINHA RESIDUAL E COMPOSTAGEM NA COLÔNIA JULIANO MOREIRA
Apresentação oral
1 FIOCRUZ
Contextualização
A Fiocruz Mata Atlântica está localizada na antiga Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá (RJ), área antrópica de Mata Atlântica que requer atenção à preservação ambiental e à redução de impactos institucionais e urbanos. Nesse cenário, tornou-se essencial desenvolver ações de educação ambiental voltadas à destinação correta de resíduos sólidos e óleo de cozinha residual, além da conscientização sobre saneamento e controle de vetores.
Para isso, foi implantado o projeto Coleta Seletiva Solidária de Resíduos Sólidos e Reciclagem do Óleo de Cozinha Residual, selecionado em edital da Cooperação Social da Fiocruz, com objetivo de promover um ambiente mais limpo, incentivar a participação comunitária e gerar trabalho e renda. As ações incluíram troca de recicláveis por alimentos e de óleo por produtos de limpeza, além de oficinas que capacitaram moradores e pacientes de saúde mental na produção de sabão, velas e artesanato. O projeto também implantou um sistema de compostagem em cilindro, transformando resíduos orgânicos em adubo.
De fácil reaplicação e eficaz na solução de problemas ambientais, o projeto transformou resíduos em insumos úteis, gerando adubo, emprego e renda. Contribuiu ainda para o desenvolvimento de tecnologias que tornam as cidades economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente sustentáveis, promovendo inovação, racionalização de recursos naturais e inclusão de populações vulneráveis.
Descrição da Experiência
O projeto se estruturou em três pilares: educação ambiental, logística de coleta e destinação adequada de resíduos, com metodologia participativa envolvendo os moradores. As ações ocorreram em Postos de Troca Voluntária, alocados duas vezes por semana nas comunidades, nos quais recicláveis eram trocados por alimentos e óleo usado por produtos de limpeza. Os materiais recicláveis foram destinados a cooperativas e o óleo enviado para reciclagem em parceria com a empresa Grande Rio Reciclagem Ambiental, e tranformado em sabão pastoso.
Dez jovens atuaram como agentes ambientais e participaram da mobilização comunitária. Foram realizadas oficinas de educação ambiental e reciclagem do óleo de cozinha, capacitando moradores e pacientes de saúde mental na produção de sabão, velas e artesanato, além de workshops e eventos comunitários. O sistema de compostagem em cilindro incentivou a destinação adequada de resíduos orgânicos e a produção de adubo para hortas e jardins.
Objetivo e período de Realização
Implantar a coleta seletiva de resíduos sólidos e a reciclagem do óleo de cozinha residual na Colônia Juliano Moreira, promovendo melhoria ambiental, participação comunitária, geração de renda e fortalecimento de práticas sustentáveis.
Período de Realização
Entre 2010 e 2026
Resultados
Entre 2010 e 2016, cerca de 192 toneladas de resíduos sólidos foram trocadas por 16.726 kg de alimentos, fortalecendo a segurança alimentar. Esta ação foi interrompida por dificuldades logisticas de recolhimento pela cooperativa . Entre 2011 e 2020, aproximadamente 65.000 litros de óleo de cozinha residual foram coletados e trocados por mais de 11.000 produtos de limpeza. Esta ação foi interronpida devido a pandemia . O projeto expandiu-se com 22 postos de troca em condomínios, escolas e igrejas, envolvendo cerca de 700 moradores.
Desde 2018, a comunidade recebeu orientação sobre destinação adequada de resíduos orgânicos, evitando queimadas e proliferação de vetores, e incentivando a produção de adubo. Foram realizadas seis oficinas com fornecimento de materiais para composteiras cilíndricas, resultando em mais de 20 composteiras implantadas nos quintais residenciais.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência demonstrou que tecnologias sociais aliadas à educação ambiental promovem mudanças de comportamento no manejo de resíduos e na proteção da saúde coletiva. A participação comunitária foi essencial para adesão à reciclagem, reaproveitamento e compostagem. As oficinas favoreceram a inclusão de pacientes de saúde mental e ampliaram oportunidades de geração de renda. O projeto fortaleceu vínculos entre instituição e comunidade, tornando-se referência para outras iniciativas de gestão sustentável de resíduos e promoção da saúde ambiental.
Realização: